Você deve visitar o seu médico regularmente, mesmo que se sinta saudável. Muitas doenças não apresentam sintomas no início e o diagnóstico precoce pode salvar vidas. Altos níveis de açúcar no sangue e níveis elevados de colesterol, por exemplo, podem  não apresentar sintomas nos estágios iniciais e representa um dos fatores de risco de diabetes (glicose) e de doenças cardíacas (colesterol).

Os exames de sangue são usados para avaliar várias condições de saúde e em diferentes órgãos. O seu médico irá pedir os exames necessários para auxiliá-lo em um possível diagnóstico baseado no exame clínico e sintomas que você apresente. Também poderá definir seu estado de saúde geral de acordo com sua idade, sexo, estilo de vida e fatores de riscos. É um método simples e praticamente indolor feito por meio de punção em uma das veias, normalmente, do braço. A hematologista Dra. Ana Marcela Rojas Fonseca, lista abaixo os exames que avaliam as alterações mais frequentes dos principais órgãos e sistemas do seu corpo:

HEMOGRAMA
É um dos exames mais pedidos pelos médicos. Faz a análise dos tipos e quantidades de células no sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) e acusa desde a existência de infecções por vírus, bactérias, parasitas até reações alérgicas, anemias ou mesmo leucemias.

Glóbulos vermelhos
Os glóbulos vermelhos são responsáveis por transportar o oxigênio dos pulmões para todo o organismo. A diminuição dos glóbulos vermelhos indica anemia e provoca a sensação de cansaço, fraqueza e indisposição.
Causas da anemia:
• Alimentação inadequada;
• Perda sanguínea (perda menstrual excessiva, sangramento hemorroidário etc);
• Causas genéticas (alterações das hemoglobinas, como as doenças falciformes, talassemias etc;). Alguns tipos de alterações nos glóbulos vermelhos;
• Doenças autoimunes (como o Lupus eritematoso sistêmico, por exemplo);
• Doenças renais, no fígado ou no baço;
• Doenças crônicas (infecções, distúrbios hormonais);
• Doenças próprias da medula óssea (onde são produzidas as células do sangue).

Você pode perceber que existem várias causas distintas de anemia, portanto, apenas o seu médico pode definir o diagnóstico correto de acordo com os exames clínicos e complementares. Ou seja, evite o autodiagnostico e a automedicação. A suplementação vitamínica não resolve todos os casos, já que a anemia em si pode representar um sintoma de alguma doença mais séria e que necessita de tratamento específico.

Quanto ao aumento de glóbulos vermelhos, pode ser visto em fumantes crônicos ou em doenças primárias da medula óssea (Policitemia vera).  Pessoas com valores altos de glóbulos vermelhos tem maior risco de trombose.

Os glóbulos brancos (leucócitos) são responsáveis pela defesa contra infecções, com papel importante nos processos inflamatórios relacionando-se com a imunidade. Há uma oscilação contínua no número de glóbulos brancos. Pequenas alterações abaixo ou acima dos valores de referência nem sempre serão indicativas de doenças. Existem cinco tipos diferentes de leucócitos no sangue e cada um deles tem uma função específica: bastonetes, segmentados, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos.
Leucócitos é o total de glóbulos brancos no sangue. São as células de defesa do organismo. Valores altos representam infecção, uso de determinados medicamentos, ou por uma proliferação autônoma da medula óssea, como nas leucemias. Valores baixos pode ser por processos infecciosos agudos ou crônicos, alterações na medula óssea, problemas no baço, falta de determinadas vitaminas (vitamina B¹² por exemplo) ou até mesmo constitucional (é normal para pessoas de uma mesma família).
• Neutrófilos: valores elevados podem representar infecções por bactérias;
• Eosinófilos: aumento dos eosinófilos pode representar desde infecção por parasitas até processos alérgicos;
• Basófilos: Inflamações crônicas e processos alérgicos elevam os basófilos;
• Linfócitos: infecção por vírus;
• Monócitos: apresentam-se alterados tanto nas infecções virais quanto nas bacterianas.

Plaquetas
As plaquetas são as células do sangue responsáveis pela coagulação do sangue e não tem relação com anemia. Contudo, uma diminuição de plaquetas, apesar de clinicamente não apresentar sintomas, pode representar uma doença ainda não diagnosticada, como alterações autoimunes, infecções virais crônicas, doenças do fígado e do baço, doenças da medula óssea etc. É importantíssimo investigar o que pode estar causando a diminuição de plaquetas.
Níveis baixos de plaquetas provocam manchas pelo corpo (hematomas e petéquias - pequenas manchas vermelhas) e risco aumentado de sangramento. Níveis elevados indica coagulação excessiva, isto é risco de trombose.

EXAMES DE COAGULAÇÃO
O teste de coagulação é pedido de rotina antes de qualquer cirurgia. Também é solicitado em casos de sangramentos aumentados ou manchas desproporcionais pelo corpo aos traumas que as originaram. Este exame avalia se a formação dos coágulos de sangue está normal. Se demorar muito tempo para o seu sangue coagular, pode ser sinal de doença hemorrágica como a hemofilia ou doença de von Willebrand. A coagulação resulta de alguns fatores: a constrição vascular local após uma ruptura de um vaso sanguíneo; de plaquetas que chegam ao local lesado; e de proteínas próprias da coagulação. A avaliação básica da coagulação inclui: tempo de sangramento, tempo de protrombina, tempo de trombloplastina parcial ativada, contagem de plaquetas. Um tipo de teste de coagulação chamado Razão Normalizada Internacional (INR) é usado para monitorar a dose de anticoagulantes, como a varfarina, e verificar se a dose está correta.

GLICEMIA DE JEJUM/GLICOSE NO SANGUE
Uma série de testes podem ser utilizados para diagnosticar e monitorizar a diabetes, que é o excesso de açúcar no sangue. Diabetes é uma doença que se não tratada pode causar sérios danos a vários órgãos do organismo, como os rins, a retina, os vasos sanguíneos, as coronárias, etc.
Estes exames incluem:
• Teste de glicemia de jejum: o nível de glicose no sangue é verificado após jejum (não comer ou beber qualquer coisa além de água) durante pelo menos oito horas;
• Teste de tolerância à glicose: o nível de glicose no sangue é verificada após o jejum, e novamente duas horas mais tarde, após ter sido dada uma bebida de glicose;
• Teste de HbA1C (hemoglobina glicada): teste para verificar o nível médio de açúcar no sangue nos últimos três meses;
• kits de teste de glicose no sangue podem estar disponíveis para usar em casa.

COLESTEROL E TRIGLICÉRIDES
O colesterol é uma substância produzida no fígado e essencial para o funcionamento do nosso corpo. Ele ajuda na produção dos hormônios esteroides (estrógeno e testosterona), de vitamina D e dos ácidos biliares responsáveis pela digestão das gorduras. Em excesso, eleva o risco de doenças cardíacas. Isso porque parte do nosso colesterol vem da gordura dos alimentos de nossa dieta. Por ser uma substância gordurosa, o colesterol não se dissolve no sangue, e se tiver em quantidade acima daquela necessária ao nosso organismo, entope os vasos e artérias. O triglicérides é outro tipo de gordura também produzida no fígado, a partir dos carboidratos e alimentos gordurosos. Eles que fornecem energia. Em quantidade elevada, ficam armazenados nos tecidos do corpo. Altos níveis de colesterol e triglicérides pode aumentar o risco de ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), aterosclerose, pancreatite, esteatose hepática (gordura no fígado).  Os exames de sangue medem a quantidade de colesterol boa e ruim de nosso corpo:
• VLDL : transporta triglicérides e se transforma em LDL, o conhecido mau colesterol.
• LDL: colesterol mau
•HDL (colesterol bom): retira o excesso de colesterol, inclusive das placas arteriais.

EXAMES DO FÍGADO
Quando o fígado está danificado, ele libera enzimas no sangue e os níveis de proteínas produzidas pelo fígado começam a cair. Ao medir os níveis destas enzimas e proteínas, é possível avaliar como o fígado está funcionando. Isso pode ajudar a diagnosticar certas patologias do fígado, incluindo hepatite, cirrose e doenças do fígado relacionadas com o álcool.
Os principais exames são:
• aspartato aminotransferase (AST ou TGO),
• alanina aminotransferase (ALT ou TGP),
• fosfatase alcalina (FA),
• gamaglutamiltransferase (GGT)
• bilirrubinas
• proteínas totais e frações ou eletroforese de proteínas
• tempo de atividade de protrombina

EXAMES DE SANGUE PARA AVALIAR OS RINS
Seus rins desempenham vários papéis vitais na manutenção da sua saúde. Uma das funções é filtrar as toxinas do sangue e expulsá-las do corpo como urina. Os rins também ajudam a controlar os níveis de água e vários minerais essenciais para o organismo. Além disso, eles são importantes para a produção de:
• Vitamina D,
• Glóbulos vermelhos,
• Hormônios que regulam a pressão arterial.
Para a avaliação do funcionamento dos rins é feita a avaliação dos eletrólitos do sangue e substâncias que podem se tornar excessivas quando os rins não estão funcionando adequadamente. Os principais:
•Eletrólitos: sódio (Na), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), fósforo (P), etc;
• Ureia: avalia o funcionamento dos rins e fornece informações importantes da ingestão de proteínas;
• Creatinina: indica as condições dos rins avaliando a capacidade de filtração. Também é importante para a energia muscular. Níveis diminuídos indica massa muscular reduzida.
• Ácido úrico: ajuda na investigação e disfunções do sistema urinário e no controle de da hipertensão e diabetes. Também diagnostica cálculo renal (pedras nos rins), gota e artrite. Clique no link e leia mais.
• Urina tipo I, cultura de urina, análises em urinas de 24 horas (toda a urina eliminada por 24 horas)

EXAMES DA TIREOIDE
A tireoide é responsável por controlar o metabolismo (gasto energético) e funcionamento de vários órgãos do organismo. Se você tem baixos ou altos níveis desses hormônios, você pode ter alterações no peso, no sono, no hábito intestinal, na frequência cardíaca e até depressão.
Os principais exames que avaliam o funcionamento da glândula tireoide são:
• Hormônio tireoestimulante (TSH): valores alto sinalizam hipotireoidismo e valores baixos hipertireoidismo;
• Tiroxina livre (T4L e T3L) ou total (T4t e T3t).

RASTREIO DE DOENÇA SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL - Clique e leia mais sobre as DST
Dependendo do seu estilo de vida e história médica, você precisa fazer exames para infecções como a sífilis, clamídia, hepatites em geral – (Hepatite B é sexualmente transmissível), HIV, assim como outras infecções. Atualmente se considera que todas as pessoas com vida sexual ativa devem fazer tais exames.

Fonte: Medicina Mitos e Verdades (Carla leonel). Médica responsável Dra. Ana Marcela Rojas Fonseca-Hial, hematologista especialista em Transplante de Medula Óssea. Médica na UNIFESP e na Onocenter Médicos, em São Paulo/SP.

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