Tempo entre infarto e morte: chance de vida depende de poucas horas

Tempo entre infarto e morte: chance de vida depende de poucas horas

Metade das mortes por infarto acontecem nas primeiras 3 ou 4 horas após o início dos sintomas. É fundamental o rápido atendimento, pois quanto antes for iniciado as medidas de suporte e tratamento emergencial, maiores são as chances de sobrevivência. Procure o hospital mais próximo: cada minuto faz a diferença na evolução do quadro. Neste artigo você vai saber como é feito o atendimento de emergência, as chances de sobrevida relacionada ao tempo do pronto atendimento, os sintomas que merecem atenção especial e as razões que implicam a morte por infarto.

Como é feito o atendimento de emergência no infarto?

Quando ocorre a parada cardíaca, ela só é reversível se tratada com rapidez por meio de choques elétricos aplicados no peito (desfibriladores) ou injeção de adrenalina.

Após três minutos o cérebro já começa a sofrer danos pela falta de oxigenação, e a cada minuto excedente o tipo de lesão cerebral vai se tornando cada vez mais grave.

Quando o coração para de bater, normalmente, após 10 a 15 segundos, o paciente perde a consciência. Para diferenciar se a perda de consciência é consequência de um desmaio ou uma parada cardíaca, basta ver se a pessoa está respirando. Na situação de desmaio, a respiração permanece.

Se a vítima parou de respirar, ela teve uma parada cardíaca. Inicie com urgência a massagem cardíaca e ligue para o serviço de emergência 192. Clique no link azul e leia o artigo sobre como fazer a massagem cardíaca

No infarto, o principal objetivo é desobstruir rapidamente a artéria. A escolha do método vai depender das condições clínicas do paciente (existência de doenças prévias), da gravidade do infarto e dos equipamentos existentes no hospital. O tratamento mais eficaz para o desentupimento da artéria é cateterismo cardíaco com a angioplastia imediata. Porém, dependendo da localização da artéria e o grau de calcificação, pode não ser possível utilizar este método.

No cateterismo é utilizado um cateter (espécie de canudo bem fino) para localizar a artéria obstruída, e injeta-se através desse tubo uma substância à base de iodo (contraste) para melhor visualização do bombeamento cardíaco e dos pontos de entupimento.

Um balão extensor é acoplado neste cateter para dilatar a artéria afetada, comprimindo a placa de gordura e deslocando parcialmente as camadas internas da parede arterial. Das artérias obstruídas que o cateter consegue atingir, 80% a 90% são desobstruídas com sucesso. A este procedimento dá-se o nome de angioplastia.

Para manter a artéria desobstruída após a angioplastia, o cirurgião pode introduzir um stent na artéria. Stent é um dispositivo produzido com fio metálico e revestido com substâncias que visam impedir que a artéria volte a se fechar.

Outra forma de tratamento para desobstruir as artérias é por meio da terapia trombolítica. Neste método, injeta-se na veia do paciente infartado, medicamentos como a estreptoquinase e o ativador de plasminogênico tecidual para dissolver os coágulos.

Porém, para o sucesso do tratamento, é preciso que o procedimento seja realizado em um período máximo de até 6 horas após o início dos sintomas do infarto. Por isso a necessidade de procurar assistência médica o mais rápido possível. O tratamento precoce dissolve o coágulo em 60% a 80% dos casos. Após 6 horas, algumas lesões (área infartada) tornam-se permanentes e a remoção da obstrução pode não ser eficaz.

O tratamento trombolítico não pode ser feito em todos os pacientes, pois pode provocar sangramentos e tem contra indicação em pessoas com pressão alta, AVC (acidente vascular cerebral), com úlceras não curadas ou que passaram por cirurgias recentemente.

Por que o infarto mata? É possível sobreviver ao infarto?

O termo infarto significa a interrupção de irrigação sanguínea para um órgão. No caso do infarto no coração, a interrupção ocorre em uma das artérias coronárias provocando a redução ou paralisação do fluxo sanguíneo em determinada área do coração. O mesmo ocorre no caso de um infarto pulmonar, por exemplo, e neste caso, a interrupção do fluxo sanguíneo é no tecido pulmonar (clique aqui - infarto pulmonar - para ler mais sobre esse assunto).

Agora que você entendeu o que significa a palavra infarto vamos focar no infarto do miocárdio (coração). Quando ocorre a diminuição ou paralisação do fluxo sanguíneo no coração, as células cardíacas não são irrigadas pelo sangue e, consequentemente, tem sua função reduzida devido à falta de oxigênio e nutrientes que deixam de receber. Desta forma, essas células morrem. Dependendo da quantidade de células acometidas, a função do músculo cardíaco é alterada provocando desde arritmias (muitas vezes fatais), até a contração e paralisação do músculo do coração (morte).

O termo infarto agudo do miocárdio é usado quando a interrupção da irrigação sanguínea se dá de forma abrupta. Sempre que for possível realizar a desobstrução da artéria coronária em tempo hábil, o tecido cardíaco pode ser salvo e o paciente sobrevive.

Outra causa da morte cardíaca inesperada são por arritmias originadas nos ventrículos (fibrilação arterial), provocando a perda da função de bombeamento do músculo cardíaco. As arritmias podem atingir qualquer pessoas, desde recém-nascidos, esportistas, jovens saudáveis, mas costuma ser mais frequente em pacientes com doenças no músculo cardíaco ou portadores de doenças hereditárias do sistema elétrico, além dos idosos. Para ler mais sobre tipos de arritmias, clique na palavra em azul. Para ler arritmia na infância clique aqui.

Quem tem mais chance de sobreviver ao infarto: o jovem ou idoso?

Este é um tema controverso. Ao considerar que a principal causa do infarto é a aterosclerose (entupimento das artérias por placas de gordura) pode-se concluir que o infarto ocorre com mais frequência no idoso, pois até esta placa adquirir um tamanho expressivo demora vários anos. Além disso, só pelo fato do paciente ser um idoso, já é uma forte razão para elevar o risco, devido a maior probabilidade de existência de outras doenças, o que o torna mais vulnerável. Porém, o paciente idoso é favorecido pela existência da circulação colateral, que o jovem não tem.

Circulação colateral é um mecanismo natural de defesa do corpo contra os ateromas (placas de gordura): ao longo da vida, pequenos vasos sanguíneos crescem ao redor dos grandes, desenvolvendo canais de escoamento. Desta forma, o paciente idoso têm fluxos opcionais para o desvio do sangue em caso de entupimento e obstrução de artérias. Nos pacientes jovens, esta circulação colateral ainda não se desenvolveu, e dependendo da extensão e da artéria atingida, o infarto pode ter maior gravidade, apesar de habitualmente o jovem ter melhor capacidade de recuperação.

Normalmente, a obstrução das artérias no paciente jovem, deve-se a presença de uma Lipoproteina A positiva que favorece a aterosclerose precoce e o infarto. O uso de drogas também é mais comum entre jovens o que predispõe o infarto por espasmo coronariano. Os antecedentes familiares de doenças nas coronárias é outro fator de risco para o infarto precoce.

De acordo com as estatísticas, dos pacientes enfartado que conseguem chegar ao hospital, apenas 4% dos jovens morrem, contra 21% de óbitos dos idosos. Mesmo que o paciente mais jovem tenha aterosclerose, a lesões na coronária são menos complexas, e com menos vasos comprometidos.

Os jovens também apresentam maior taxa de sobrevida (84%), contra 75% dos idosos.

Para quem não quer correr o risco de morrer por infarto e prefere conquistar uma maior sobrevida, basta ter a consciência da importância do diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento. A avaliação cardiológica é fundamental para prevenir o infarto. A doença cardíaca é uma doença traiçoeira, já que nem todos os pacientes apresentam sintomas. O cardiologista Prof. Dr. Bernardino Tranchesi faz aqui, um alerta: “tanto os pacientes diabéticos como os idosos, são mais propensos a não apresentar os sintomas do infarto. Nos idosos, deve-se a resposta diminuída dos neurotransmissores (natural do processo de envelhecimento), fazendo a dor passar desapercebida.”

Quais exames são feitos para diagnosticar o infarto? Os exames de sangue conseguem confirmar o infarto?

O eletrocardiograma e alguns exames laboratoriais conseguem identificar a existência do infarto (leia também: Os exames que detectam problemas cardíacos)

Os exames de sangue mais utilizados são a CK-MB e a troponina. Isso é possível porque algumas proteínas e enzimas só existem dentro das células do músculo cardíaco. Na ocorrência do infarto, esta célula sofre necrose (morre) e se rompe, sendo liberada na circulação sanguínea. Desta forma o exame de sangue consegue detectar o infarto pela existência dessas substâncias no sangue do paciente.

A proteína C reativa é um exame que indica inflamação. Quanto mais inflamação houver no corpo devido a aterosclerose, maior será a taxa desta proteína no sangue e maior o risco de infarto. Quem tem proteína C elevada tem risco 4 vezes maior de sofrer um infarto. Este exame é um bom marcador da inflamação e aterosclerose.

Como a aspirina protege o coração?

A aspirina ajuda a diminuir os riscos de morte por infarto pois tem a função inibidora de plaquetas. As plaquetas são fragmentos celulares que circulam no sangue e formam coágulos diante de lesões. Caso essas plaquetas se acumulem nas placas de gordura das paredes das artérias, podem formar coágulos (trombose) e estreitar ou obstruir a artéria.

A aspirina tem o poder de unir-se a essas plaquetas impedindo que elas se acumulem na parede da artéria. Por isso é considerada um anti-agregante plaquetário importante para a prevenção do infarto.

Qual o principal sintoma do infarto?

Apesar de quase sempre presente, nem sempre a dor no peito é o principal sintoma do infarto. A dor no peito não é relatada em 40% dos casos de infarto em mulheres o que mostra que os sintomas do infarto no homem e na mulher pode se apresentar de formas diferentes.

• Se você for mulher clique na palavra azul para ler os sintomas do infarto na mulher

• Se você for homem, clique e leia os sintomas do infarto no homem

Leia também: Infarto durante ou após exercícios físicos

Medicina Mitos e Verdades. Categoria: Cardiologia. Prof. Dr. Bernardino Tranchesi Jr. Com a colaboração dos mais bem conceituados médicos do Brasil.