Diferença entre alergia e intolerância alimentar: alimentos que causam alergia

Diferença entre alergia e intolerância alimentar: alimentos que causam alergia

Intolerância e alergia alimentar são situações bem diferentes, apesar de frequentemente serem confundidas pela população. Diferenciar as duas condições é fundamental para evitar restrições alimentares sem necessidade, e aderir ao tratamento correto. Qualquer sintoma relacionado após a ingestão de alimentos procure orientação médica.

Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

A alergia alimentar está relacionada ao sistema imunológico da pessoa e a intolerância alimentar é uma resposta anormal do organismo a um alimento sem a influência do sistema imunológico.

Na alergia alimentar, o sistema imunológico do paciente responde de forma exagerada e anormal a algum componente do alimento, que é interpretado pelo organismo como uma substância agressora.

Na intolerância alimentar, o organismo não possui enzimas capazes de absorver os componentes de determinados alimentos e como consequência, o paciente apresenta diversos sintomas após a ingestão deste alimento ou substância presente nele.

Na intolerância a lactose, por exemplo, o responsável é um açúcar presente na composição dos derivados do leite e a intolerância ocorre devido a ausência total ou parcial da lactase, enzima responsável pela digestão. Quando o alimento é ingerido, ele passa por vários processos, entre eles, a absorção. Na existência de intolerância a determinada substância, esta fica retida no organismo e se acumula, provocando uma infinidade de sintomas. A gravidade desses sintomas é variável e depende da quantidade da ingestão do alimento.

Já na alergia, os sintomas independem da quantidade. O tratamento da alergia e intolerância também é diferente. Conheça mais as causas, sintomas e tratamento da intolerância a lactose e ao glúten, clicando no link azul, respectivamente.

Segundo o dermatologista Prof. Dr. Luiz Carlos Cucé, teoricamente, todos os alimentos podem provocar reações alérgicas. Entretanto, os mais frequentes são chocolates, alimentos com corantes (salsicha, gelatinas coradas, sucos artificiais, balas, etc.), alimentos em conserva e frutos do mar, principalmente, o camarão.

Principais alimentos que causam alergia alimentar

Leite: cerca de 90% dos casos de alergia alimentar estão relacionados ao leite de vaca e surgem na infância precoce. Ao contrário da intolerância à lactose, distúrbio que envolve apenas a deficiência de uma enzima, a alergia às proteínas do leite envolve uma resposta maior do sistema imunológico. Tal resposta pode ser imediata (os sintomas aparecem poucas horas após o consumo) ou tardia (os sinais podem levar de três horas a três dias para aparecer).

A alergia tardia ao leite de vaca é a mais comum e, por seus sintomas aparecerem muito tempo depois do consumo do alimento, tem seu diagnóstico bastante dificultado.

Ovo: a albumina (proteína presente na clara do ovo), usada em marshmallow, comidas congeladas e outras misturas para alimentos, também está entre os principais alimentos alérgenos.

Trigo, aveia, cevada e centeio: o glúten presente nesses alimentos pode causar alergia em crianças portadoras de doença celíaca (doença relacionada à intolerância ao glúten).

Peixe: o peixe estragado apresenta altos teores de histamina (que causa reação alérgica intensa), mesmo antes que haja alteração do sabor.

Frutos do mar: caranguejo, lagosta e camarão podem desencadear reações severas de alergia. Na China, por exemplo, ocorrências alérgicas pela ingestão de camarão são as mais comuns.

Tomate: a reação alérgica a tomate está normalmente associada ao uso muito frequente desse alimento na dieta.

Frutas cítricas: pessoas alérgicas a frutas cítricas podem facilmente apresentar carência de vitamina C. Nesse caso, é preciso recorrer a uma fonte suplementar dessa vitamina.

Refrigerante à base de cola e chocolate: a sensibilidade a esses alérgenos é facilmente identificada.

Leguminosas: soja, ervilha e feijões também estão na lista dos alimentos que mais podem causar alergias.

Milho: o milho e outras fontes, como amido de milho, óleo de milho e farinhas à base do grão, podem acarretar problemas alérgicos.

Castanhas e amendoim: quando não controladas, as aflatoxinas presentes nesses alimentos podem causar reação alérgica.

Gergelim

Temperos: entre as principais especiarias da culinária, a canela é um alérgeno comum.

Aditivos alimentares: corantes, conservantes e aditivos artificiais são alérgenos. Os sulfitos, aditivos muito comuns utilizados em picles, cervejas, vinhos, refrigerantes de cola, frutas e vegetais secos, cerejas ao marrasquino, batatas secas ou congeladas, também podem provocar reações alérgicas.

Fermento natural: o fermento natural, muito presente em pães, também pode trazer reações alérgicas no organismo.

Muitas pessoas acreditam ter alergia alimentar, mas, na realidade, menos de 1% delas possui alergias reais. A maioria dos sintomas é causada por intolerância a alimentos. Também não se deve confundir alergia ou intolerância, com reações por intoxicação ou contaminação alimentar (leia o artigo).

Como saber se tenho alergia alimentar?

• Os sintomas mais comuns são na pele: erupções, eczema, dermatites, palidez e pele seca.

• Sintomas digestivo: náuseas, vômitos, diarreia, cólica abdominal;

• Sintomas respiratório: espirros, comichão nos olhos ou lacrimejo, tosse, chiadeira no peito, dificuldade em respirar.

Identificando os alimentos na alergia: fique atento

• Quando os sintomas se manifestam imediatamente ou próximo da ingestão de um alimento, e menos frequente após o contato ou inalação de vapores de cozedura dum alimento.

• Quando sintomas idênticos se repetem após a ingestão do mesmo alimento, ou de alimentos relacionados.

• Quando manifesta, próximo da ingestão de um certo alimento, os seguintes sintomas isoladamente ou combinados:

7 sinais e sintomas que indicam a alergia alimentar:

1. Quando manifesta, próximo da ingestão de um certo alimento, uma reação alérgica grave (anafilaxia), podendo envolver vários órgãos como a pele, sistema respiratório e sistema digestivo e/ou sintomas cardiovasculares, traduzindo uma queda súbita da pressão arterial, suores, palidez, palpitações e perda de consciência.

2. Quando manifesta, após realizar um exercício físico intenso e próximo da ingestão de um certo alimento, uma reação alérgica que pode variar desde uma urticária até uma reação alérgica grave.

3. Quando manifesta comichão na boca, com ou sem inchaço dos lábios e/ou língua, imediatamente após a ingestão de alimentos vegetais, como os frutos frescos (síndrome de alergia oral).

4. Quando manifesta após o contato direto com o alimento: vermelhidão e comichão na pele (urticária de contato).

5. Em crianças, quando na presença de eczema moderado a grave, particularmente nos primeiros anos de vida.

6. Quando ocorrem, particularmente na criança, sintomas digestivos frequentes tais como recusa alimentar, vômitos, diarreia, má progressão no peso ou sangue nas fezes.

7. Se tiver o diagnóstico de esofagite eosinofílica: inflamação crônica da mucosa que cobre o esôfago com grande concentração dessas células é chamada esofagite eosinofílica. Geralmente associada à Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), também é conhecida como esofagite alérgica.

Alergia tem cura?

Alergia não tem cura. Porém, a identificação dos elementos que possam desencadeá-la é muito importante para o seu controle. A vacina, meio de dessensibilização contra os fatores causadores da alergia, e o afastamento das substâncias alérgenas têm sido os principais métodos utilizados para controlar as crises alérgicas.

As vacinas são produzidas com pequena concentração da própria substância causadora da alergia. A aplicação das doses vai sendo aumentada gradativamente, dessensibilizando as substâncias que forem determinadas ou detectadas por meio de testes alérgicos. Entretanto, esses pacientes devem ser orientados por especialistas para evitar que outras substâncias também possam lhes causar alergias.

A alergia a alimentos pode matar?

A alergia alimentar pode provocar desde sintomas transitórios até graves. A pior consequência da alergia alimentar é o choque anafilático, uma reação alérgica extrema que surge poucos segundos, ou minutos, após o contato com uma substância a que se tem alergia, que pode ser alimentos como camarão, por exemplo, até veneno de abelha ou alguns medicamentos. Além dos sintomas da reação anafilática, no choque, a pessoa também tem queda de pressão arterial significativa. Leia o artigo completo: Tipos de choque: causas e consequências

Os sintomas são dificuldade para respirar com chiado, coceira e vermelhidão na pele, inchaço na boca, olhos e nariz, sensação de uma bola na garganta, dor abdominal, náuseas e vômitos, tontura e sensação de desmaio, suores intensos, confusão ou desmaio. Devido à gravidade dos sintomas e ao risco aumentado de ficar sem conseguir respirar, procure assistência médica o mais rápido possível.

Os doentes com história de reações alérgicas graves devem ser portadores de um estojo de emergência com adrenalina para autoadministração, em situações de ingestão acidental do(s) alimento(s) a que sejam alérgicos.

Por que uma pessoa é alérgica? Clique e leia o artigo e saiba também os exames que identificam os agentes alérgenos.

Medicina Mitos e Verdades: os maiores nomes da medicina reunidos, com renomados especialistas, doutores, Prof. Titulares das grandes universidades. Informações de saúde com credibilidade. Médico responsável pela categoria de dermatologia: Prof. Dr. Luiz Carlos Cucé (Prof. Titular Emérito do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina/USP; Prof. Titular da Disciplina de Dermatologia da Universidade de Santo Amaro/UNISA)