Hormônio do crescimento: riscos e vantagens das injeções de GH

Hormônio do crescimento: riscos e vantagens das injeções de GH

É verdade que o hormônio do crescimento (GH ou HGH, significa a mesma coisa) pode fazer milagres quando usado em adultos. Segundo o médico ortomolecular Dr. Wilson Rondó Jr., centros de antienvelhecimento usam o GH injetável como fonte da juventude e os resultados podem ser considerados fantásticos, com a reversão dos desgastes da idade equivalente a 10 e 20 anos. Alguns pesquisadores inclusive, já consideram seu uso contra os sintomas da menopausa, como a desaceleração metabólica e o consequente aumento de peso da meia-idade.

Os fanáticos pelo corpo perfeito, também costumam aderir a este recurso, já que o GH promove o aumento de massa muscular e reduz a gordura corporal viabilizando a definição do tão sonhado “músculo trincado”.

Por ajudar na performance física, da mesma forma, há quem use para competições. Porém, é considerado doping e, caso identificado, o atleta pode ser penalizado e afastado dos torneios.

Já que nem tudo que reluz é ouro, existem controvérsias no uso deste cobiçado hormônio por poder causar graves reações adversas e efeitos colaterais.

Como o GH estimula a multiplicação celular, a reação adversa mais importante é a indução do crescimento de tumores malignos pré-existentes, ou seja, câncer. Também pode propiciar o desenvolvimento do diabetes, da hipertensão arterial e aumentar os riscos de doenças cardíacas.

Na parte estética, não são apenas os músculos que crescem. O maxilar, nariz e as orelhas podem se tornar avantajados, prejudicando a aparência. Os homens ainda correm o risco de desenvolver a ginecomastia (crescimento das mamas).

Dos efeitos colaterais transitórios, podemos citar dor nas articulações, dor muscular, parastesia (dormência, formigamento ou sensação de agulhadas nas extremidades) e retenção de líquidos causando inchaço no corpo.

O GH é regulamentado pela ANVISA para o tratamento da disfunção na produção deste hormônio. É indicado para qualquer pessoa, independente da faixa etária, que apresente deficiência da produção de GH pela hipófise.

Segundo o Dr. Rondó, a síndrome da deficiência do hormônio do crescimento surge por doenças da glândula pituitária, doença hipotalâmica, casos especiais criados por cirurgia e radioterapia.

Já o FDA, órgão de controle norte-americano, aprova o uso do GH com a finalidade de retardar o envelhecimento, desde que o paciente apresente níveis baixos de insulina grow fator (IGF1), o que indica a falência da glândula pituitária em liberar quantidades adequadas de GH. As manifestações clínicas da redução de IGF1 normalmente são: diminuição da mobilidade física, pouca energia e risco aumentado de doença cardiovascular. “O GH revigora a parte imunológica, restaura o equilíbrio do organismo e fortalece o corpo contra as doenças, em especial, relacionadas a velhice”, enfatiza Dr. Rondó.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, a deficiência de GH pode ter início na infância (nanismo hipofisário) ou na vida adulta, consequente, por exemplo, a um tumor da hipófise. Na infância, o GH também pode ser benéfico na baixa estatura em meninas com Síndrome de Turner, em crianças nascidas pequenas para a idade gestacional, nos portadores da Síndrome de Prader-Willi, em crianças com insuficiência renal crônica, entre outros.

Em geral, nas crianças com baixa estatura causada pelas diferentes etiologias em que o uso de GH está aprovado, o tratamento pode ser feito até que se atinja a estatura final planejada. Vale esclarecer que isso não se baseia na idade cronológica, mas sim na idade óssea e na velocidade de crescimento que a criança está apresentando. Naqueles em que o tratamento foi iniciado em decorrência da deficiência de GH (que pode se manifestar desde os primeiros anos de vida), ou naqueles que desenvolveram a deficiência posteriormente (por exemplo, em decorrência de um tumor na glândula hipófise), o GH pode ser iniciado no momento do diagnóstico da deficiência, e muitas vezes é mantido por toda a vida.
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Como é feito o tratamento com GH?

O tratamento com GH é feito através de injeções diárias, aplicadas ao deitar, por via subcutânea (isto é, na gordura) nas coxas, braços, nádegas ou abdome. Não existem preparações em formas de comprimidos, sprays, supositórios ou adesivos.

Nesses casos, o uso de GH também pode gerar efeitos colaterais? Quais são eles?

Em geral, quando usado sob orientação médica o tratamento com GH é bem tolerado e tem poucos efeitos colaterais. Reações locais da aplicação são raras mas podem ocorrer. Raramente o uso de GH pode causar hipertensão intracraniana benigna (“síndrome do pseudotumor cerebral”), que cursa com dor de cabeça, vômitos, alterações visuais, agitação ou alterações da marcha (do ato de andar). Em adultos, os principais efeitos colaterais se relacionam com retenção de água que o GH pode promover, causando inchaço, dores articulares ou musculares, e formigamentos de extremidades, geralmente relacionados com a síndrome do túnel do carpo.

Existem casos em que este tratamento não pode ser utilizado?

O GH não deve ser utilizado em portadores de neoplasias (tumores) malignos em atividade, pacientes com crescimento não controlado de tumores intracranianos benignos, em portadores de diabetes descompensado e naqueles com retinopatia diabética, pacientes aguda e criticamente enfermos por complicações após cirurgia cardíaca, cirurgia abdominal, trauma acidental múltiplo ou insuficiência respiratória aguda.

Quem pode recomendar o uso de GH? Ele é vendido apenas com prescrição médica?

Idealmente, o uso terapêutico de GH deve ser indicado por médico endocrinologista ou endocrinologista pediátrico, que são capacitados para isto. Entretanto, qualquer médico pode prescrevê-lo e ele deve ser vendido sob prescrição e supervisão médica.

Quanto tempo dura o tratamento para crescimento?

Depende da causa da baixa estatura, da resposta que se está obtendo e da presença de cartilagens de crescimento que permitam continuar o tratamento. Em uma criança com diagnóstico de deficiência de GH desde os primeiros anos de vida, o tratamento pode ser mantido por muitos anos até atingir a altura adulta.

Em que casos o uso de GH deve ser interrompido?

Quando a resposta não é a esperada, na presença de efeitos adversos, ou quando o paciente não quer mais o tratamento.

Abaixo, o Dr. Rondó cita os benefícios do GH para a saúde, condicionamento físico, performance e rejuvenescimento:

1.Aumenta em 8, 8% a massa muscular após seis meses de uso, mesmo sem exercícios;

2.Reduz em média 14, 4% o tecido gordurosos, após seis meses de uso, mesmo sem fazer dieta;

3.Eleva o nível energético;

4.Melhora o desempenho sexual;

5.Melhora as funções cardíacas;

6.Aumenta a performance no exercício;

7.Melhora as funções renais;

8.Diminui a pressão arterial;

9.Reduz o LDL colesterol e eleva o HDL;

10.Fortalece os ossos;

11.Acelera cicatrizações;

12.Estimula o crescimento de cabelos;

13.Atenua as rugas;

14.Reduz a celulite;

15.Melhora a visão;

16.Melhora o humor;

17.Melhora a memória;

18.Melhora a qualidade do sono;

19.Recupera o tamanho de órgãos, tais como, o coração, fígado, baço e rins.

A utilização do GH com finalidade estética e performance atlética não tem aprovação da Anvisa e o uso é considerado ilegal. Dr. Rondó alerta que em outras circunstâncias, o médico deve avaliar os prós e contras para cada paciente.

Dr. Rondó lembra ainda que com um plano de condicionamento correto é possível aumentar o GH naturalmente, melhorando o condicionamento físico, ganhando mais energia, saúde e ainda conseguindo rejuvenescer. Falaremos sobre este assunto no próximo artigo. Enquanto isso fica a dica do Dr. Rondó: dormir bem é fundamental como estratégia para a liberação do GH. A maior liberação deste hormônio ocorre durante a primeira fase do sono profundo, cerca de 2 horas após adormecer. Aproveite e leia o artigo: As fases e ciclos que garantem o sono saudável

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