Chikungunya é grave: dores podem persistir por vários anos

Chikungunya é grave: dores podem persistir por vários anos

Chikungunya é uma palavra derivada do idioma Makonde e significa aqueles que se dobram. A doença recebeu esse nome, pois na forma grave, os infectados se contorciam devido a forte dor. Na existência de sequelas, pode tornar-se altamente incapacitante, obrigando a pessoa a se afastar de suas atividades. Também pode levar à morte.O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que causa a Dengue, a Febre Amarela e a Zika.

Como o Aedes é capaz de transmitir tantos vírus diferentes?

Uma pequena introdução para esclarecer esta questão. O mosquito Aedes aegypti é um vetor. Vetor significa qualquer ser vivo capaz de transmitir um agente infectante.

Os vetores podem ser de várias espécies (mosquito, molusco etc), assim como os agentes infectantes (vírus, protozoários etc.), sendo que estes, variam de acordo com o vetor. No caso do Aedes aegypti, ele é um mosquito e transmite vírus. Porém, ele é capaz de transmitir diferentes tipos de vírus.

Agora você deve estar se perguntando: E por que uma pessoa pega Zika ou Dengue e outra a Chikungunya, se ambas são picadas pelo Aedes? Porque a doença depende do vírus que o Aedes aegypti estiver infectado no momento da picada. Se ele estiver portando o vírus da Zika, você irá contrair Zika. Se for o vírus da Chikungunya, você pegará Chikungunya. Se for da Febre Amarela, será a Febre Amarela. E se for o vírus da Dengue você irá contrair a Dengue.

Da mesma forma, caso ele não esteja infectado e te picar, você não irá contrair nenhuma dessas doenças. Para ocorrer a transmissão, o mosquito precisa estar infectado, e é a partir daí, que ele passa a transmitir o vírus pela saliva durante a picada. Confira no artigo O ciclo do Aedes aegypti e formas de transmissão das doenças

Se você tem dúvida sobre qual vírus pode ter te infectado, acesse o link das doenças assinaladas para mais informações.

O Aedes aegypti ficou famoso no passado por causar a Febre Amarela e a Dengue. Depois surgiu a Chikungunya e a Zika. Todos esses vírus “desembarcaram” no Brasil no corpo de viajantes infectados.

Apesar disso, não são os viajantes que transmitem as doenças. Diferente do vírus da gripe que pode ser transmitido pelo contato direto, neste caso, os viajantes apenas “transportam” os vírus dentro do próprio corpo. Se o Aedes aegypti não existisse no Brasil, a doença também não existiria aqui, já que a transmissão ocorre por meio da picada do mosquito e não de pessoa a pessoa que é o que acontece, por exemplo, com o vírus da gripe.

Como o Aedes é o veículo necessário para ocorrer a transmissão, e este mosquito existe em grande quantidade no território brasileiro, basta ele picar a pessoa contaminada com o vírus da Chikungunya, por exemplo, e depois picar outra pessoa para ocorrer a transmissão do vírus. Portanto é importante observar: Quanto menos pessoas estiverem infectadas e menos mosquitos existir, menor a chance de transmissão.

Dito isso, vê-se a importância de eliminar os mosquitos e possíveis criadouros para evitar a propagação destas doenças. A transmissão é rápida e a picada do Aedes é quase imperceptível. Informe-se sobre a diferença da picada do Aedes e do pernilongo

Os principais períodos do ano que favorecem a transmissão são os meses mais chuvosos de cada região. Entretanto é fundamental evitar possíveis focos/criadouros do mosquito Aedes Aegypti, que pode ter ovos resistindo por um ano até encontrar as condições favoráveis de proliferação (tempo quente e úmido).

Sintomas da Chikungunya

1. Cerca de 30% das pessoas infectadas não chegam a desenvolver sintomas.

2. Nos outros casos, os sintomas surgem de 2 a 12 dias após a picada do mosquito, período conhecido como incubação.

3. Após o início dos sintomas, eles permanecem mais intensos por, aproximadamente 7 dias.

4. O quadro agudo pode durar até 15 dias e cura espontaneamente.

A primeira manifestação de sintomas é a febre é alta e de início súbito. Oscila entre 39° e 40,5° C , podendo diminuir espontaneamente (38° a 39°c), e depois voltar a subir. Nesta fase o vírus se acumula na corrente sanguínea e se espalha para outras partes do corpo.

O paciente pode sentir dor de cabeça, na garganta, atrás dos olhos, mal estar, dores pelo corpo e muita dor nas juntas, além de poder surgir manchas vermelhas ou bolhas pelo corpo. Já os sintomas do trato gastrointestinais, como vômitos e diarreia são mais comuns em crianças.

Todos infectados apresentam as manchas vermelhas? Qual é o aspecto delas?

Não. Este sintoma manifesta-se em apenas 50% dos pacientes. As manchas, surgem de 3 a 5 dias após o início da febre e, normalmente somem após 4 dias. Tem como característica, pequenas saliências de cor vermelha e, acomete, primeiramente, os membros superiores e depois, se espalham pelo rosto e tronco.

Quanto tempo dura a dor nas juntas? Que partes do corpo são mais afetadas?

Em 70% dos casos, a dor oscila entre uma articulação e outra: enquanto uma melhora, outra começa a ser sentida com mais intensidade. Em geral são bilaterais (joelho esquerdo e direito, pulso direito e esquerdo etc), conhecida como artrite. As juntas também podem estar inchadas e sensíveis ao toque. No período da manhã a dor costuma ser mais forte. As dores duram em média de 1 a 3 semanas, e os primeiros 7 dias são os piores. Os casos graves podem persistir por anos. Tire suas dúvidas sobre Artrite.

Por que a Chikungunya pode tornar-se grave? Existe risco de morte?

O risco de gravidade e morte aumenta no caso de pessoas mais velhas e quando já sofrem de alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão, mesmo que tratadas. Vamos enumerar as sequelas e complicações com risco de morte:

1. Algumas pessoas podem desenvolver um quadro pós-agudo e crônico com dores nas articulações, nervos e músculos que pode durar meses ou anos. Normalmente são pessoas que já tem predisposição ou doenças preexistente.

2. Pacientes que entram na fase pós-aguda da doença também podem desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré e outras complicações neurológicas. Esta síndrome ataca principalmente os nervos que conectam o cérebro com outras partes do corpo.

a) Os sintomas principais da Síndrome de Guillain Barré são fraqueza muscular que começa pelas pernas, podendo, em seguida, progredir ou afetar braços, tronco, cabeça e pescoço, com redução ou ausência de reflexos. Pode ocorrer também a paralisia total dos quatro membros.

b) A maioria dos pacientes percebe a doença, inicialmente, pela sensação de dormência, queimação ou agulhadas nas extremidades dos membros inferiores (pés e pernas) e, em seguida, nos membros superiores (mãos e braços).

3. A dor neuropática lombar (nervos, medula da coluna ou no cérebro) ou nas pernas, pode ser sentida em pelo menos 50% dos casos.

4. O pior prognóstico seria o acometimento dos músculos respiratórios. Nesta situação, caso o paciente não receba atendimento emergencial com suporte respiratório, os pulmões e coração param de funcionar, provocando a morte.

Quais os riscos para o bebê caso o vírus seja contraído na gestação?

A transmissão da mulher grávida para o feto só acontece quando a mãe fica doente nos últimos 7 dias (última semana) de gravidez. Neste caso, a criança mesmo que nasça saudável, deve permanecer internada por uma semana para observação e tratamento imediato se desenvolver a doença que, nestes casos, apresenta quadros graves com manifestações neurológicas e na pele.

Também existe transmissão do vírus por transfusão de sangue.

Que exames confirmam o diagnóstico da chikungunya?

O diagnóstico é clínico, feito por um médico. Depois confirmado com exames laboratoriais de sorologia e de biologia molecular ou com teste rápido (usado para triagem).

A sorologia é feita pela técnica MAC ELISA, por PCR e teste rápido. Todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de confirmação da doença a notificação deve ser feita ao Ministério da Saúde em até 24 horas.

Existe tratamento para a chikungunya?

Por se tratar de um vírus, o tratamento é feito de acordo com os sintomas, ou seja, diminuir a febre e as dores. Utiliza-se com analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios. Quando existir complicações mais graves é recomendada a fisioterapia.

Em caso de suspeita de infecção é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico e prescrição dos medicamentos, evitando sempre a automedicação. A automedicação pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente. Somente um médico pode receitar medicamentos.

Os tratamentos são oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

ATENÇÃO AOS MEDICAMENTOS PROIBIDOS

1. O uso de AINH (Anti-inflamatório não hormonal) na fase aguda, pode causar complicações associadas às formas graves de chikungunya, provocando hemorragia e insuficiência renal.

2. Corticoide também está proibido devido ao risco de complicações.

3. O ácido acetil salicílico (AAS) é terminantemente proibido devido ao risco de hemorragia e complicações neurológicas.

Em pessoas com menos de 18 anos, o uso da aspirina é ainda mais grave, podendo causar a Síndrome de Reye, doença que leva à morte. A Síndrome de Reye é uma doença muitas vezes fatal, que causa inflamação do cérebro e rápido acúmulo de gordura no fígado.

De acordo com alerta publicado pela Anvisa, o uso deste tipo de medicamento associado ao tratamento de infecções virais é uma das principais causas da Síndrome de Reye.

A faixa etária mais atingida está entre 4 e 12 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade.

Os sintomas incluem: vômito recorrente ou persistente, letargia, mudanças de personalidade como irritabilidade ou agressividade, desorientação ou confusão, delírio, convulsões e perda da consciência. A doença se manifesta, normalmente, durante a recuperação de uma infecção viral ou pode desenvolver-se 3 a 5 dias após o início da virose.

Estatísticas da chikungunya registrado pelo Ministério da Saúde

1. Até 3 de dezembro de 2018, foram notificados 84.294 casos de chikungunya em todo o país, redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344).

2. A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 40,4 casos/100 mil habitantes.

3. Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017, para 35 neste ano.

Lembre-se: a melhor prevenção, sendo esta a principal e mais eficaz, é evitar a proliferação do Aedes Aegypti, eliminando água armazenada que pode se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas pláticas, piscinas sem uso e manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos como tampas de garrafas. Faça sua parte. Ajude a salvar vidas!

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