Doenças que causam chiado no peito (sibilo)

Doenças que causam chiado no peito (sibilo)

O que é sibilo? Pode ser considerado chiado no peito?
Sibilo é um ruído pulmonar anormal percebido pelo médico durante a ausculta pelo estetoscópio. É um método de diagnóstico importante e barato pois permite a primeira análise das doenças relacionadas as estruturas pulmonares. Popularmente, significa o famoso “chiado no peito”.

Além do nome científico ser complicado, tanto os pacientes como os pais de crianças têm dificuldades em descrever com precisão a sibilância na consulta médica. Normalmente, dizem que é uma “ronqueira” (originárias das vias aéreas superiores) ou “peito cheio” (relacionado geralmente à tosse produtiva). Por isso é indispensável que o médico estabeleça a origem do som, por meio da ausculta pulmonar.

Quais as diferenças e tipos de chiado no peito?

Os sons pulmonares anormais (ruídos adventícios) podem ser classificados em sibilos, crepitações e roncos. Também são caracterizados por ser contínuo ou descontínuo.

Os sibilos são ruídos contínuos e musicais, diferente das crepitações, que são ruídos descontínuos. Acompanhe a explicação detalhada abaixo:

Sons Contínuos

O termo contínuo não significa que o som seja contínuo durante todo o ciclo respiratório, mas que o som dura 950 milissegundos ou mais dentro do ciclo. Essa distinção é realizada somente pela análise do registro da onda sonora em relação ao tempo. Esses sons apresentam caráter musical.

Os sons contínuos são os roncos e os sibilos:

• Sibilos são mais agudos, semelhantes a um assobio ou chiado.

• Roncos: são mais graves, semelhantes ao roncar ou ressonar das pessoas.

Para definição do diagnóstico o médico analisa outras características do som contínuo:

• Podem ser intensos e obscurecer os sons normais da respiração,

• Podem ocorrer na inspiração e/ou na expiração,

• Ser localizados ou difusos,

• Ser encontrados em pequena ou grande quantidade.

Os roncos e os sibilos têm o mesmo mecanismo fisiopatológico; são produzidos quando as vias aéreas estão estreitadas quase ao ponto de fechar-se, e suas paredes vibram com a passagem do ar.

O aparecimento dos sons contínuos, como roncos ou sibilos, depende da velocidade do ar. Quanto maior a velocidade aérea, maior será o número de vibrações produzidas e mais agudo será o som.

As características sonoras desses ruídos não dependem do comprimento e do calibre original da via aérea, nem do mecanismo básico pelo qual ele foi estreitado. Em consequência, não deve ser feita associação entre a presença de ronco ou sibilo e o tamanho da via aérea comprometida.

Os sons contínuos são mais facilmente transmitidos pelas vias aéreas do que por meio do pulmão e da caixa torácica, sobretudo os sons mais agudos (sibilos), e, portanto, são mais audíveis no nível da boca do que sobre o gradeado costal.

Roncos e sibilos generalizados geralmente ocorrem quando há estreitamento das vias aéreas. As causas mais frequentes são:

• Broncoespasmo,

• Edema de mucosa,

• Grande quantidade de secreção ou compressão dinâmica das vias aéreas, observada durante a manobra de expiração forçada. Se os roncos e sibilos são ocasionados somente por secreção nas vias aéreas, geralmente ocorre alteração de sua intensidade após tosse e expectoração.

• Quando localizados, frequentemente resultam de tumor endobrônquico, corpo estranho ou compressão extrínseca das vias aéreas.

• Para o diagnóstico de asma o médico deve auscultar o paciente imediatamente antes e cerca de 20 minutos após a administração de broncodilatadores inalatórios. O quadro de asma fica praticamente confirmado se houver melhora da sibilância nesse curto intervalo de tempo. Não ocorrendo a melhora, os possíveis diagnósticos de doenças para o chiado no peito (sibilância) são:

• Infecções respiratórias;
Bronquite;
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica;
• Aspiração de corpos estranhos;
• Malformações cardiovasculares ou digestivas;
Refluxo gastroesofágico;
Tumores (pulmão, laringe, esôfago).

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Independentemente do mecanismo de origem, roncos e sibilos tendem a ser mais intensos durante a expiração. Quando o estreitamento das vias aéreas não é muito grave, eles estão presentes somente na expiração. Isso ocorre porque, durante a inspiração, a pressão pleural torna-se mais negativa, resultando em maior calibre das vias aéreas do que durante a expiração.

Sons Descontínuos

Os sons ou ruídos respiratórios descontínuos são explosivos, de curta duração, inferiores a 20 milissegundos e, portanto, não têm qualidade musical.

São conhecidos como crepitações, que podem ser grossas ou finas:

• As crepitações finas têm menor duração, são agudas e pouco intensas.

• As crepitações grossas têm maior duração, são graves e mais intensas.

Os sons descontínuos são produzidos, provavelmente por vários mecanismos. O mecanismo mais aceito é a reabertura súbita e sucessiva das pequenas vias aéreas, durante a inspiração, com rápida equalização de pressão, causando uma série de ondas sonoras explosivas. São consideradas pequenas vias aéreas aquelas com diâmetro menor que 2mm.

As condições patológicas mais frequentemente associadas com a presença de crepitações finas são aquelas em que a complacência pulmonar está diminuída, o que facilita o fechamento das pequenas vias aéreas na expiração, como na fibrose intersticial, edema e consolidação pulmonar

Em casos de fibrose intersticial pulmonar em fase avançada, as crepitações finas podem ser audíveis durante toda a fase inspiratória, sendo mais acentuada no fim da inspiração. Nesse caso, são denominadas crepitações em velcro. Nessa condição, após as crepitações, pode-se auscultar sibilo inspiratório curto, presumivelmente causado pela passagem do ar por uma via aérea recentemente aberta, porém ainda estreitada.

Quando a via aérea se abre abruptamente, ocorre a crepitação fina; como ela ainda está estreitada, ocorre o sibilo. O fechamento de pequenas vias aéreas menos distais (que produzem crepitações grossas) ocorre principalmente em patologias com lesão estrutural da via aérea, como bronquiectasias e bronquite crônica.

As crepitações auscultadas devem ser registradas, anotando-se o tipo, a localização e a quantidade.

Ruídos respiratórios associados exclusivamente à secreção nas vias aéreas não são bem classificados; podem ser descritos como crepitações grossas ou como roncos. São variáveis, modificando-se ou desaparecendo com a tosse.

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Medicina Mitos e Verdades. Categoria de Pneumologia