Tipos de diabetes: insípido, mellitus (1 e 2) e diabetes gestacional

Tipos de diabetes: insípido, mellitus (1 e 2) e diabetes gestacional

Sede excessiva, urinar com muita frequência e aumento do apetite é sinal de alerta para o diabetes. Existem vários tipos de diabetes e apesar dos sintomas serem os mesmos, as causas são distintas. Mas se não é a mesma doença por que o nome diabetes? A palavra diabetes, em grego, significa sifão. O sifão, como você sabe, é a peça que faz o rápido escoamento da água. Na Grécia Antiga, quando esta doença foi descrita pela primeira vez, recebeu o nome de diabetes, pois notaram que todos os pacientes bebiam grande quantidade de líquidos e rapidamente eliminavam pela urina. Era como se fosse uma torneira aberta e sem ralo (a falta do ralo simboliza o mau funcionamento dos rins).

Depois observaram que havia diferença na urina desses pacientes e classificaram o diabetes como mellitus e insipidus. Mellitus significa mel em latim, um comparativo do odor e sabor adocicado característico da urina desse pacientes (urina com glicose). Já insipidus, quer dizer “sem sabor”, pois a urina não era adocicada.


Diferença entre o diabetes mellitus e insípido

O diabetes insípido é raro e caracterizado por uma disfunção na hipófise. Como consequência há uma deficiência do hormônio antidiurético. Este hormônio atua sobre os rins e tem a função justamente de concentrar a urina, o que não ocorre no paciente portador do diabetes insípido. Pacientes com este tipo de diabetes chegam a urinar de 4 a 10 litros de urina por dia, sendo que o normal é aproximadamente 2 litros.

No diabetes mellitus, a disfunção é no pâncreas (órgão produtor de insulina) provocando um distúrbio no metabolismo de glicose. A sede no paciente com diabetes mellitus ocorre pelo aumento do nível de glicose no sangue e, desta forma, ele necessita de mais água para poder eliminá-la. É por esta razão que esses pacientes sentem muita sede e bebem bastante água. A urina, por sua vez, é adocicada já que carrega a glicose do sangue.

A glicose é o principal combustível das células e necessita da insulina para transformar o açúcar (glicose) dos alimentos em energia para o corpo. Quando a quantidade de insulina é insuficiente, a glicose não alimenta as células do corpo e passa a circular pelo sangue provocando a hiperglicemia. A hiperglicemia não tratada, ao longo do tempo é fator desencadeante para doenças sérias, afetando os rins, a visão e o coração podendo, inclusive, levar a morte prematura. Leia o artigo: complicações do diabetes descompensado

O diabetes mellitus é dividido em tipo 1 e 2

No tipo 1 ocorre pouca ou nenhuma produção de insulina e o paciente necessita de injeções diárias para repô-la. Este tipo é conhecido como insulinodependente e afeta normalmente pessoas jovens, podendo ser chamado também de diabetes juvenil. É mais grave que o tipo 2 e tem por causa um distúrbio no sistema imunológico levando a destruição das células do pâncreas (órgão produtor de insulina). Por isso é caracterizado como uma doença autoimune. Neste tipo, não há relação com outros casos na família.

Já o diabetes tipo 2 tem forte componente hereditário, e inicia-se por volta dos 40 anos. O organismo produz insulina, mas o corpo se torna resistente à ação deste hormônio elevando as taxas de açúcar no sangue. Aproximadamente 90% dos diabéticos são do tipo 2, conhecido também como diabetes tipo adulto ou diabetes não-insulino-dependente. O tipo 2, normalmente, não apresenta outros sintomas, além da sede e urina excessiva.

É fundamental o diagnóstico precoce a partir destes sinais para evitar as consequências já descritas acima do diabetes não tratado e descompensado. Nos casos mais graves pode ser necessário o uso de insulina ou medicamentos para o controle da glicose.

Os principais fatores desencadeantes do diabetes tipo 2 são a obesidade (principalmente a gordura abdominal), alto níveis do colesterol LDL e triglicérides, baixos níveis de HDL, além da hipertensão arterial.

Antes do diabetes tipo 2 se manifestar, surge o pré-diabetes. Este estágio é o alerta máximo que caso você não mude seu estilo de vida, provavelmente irá se tornar um diabético. Está comprovado que 50% das pessoas com pré-diabetes, desenvolvem a doença. Esta fase pré-diabetes significa que os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas ainda inferior às taxas que caracterizam o diabetes.

Para prevenir o diabetes ou controlar os níveis glicêmicos do paciente já diabético, a regra é a mesma: manter o peso adequado, aumentar a ingestão de fibras e diminua o consumo de gordura (principalmente saturada), controlar a hipertensão, evitar bebidas alcoólicas e o fumo, e praticar atividades físicas regulares (150 minutos semanais). Leia o artigo: alimentação para o controle da glicose e insulina

Vale lembrar que o diabetes por si só não mata. O que mata é a evolução e as complicações decorrentes do ato de não controlá-lo.

Em relação ao diabetes gestacional, a causa é a sobrecarga hormonal da gravidez. A placenta, por exemplo, é uma fonte importante de hormônios que reduz a ação da insulina. Com isso, o pâncreas aumenta a produção de insulina para compensar esta deficiência. Quando isso não ocorre, surge o diabetes gestacional, pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. Esta é uma condição temporária e o fato da gestante ter diabetes durante a gravidez, não significa que se tornará diabética futuramente, mas pode representar uma tendência a desenvolvê-la em algum momento da vida.

Fatores de risco do diabetes gestacional:

• Histórico de diabetes na família (pais ou irmãos);

• Obesidade;

Hipertensão arterial na gestação (clique e leia artigo relacionado)

• Ganho de peso excessivo na gravidez;

Síndrome dos ovários policísticos (leia artigo relacionado);

Idade materna avançada (leia artigo relacionado);

• Gestação múltipla (gêmeos).

Aqui, fica um alerta importante: durante a gestação é mais difícil desconfiar a existência de diabetes. Por isso é fundamental que toda mulher faça o teste de tolerância a glicose a partir de 24 semanas de gravidez. O bebê exposto ao diabetes da mãe pode nascer muito grande, sofrer de hipoglicemia neonatal e até se tornar um potencial candidato ao diabetes na vida adulta.

Diferente do diabetes insípido e do tipo 1 que não há formas de prevenção, o diabetes gestacional segue as mesmas orientações de prevenção e cuidados do diabetes tipo 2.

Leia o artigo complementar: causas e sintomas do diabetes