Causas da convulsão

Causas da convulsão

Convulsão não é doença nem sinônimo de epilepsia. “Convulsão é uma denominação usada para qualquer crise que ocorra com fenômenos motores importantes. Um indivíduo pode apresentar convulsão sem que apresente epilepsia, a qual, por definição, exige a ocorrência de pelo menos duas crises sem fator desencadeante definido” explica o Prof. Dr. Milberto Scaff, Titular de Neurologia da USP e autor do capítulo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel).

As convulsões ocorrem por manifestações clínicas agudas do sistema nervoso que podem acontecer por:

Pancadas na cabeça;
• Processos inflamatórios ou vasculares (hemorragias e isquemias);
• Quadros de intoxicação exógena (como, por exemplo, ingestão de drogas ou substâncias que diminuem o limiar convulsivógeno) ou nos distúrbios hidroeletrolíticos;
• Febre alta;
• Cansaço e ansiedade;
• Efeito colateral de alguns medicamentos;
• Uso de drogas.

A convulsão pode ser também um sintoma de afecções graves do sistema nervoso, mas nem sempre isso ocorre. Assim, uma simples privação de sono em um indivíduo geneticamente predisposto pode levar a ocorrência de uma convulsão. A crise é limitada e termina espontaneamente após cerca de 1 minuto. Algumas vezes, entretanto, este episódio pode se prolongar e durar vários minutos.

Segundo o pediatra Dr. Cláudio Schvartsman, Vice-Presidente de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein e autor do capítulo de pediatria do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel), na faixa etária pediátrica, a convulsão pode ocorrer em 10% das crianças. Em geral, as convulsões estão associadas a febre, mas também podem também ser resultantes de trauma craniano, baixo oxigênio no sangue e arritmias cardíacas. “Menos de um terço das crianças que apresentam convulsões terão epilepsia, doença na qual o cérebro gera crises convulsivas recorrentes", esclarece o pediatra. No momento da convulsão, é fundamental determinar o tempo de duração da crise, o que ajudará os médicos a analisar cada caso. Após o episódio, acriança deverá ser levada ao pronto-socorro para atendimento e avaliação do pediatra.

Já a epilepsia é um distúrbio que se caracteriza pela presença de crises epilépticas cronicamente recorrentes ; este nome é reservado para a condição em que tenham ocorrido pelo menos duas ou mais crises epilépticas espontâneas, no período de um ano, sem evidências de um fator desencadeante claro. As epilepsias caracterizam-se por vários tipos de crises, como:

• Crises tônico-clônicas generalizadas: chamada de “crises do grande mal”, caracteriza-se por espasmo muscular generalizado, rítmicos e de grande amplitude, queda ao solo, contratura da musculatura da mandíbula com mordedura de língua (fase tônica), perda de consciência, e liberação de urina;

• Ausências: breves períodos de comprometimento da consciência com mínimo envolvimento motor;

• Mioclonias: choques musculares, em geral sem perda de consciência;

• Crises parciais: com envolvimento de apenas partes do corpo, com ou sem comprometimento da consciência.

Quando não há interrupção do fenômeno crítico por 30 minutos, configuramos o estado de mal epiléptico, condição grave que, se não adequadamente tratada, pode acarretar o óbito. A causa mais comum do estado de mal epiléptico é a retirada abrupta das drogas antiepilépticas por pacientes que fazem uso a longo prazo deste tipo de medicação.

Conteúdo do livro MEDICINA — MITOS & VERDADES (Carla Leonel ) Capítulo de neurologia. Médico responsável Prof. Dr. Milberto Scaff (Prof. Titular de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/FMUSP).

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