Causas, sintomas e consequências da febre alta

Causas, sintomas e consequências da febre alta

A temperatura do corpo é uma das formas para identificar o estado de saúde de uma pessoa. A média considerada normal varia de 35,9 a 37,2°C. Quando surge a febre, normalmente, é decorrente de uma reação do organismo contra um agente infeccioso, como vírus ou bactérias, por exemplo. Tumores, acidentes vasculares ou traumatismos também podem afetar o mecanismo de regulagem de calor do corpo e provocar febre alta.

Muitas outras situações podem provocar flutuações na temperatura corporal como, por exemplo, digestão, exercícios físicos, estado emocional, período de ovulação na mulher e a própria temperatura do ambiente. Entretanto, estas condições não representam problemas de saúde e a variação nunca é maior que 1° C.


Sintomas da febre

· Calafrios: por espasmos dos vasos sanguíneos da pele;

· Tremores: contrações musculares da geração de calor provocada pela febre;

· Mal estar, sensação de dor nos músculos e ossos;

· Pulso rápido: normalmente, o aumento é de 8 a 10 pulsações por cada grau de elevação da temperatura (leia artigo completo);

· Respiração acelerada (leia artigo completo);

· Sudorese: perda de calor pela evaporação. Defesa do corpo para resfriar a superfície da pele.

· Sede e perda de apetite;

· Urina mais amarela;

· Dor de cabeça;

· Hiperemia da pele (pele vermelha) ou palidez: alteração da circulação sanguínea. Ganho e perda de calor entre o corpo e o meio ambiente.

· Às vezes, convulsões e delírios.

A consequência mais importante da febre, além do incômodo dos sintomas, é a convulsão e esta pode ser variável. Caso a pessoa tenha a predisposição que a facilite, como no caso de um distúrbio cerebral, poderá tê-la até mesmo com febre baixa.

Na faixa etária pediátrica, pode ocorrer em 10% das crianças. Em geral, estão associadas à febre, mas também podem ser resultantes de trauma craniano, baixo oxigênio no sangue e arritmias cardíacas. Menos de um terço das crianças que apresentam convulsões terão epilepsia, doença na qual o cérebro gera crises convulsivas recorrentes.

No momento da convulsão, é fundamental colocar a criança deitada sobre superfície confortável e determinar o tempo de duração da crise, o que ajudará os médicos a analisar cada caso. A criança deverá ser levada ao pronto-socorro para atendimento e avaliação do pediatra. Clique no link e leia o artigo: Causas das convulsões

O tratamento da febre varia de acordo com o tipo, gravidade e causas que motivou a elevação da temperatura.

1. O paciente deve beber bastante água e se alimentar bem para compensar a desidratação e os desgastes dos tecidos do corpo.

2. O repouso e sono também são importantes para a recuperação.

3. A febre causa muito incômodo e deve ser medicada com antitérmicos para alívio dos sintomas. Porém, é importante o diagnóstico, pois dependendo da doença, alguns desses medicamentos são contraindicados. No caso de Dengue, por exemplo, o ácido acetilsalicílico pode provocar hemorragia e morte. Leia o artigo: Dengue pode ser confundida com gripe

4. Temperaturas acima de 39°C é aconselhável colocar compressas de água morna na testa, cabeça, pescoço, axilas e virilhas, que são as regiões onde passam os grandes vasos sanguíneos. Tenha sempre um termômetro em casa. O tempo estimado para a medição correta é de 3 minutos.

Local da medição: existem variações que depende da região onde é feita a medição. Nas axilas, a temperatura indica um grau a menos que na boca ou no reto.

Axilas: devem estar secas, livre de umidade. Pode sofrer interferências de fatores externos. O termômetro deve ser colocado entre duas superfícies da pele, tendo o cuidado para não deixar a roupa entre o bulbo do termômetro e a pele.

A medição nas axilas não é indicada em pacientes com queimaduras no tórax, processos inflamatórios nas axilas ou fraturas dos membros superiores.

Boca: não se verifica a temperatura pela boca em vítimas inconscientes, crianças depois de ingerirem líquidos (quentes ou frios), após extração dentária ou inflamações na boca.

Reto: mede-se com o paciente deitado de lado, flexionando o membro inferior, um sobre o outro. É necessário untar o termômetro com vaselina. A medição retal é a mais precisa pois não sofre influências de fatores externos.

Não se mede a temperatura pelo reto em pacientes que tenha tido intervenções cirúrgicas no reto, com abscesso retal ou perineorrafia.

Estado Térmico/Temperatura (°C)

• Abaixo do normal :34º C - 36º C

• Normal: 36º C - 37º C

• Estado febril: 37º C - 38º C

• Febre: 38º C - 39º C

• Febre alta (pirexia): 39º C - 40º C

• Febre muito alta: (hiperpirexia) 40º C - 41º C

É bom esclarecer que o ato de baixar a febre é uma prática que visa apenas aliviar o mal-estar enquanto se descobrem ou se combatem as causas da temperatura alta. Baixar a febre não significa sanar a doença.

Clique no link e leia artigo complementar:
Alívio para as dores: para que servem os analgésicos e antitérmicos
Febre baixa pode ser mais grave que alta

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz, Livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel): capítulo de pediatria e infectologia.