Todos os mosquitos Aedes aegypti transmitem vírus?

Todos os mosquitos Aedes aegypti transmitem vírus?

O que é o mosquito Aedes Aegypti?
O Aedes aegypti é o nome científico de um mosquito que transmite a dengue, febre amarela urbana, além da zika e da chikungunya, doenças chamadas de arboviroses. A palavra arbovirose faz referência aos seres invertebrados da espécie artrópodes hematofóbicos (insetos que se alimentam de sangue) e transmitem vírus (arbo + virose). O Aedes pode ser diferenciado dos outros mosquitos pela presença de listras brancas no tronco, cabeça e pernas.

Originário da África, esse mosquito já tinha sido eliminado do Brasil por medidas de controle da dengue em 1955, retornando em 1976 por falhas de cobertura de ações do controle. Provavelmente, teve sua reintrodução por meio de fronteiras e portos. Ele é predominantemente encontrado em domicílios localizados em regiões com altas temperaturas e umidades, principalmente, na época chuvosa e quente (verão), típica de países tropicais como o Brasil.

Qual o ciclo do mosquito Aedes Aegypti?

O ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti compreende quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto.

Os ovos são depositados em condições adequadas, ou seja, em lugares quentes e úmidos, em água limpa e parada, principalmente em recipientes como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d’água descobertas, pratos sob vasos de plantas dentro, ou nas proximidades das casas, apartamentos e hotéis. Apesar disso, alguns estudos apontam focos do mosquito em água suja também.

O macho alimenta-se apenas de seivas de plantas. Ele não pica pois não precisa do sangue. É a fêmea que necessita de sangue humano para o amadurecimento dos ovos, que são depositados separadamente nas paredes internas dos objetos, próximos a superfícies de água, local que lhes oferece melhores condições de sobrevivência.

Todo os mosquitos da espécie Aedes Aegypti transmitem vírus?

Quando falamos do mosquito Aedes aegypti a primeira imagem que nos ocorre são as doenças transmitidas por eles. Porém, é importante fazer a distinção e para simplificar vamos dar o exemplo da Dengue (mas vale também para as outras doenças transmitidas pelo Aedes).

Para que a dengue ocorra, por exemplo, são necessários três componentes:
• o vírus que causa a doença (são quatro sorotipos - no caso da dengue),
• o mosquito, que transmite o vírus (cientificamente chamado de vetor da doença)
• e uma pessoa susceptível (que nunca teve contato com o sorotipo de vírus que está sendo transmitido pelo vetor, leia-se "mosquito transmissor").

Do ponto de vista do mosquito, é preciso esclarecer que o Aedes aegypti nem sempre é o “vilão”: nem todos os Aedes Aegypti transmitem a doença, porque nem todos estão infectados com o vírus da dengue (ou das outras doenças). Para que a transmissão da doença aconteça, é preciso que o vetor (mosquito) esteja infectado e infectivo, o que são coisas diferentes. Veja como acontece a transmissão:

• O mosquito fêmea (sim, apenas as fêmeas picam, já que elas fazem isso para amadurecer seus ovos) se torna infectado quando suga o sangue de alguém doente, no curto período em que esta pessoa tem várias partículas do vírus circulando em seu sangue. Neste momento o mosquito terá o vírus em seu “estômago”, mas ainda não é capaz de transmiti-lo.

• Entre 10 e 12 dias depois, as partículas do vírus dengue se disseminam pelo organismo do A. aegypti, se multiplicam e invadem suas glândulas salivares: neste momento, o mosquito fêmea se torna infectivo (transmite o vírus) e poderá então transmitir o vírus a outra pessoa.

• Ao mesmo tempo em que pica para sugar o sangue, o Aedes cospe saliva, que tem uma série de substâncias analgésicas e anticoagulantes, que o ajudam a não ser notado e a conseguir sugar o maior volume possível de sangue. Neste processo, as partículas de vírus são injetadas na corrente sanguínea da pessoa, junto com a saliva do mosquito (veja a ilustração).

• Na prática, um percentual muito pequeno de A. aegypti está infectado com o vírus dengue. Em primeiro lugar porque nem todas as fêmeas picam uma pessoa com o vírus dengue. Em segundo lugar, porque nem todos os mosquitos que picam alguém com o vírus dengue conseguem sobreviver até o momento em que se tornam infectivos e podem, então, começar a transmitir a doença.

• Quanto mais tempo a população de mosquitos conseguir sobreviver, maior a chance de que ela encontre indivíduos para se tornar infectivos. Ou seja, quanto menor o esforço das fêmeas para colocar seus ovos, maior a garantia de vida da população de mosquitos.

• O esforço das fêmeas do mosquito acontece em dois momentos principais: para procurar uma fonte de sangue (necessário para amadurecer os ovos) e para depositar seus ovos (que precisam do ambiente aquático para eclodir e se desenvolver para os estágios de larva, pupa e, finalmente, mosquito).

• Assim, fica fácil entender que quanto maior a disponibilidade de locais para que as fêmeas depositem seus ovos, maior a chance de ter uma população longeva de mosquitos, e maior a chance de encontrar mosquitos infectivos, capazes de transmitir a dengue.

Em outras palavras, agindo para eliminar os criadouros potenciais do mosquito, estamos dando a melhor contribuição possível para colaborar com a diminuição das epidemias de dengue, zika, febre amarela e Chikungunya. Leia abaixo os sintomas e riscos dessas doenças que podem levar à morte.

No mosquito, o período de tempo entre a alimentação com o sangue de alguém que possui o vírus dengue, e a possibilidade de transmiti-lo, ou seja, entre o mosquito estar infectado e se tornar infectivo, é chamado de “período de incubação extrínseco” (PIE).

Quais períodos do ano mais favoráveis para surtos de Aedes aegypti?

Os maiores casos e epidemias das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti ocorrem no período das chuvas, de outubro a março, em razão das condições ambientais estarem mais propícias ao desenvolvimento dos ovos. No entanto, é importante manter higiene e ter cuidado com todos os locais que podem acumular água parada em qualquer época do ano, pois os ovos são resistentes a dessecação e podem sobreviver no meio ambiente 450 dias, bastando pouca quantidade de água como uma pequena poça para que haja a eclosão das larvas. Essa é a forma de prevenção mais efetiva e depende, principalmente, da população.

O Aedes Aegypti pode sobreviver e transmitir doenças em qualquer época do ano?

Sim, o mosquito sobrevive e pode transmitir os vírus em qualquer época do ano. Porém, o aumento do número de casos ocorre nos meses mais quentes e chuvosos pela maior eclosão de larvas, maior disponibilidade de pequenas ou médias acumulações de água nos criadouros diversos, e aumento do número de mosquitos adultos.

Quais são as pessoas mais suscetíveis às doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti?

A susceptibilidade aos vírus é universal. No entanto, fatores de risco individuais, tais como idade, etnia, presença de outra doenças na pessoa e infecção secundária podem determinar a gravidade da doença.

• As crianças mais novas, particularmente, tem o organismo são mais frágeis que dos adultos ao serem infectadas e, consequentemente, têm maior risco e choque por dengue, principalmente.

• Os grupos de pessoas que possuem piores condições socioeconômicas e que vivem em lugares com pior qualidade ambiental também podem ser mais susceptíveis, neste caso devido a quantidade maior de criadouros para o desenvolvimento das larvas do mosquito, que acontece basicamente em locais onde se acumula água parada.

Quais as regiões mais suscetíveis ao desenvolvimento do mosquito Aedes Aegypti?

A distribuição do mosquito Aedes Aegypti é em toda faixa tropical do globo terrestre:

• Cidades bastante urbanizadas;

• Locais onde haja o crescimento urbano desordenado com maior número de imóveis ocupados por borracharias, depósitos de materiais de reciclagem, oficinas mecânicas, que possuem menor renda per-capita, que vivem em bairros com maior proporção de ruas sem pavimentação;

• Locais com maior quantidade de criadouros como piscinas, caixas d’agua parcialmente tampadas, lixos, garrafas, pneus e sucata a céu aberto.

Quais são as doenças que o mosquito Aedes Aegypti pode transmitir e os sintomas?

O mosquito Aedes aegypti é transmissor de algumas doenças, sendo as principais:

Febre Amarela: febre alta, mal estar, dores musculares, dor de cabeça e calafrios. Leia o artigo completo sobre a Febre Amarela

Dengue: febre alta súbita, dor de cabeça e dor no corpo e articulações, náuseas e vômitos, também podem haver manchas vermelhas no corpo e coceira. Leia o artigo completo sobre a Dengue

Zika: recente no Brasil e que tem provocado muita preocupação, principalmente nas gestantes, pelo fato de estar sendo associada às ocorrências de microcefalia em recém-nascidos.
Sintomas: febre não muito alta, dor de cabeça, dor nas articulações, manchas vermelhas no corpo com coceira, vermelhidão nos olhos e cansaço, em algumas pessoas pode não ter nenhum sintoma. Leia o artigo completo sobre o Zika Virús e microcefalia no feto

Chikungunya: doença que ocorre junto com a dengue e cujos sintomas se confundem: febre alta súbita, dor de cabeça constante, manchas vermelhas no corpo com coceira intensa e dor forte nas articulações com inchaço.

O que a população deve fazer para combater o mosquito Aedes Aegypti?

A principal ação que a população tem é evitar água parada em qualquer local em que ela possa se acumular, e em qualquer época do ano. As principais medidas de prevenção e combate ao Aedes Aegypti são:

• Manter bem tampado tonéis, caixas e barris de água;

• Lavar semanalmente com água e sabão tanques utilizados para armazenar água;

• Manter caixas d’agua bem fechadas;

• Remover galhos e folhas de calhas;

• Não deixar água acumulada sobre a laje;

• Encher pratinhos de vasos com areia ate a borda ou lavá-los uma vez por semana;

• Trocar água dos vasos e plantas aquáticas uma vez por semana;

• Colocar lixos em sacos plásticos em lixeiras fechadas;

• Fechar bem os sacos de lixo e não deixar ao alcance de animais;

• Manter garrafas de vidro e latinhas de boca para baixo;

• Acondicionar pneus em locais cobertos;

• Fazer sempre manutenção de piscinas;

• Tampar ralos;

• Colocar areia nos cacos de vidro de muros ou cimento;

• Não deixar água acumulada em folhas secas e tampinhas de garrafas;

• Vasos sanitários externos devem ser tampados e verificados semanalmente;

• Limpar sempre a bandeja do ar condicionado;

• Lonas para cobrir materiais de construção devem estar sempre bem esticadas para não acumular água;

• Catar sacos plásticos e lixo do quintal.

Quais são as recomendações para utilizar água sanitária no combate ao Aedes Aegypti?

Água sanitária pode ser usada no combate às larvas, mas é importante lembrar que ela NÃO PODE ser utilizada em recipientes de armazenamento de água para consumo humano e de animais. Recomenda-se a utilização de água sanitária pela população nos seguintes criadouros:

• Vasos sanitários que não são de uso diário;
Tratamento: adicionar 1 colher de chá (5ml) de água sanitária.

• Caixa de descarga sanitária que não é de uso diário;
Tratamento: adicionar 2 colheres de sopa (30ml) de água sanitária.

• Ralos externos (captam água de chuva e de limpeza) e internos;
Tratamento: adicionar 1 colher de sopa (15ml) de água sanitária.

• Tambores de armazenamento (200 litros) de água não utilizada para consumo humano;
Tratamento: adicionar 2 copos americanos (400ml) de água sanitária.

• Bromélias, bambus e plantas que possam acumular água;
Tratamento:1 colher de café (2ml) para cada litro de água e preencher nos locais onde acumulam água.

O tratamento deve ser repetido semanalmente, preferencialmente em dia fixo, de modo a garantir que a solução continue efetiva no combate às larvas. Essa é uma ação adicional e não exclui as atividades de remoção e proteção dos potenciais criadouros, que são fundamentais para o controle da dengue, febre amarela, chikungunya e Zika.

E quanto ao uso dos repelentes? Eles são eficazes? Como utilizar corretamente?

Os repelentes de uso tópico, aplicado na pele fazem parte dos cuidados contra dengue, chikungunya e Zika. A recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária ) é clara: não há qualquer impedimento para a utilização desses produtos por mulheres grávidas, desde que os repelentes estejam devidamente registrados na Agência. As recomendações de uso descritas no rótulo de cada produto devem ser seguidas à risca.

• Os produtos à base de DEET não devem ser usados em crianças menores de dois anos.

• Entre 2 anos e 12 anos, a concentração máxima do produto deve ser de 10% e a aplicação deve se restringir a três vezes por dia.

Alguns cuidados devem ser observados no uso:

• Repelentes devem ser aplicados nas áreas expostas do corpo e por cima da roupa;

• A reaplicação deve ser realizada de acordo com indicação de cada fabricante;

• Para aplicação da forma spray no rosto ou em crianças, o ideal é aplicar primeiro na mão e depois espalhar no corpo, lembrando sempre de lavar as mãos com água e sabão depois da aplicação.

• Em caso de contato com os olhos, é importante lavar imediatamente a área com água corrente.

Além do DEET, os princípios ativos mais recorrentes em repelentes no Brasil são utilizados em cosméticos: o Icaridin e o IR 3535, além de óleos essenciais, como Citronela. Embora não tenham sido encontrados estudos de segurança realizados em gestantes, estes princípios são reconhecidamente seguros para uso em produtos cosméticos conforme regulamentação do setor.

A dificuldade do controle do mosquito no Brasil é a não uniformidade do cumprimento das diretrizes do programa de controle da dengue, zika e chikungunya em todos os municípios, além da incapacidade da vigilância epidemiológica e entomológica em eliminar todos os focos (criadouros) possíveis existentes em todas as regiões de todas as cidades brasileiras. Por isso, a participação social é fundamental. É necessário que cada um faça sua parte, eliminando todos os possíveis focos de proliferação do mosquito.

Fonte: Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Ministério da Saúde, Medicina Mitos e Verdades