Incubação e transmissão do vírus da gripe e do resfriado: quanto tempo dura a doença

Incubação e transmissão do vírus da gripe e do resfriado: quanto tempo dura a doença

Qualquer pessoa pode contrair o resfriado ou a gripe. Estes tipos de infecções virais são as mais populares e comuns do mundo. O que não significa que não possa trazer complicações. Os sintomas se desenvolvem de um até três dias após a exposição ao vírus, e mesmo antes de surgirem os primeiros sintomas, o paciente já tem potencial de transmiti-lo. O infectologista Prof. Dr. Vicente Amato Neto, esclarece, neste artigo, as principais dúvidas referentes a essas duas patologias que são tão facilmente confundidas entre si.

Qual a diferença entre gripe e resfriado?
O resfriado é mais rotineiro, simples de tratar e dura entre três e cinco dias. Os sintomas se resumem a coriza, obstrução nasal, espirros, febre baixa (ou sem febre), podendo também surgir à tosse e a dor de cabeça. Apesar do incômodo, não tem potencial de causar mal-estar intenso a ponto de afastar a pessoa de suas atividades diária.

A gripe, na fase aguda, tem duração de, aproximadamente, uma semana. A doença se instala com sintomas mais fortes, provocando febre alta, dor de cabeça, no corpo, fraqueza, mal-estar e tosse produtiva (com catarro). Entretanto, a fase da convalescença pode se prolongar por até duas ou três semanas.

Cada uma dessas infecções é causada por diferentes vírus. Existem mais de 200 tipos de vírus do resfriado. Já o vírus da gripe se resume ao Influenza, sendo de três tipos (A, B e C) com vários subtipos. Em ambos os casos, são altamente contagiosos. Pessoas com queda de imunidade, imunossuprimidos, diabéticos, idosos e crianças ficam mais propensas ao contágio.

O que é a fase de convalescença?
Toda doença infecciosa tem o período de incubação do vírus, período de estado e período de convalescença.

O período de incubação refere-se ao tempo que o agente infeccioso irá demorar até ultrapassar as barreiras orgânicas, se multiplicarem, para aí sim, iniciar a manifestação dos sintomas. Neste período, normalmente, os sintomas não se fazem presentes e tem duração variável dependendo da doença. Na gripe, por exemplo, esta fase dura entre 24 a 72 horas.

O período de estado refere-se ao início da manifestação dos sintomas até a cura da doença.

Já o período de convalescença é caracterizado pelo tempo de restabelecimento total do organismo que, mesmo curado, ainda se encontra debilitado pelas alterações sofridas durante a doença.

Quais as complicações decorrentes de gripes e resfriados?

A gripe diminui a resistência do aparelho respiratório e favorece a invasão de outros micro-organismos podendo levar a infecções secundárias nos seios paranasais, nos ouvidos ou nos pulmões, por exemplo.

Quando surgem as complicações, os sintomas iniciais se intensificam e se manifestam acompanhados de bronquite e/ou sinusite (podendo ser de grau leve a grave), assim como tosse persistente com expulsão de catarro, tendo duração de várias semanas. A complicação mais grave é a pneumonia que compromete o tecido pulmonar podendo levar à morte.

Estas situações, normalmente, se manifestam em pessoas do grupo de risco citado acima, e também em cardíacos, portadores de problemas no pulmão ou naqueles que não se submetem ao tratamento adequado, que inclui repouso, ingestão abundante de líquidos e uma alimentação balanceada, além da necessidade do paciente se manter em ambiente com condições de higiene adequadas.

O tratamento da gripe é o mesmo do resfriado? Quais medicamentos posso usar?

Sim. O tratamento tanto para a gripe como para o resfriado se resume apenas em minorar os sintomas, ou seja: beber muito líquido, alimentar-se bem, evitar atividades físicas e em caso de gripe, o repouso é fundamental. A medicação não cura ou encurta o tempo da doença, e tem a função unicamente de melhorar os sintomas até o ciclo do vírus terminar.

Quanto aos antigripais, são compostos de substâncias para dor além da cafeína, que é um estimulante. Em caso de febre alta, deve-se administrar os antitérmicos.

Para dor mais persistente, no corpo ou de cabeça, os analgésicos são muito úteis.

Em caso de congestão nasal, evite abusar dos descongestionantes nasais com substâncias vasoconstritoras nas fórmulas. Embora proporcione alívio rápido diminuindo a congestão e produção de muco, se utilizado por mais de cinco dias pode promover a intoxicação da mucosa causando uma rinite medicamentosa. A lavagem com soro fisiológico é uma boa pedida apesar de menos eficiente.

Se seu nariz estiver irritado por assoar com frequência, aplique um pouco de vaselina nas narinas.

Contra a tosse, pode-se fazer uso de xaropes expectorantes que ajudam a liberar o muco. O ar úmido vai te ajudar a sentir melhor. Utilize os vaporizadores ou umidificadores no ambiente em que você permanecer por mais tempo.

O único remédio que pode “cortar” a gripe é o oseltamivir (Tamiflu®), porém só tem efeito caso seja tomado muito no início dos primeiros sinais da gripe. O Ministério da Saúde recomenda que todos os pacientes com sintomas de gripe e que façam parte do grupo vulnerável (gestantes, crianças pequenas, idosos e portadores de doenças crônicas) sejam medicados sem aguardar os resultados de exames laboratoriais ou sinais de agravamento da gripe. O antiviral é encontrado nas farmácias e também oferecido gratuitamente pelo SUS, mas há necessidade de receita médica.

O antibiótico ajuda a curar mais rápido a gripe?

Essa é uma das situações mais inadequadas que ocorrem no dia a dia. O agente causador da gripe é um vírus e antibiótico mata apenas bactérias. Tomar antibiótico para tentar curar uma gripe, além de não fazer efeito, pode trazer consequências pelo uso abusivo. Os germes vão se tornando cada vez mais resistentes e quando você realmente precisar tomar o antibiótico pode não ser mais eficiente para a cura. Além disso, existe o risco de efeitos colaterais como reações alérgicas, diarreia e doenças no sangue.

O antibiótico só surte efeito, se junto com o quadro da gripe ou resfriado ocorrer, por exemplo, dor de garganta (faringite/amigdalite) com formação de pus (que é o que evidência a existência de bactérias). Nesse caso, o antibiótico será administrado para curar a faringite/amigdalite bacteriana e não a gripe/resfriado em si. É importante esclarecer que mesmo a amigdalite também pode ser de origem viral, e da mesma forma, não deve ser administrado antibiótico para o tratamento. A conduta neste caso é o uso de anti-inflamatórios e pastilhas para alívio da dor.

Prevenção

A vacina é o mais indicado. Porém é preciso lembrar que existem vários tipos de vírus da gripe, que se manifestam em épocas diferentes. Com o passar dos meses o vírus sofre uma alteração, mas ele precisa de tempo pra isso acontecer. Uma dose da vacina protege durante um ano somente contra aquele vírus específico, tendo eficácia sobre 70 a 90 % das pessoas. Os tipos que estarão contidos na vacina são definidos pela Organização Mundial da Saúde - OMS, a partir dos vírus que mais circularam no ano anterior. No outono e no inverno aumenta o número de casos de gripe por isso é aconselhável que a vacinação ocorra antes deste período. Tomar a vacina todos os anos também diminui as chances de complicações e morte. Mas atenção: a vacina não é indicada para bebês com menos de seis meses e pessoas alérgicas a proteína do ovo.

Quanto tempo após tomar a vacina eu me torno realmente imunizado contra a gripe?

Segundo o Ministério da Saúde, em adultos saudáveis, a detecção de anticorpos protetores se dá entre 2 a 3 semanas após a vacinação, e apresenta, geralmente, duração de 6 a 12 meses. O pico máximo de anticorpos ocorre cerca de 4 a 6 semanas após a vacinação.

Outras medidas preventivas:

1. Lave as mãos, nariz e boca após contato com qualquer superfície.

2. Evite compartilhar objetos pessoais, assim como copos, talheres, guardanapos etc.

3. Em ambientes com pessoas gripadas utilize máscaras descartáveis. Elas devem cobrir a boca e o nariz. Substitua a máscara a cada 3 horas de uso.

Evite disseminar os vírus

1. Antes de tossir ou espirrar, proteja a boca com lenços descartáveis e lave as mãos. Não use lenço de pano.

2. Mantenha o ambiente arejado e se possível com luz solar que ajuda a eliminar os prováveis agentes das infecções respiratórias.

3. Se você precisar sair de casa, utilize as máscaras descartáveis para evitar contaminar as pessoas.

Procure sempre orientação médica. Algumas doenças são parecidas com gripe. Portanto, se persistirem os sintomas por mais de uma semana, busque orientação médica, principalmente se você estiver grávida. O citomegalovírus e a toxoplasmose, por exemplo, se manifestam com sintomas semelhantes aos da gripe e pode provocar malformação no feto. Nesse sentido, é importante a ajuda do médico para diagnosticar a doença. Os medicamentos a serem utilizados para controlar os sintomas da gripe na gravidez devem sempre ter orientação médica. A automedicação pode causar sérios danos ao feto. Leia o artigo completo: As doenças contraídas na gestação que causam problemas ao feto

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