Problemas de ereção, o que fazer?

Problemas de ereção, o que fazer?

Por que alguns homens, apesar de excitados, não conseguem ter ereção total do pênis?
Para responder esta questão é preciso entender o que caracteriza a disfunção erétil. A falha na ereção ou problemas em manter a rigidez do pênis ocorrendo esporadicamente ou por curto período de tempo, não deve ser considerada como uma disfunção erétil. A disfunção erétil é a incapacidade constante de obter uma ereção e conseguir mantê-la, de forma a permitir uma atividade sexual satisfatória. O problema na ereção deve ocorrer mais de 4 vezes consecutivas para ser caracterizado a disfunção erétil. Ainda assim, deve-se verificar as causas que podem ser desde orgânicas até psicológicas, e o grau de gravidade classificado em cinco grupos: distúrbio erétil ocasional, leve, leve a moderado, moderado, grave.

Já as disfunções sexuais são alteração que ocorrem em qualquer fase do ato sexual: desejo (libido), ereção e orgasmo (ejaculação precoce, tardia ou anorgasmia, que é a incapacidade de atingir o orgasmo) Leia: distúrbio da libido em homens. Neste artigo vamos abordar a disfunção erétil.

A ereção peniana depende de uma ação conjunta e coordenada de diversas áreas do organismo. Assim, é necessária:

1) a integridade do tecido erétil do pênis, que corresponde aos corpos cavernosos (dois cilindros que, no estado de ereção, se enchem de sangue sob alta pressão e que no pênis flácido têm o sangue circulando sob baixa pressão) - veja a imagem acima,

2) bem como dos vasos sanguíneos que levarão o sangue dos nervos que atuam no processo de ereção,

3) dos hormônios testosterona, prolactina, hormônios hipofisários e tireoidianos,

4) e do comando cerebral, o qual coordena a transmissão de estímulos de todo o sistema.

Dessa forma, mesmo que o homem sinta desejo sexual, a ereção pode falhar, total ou parcialmente, por um defeito em qualquer dos sistemas relacionados acima. Além disso, como já dissemos, fatores orgânicos, psicológicos ou uma combinação de todos os fatores podem interferir de forma significativa no desempenho sexual do homem.

Distúrbios de ereção sem causa aparente pode ser um sinalizador de problema circulatório?

Sim, a disfunção erétil sem causa definida pode ser um indício da existência de doença cardíaca. A artéria que vai para o pênis é mais fina do que a artéria aorta, mas se a aorta estiver entupida, o sangue chega em menor quantidade no órgão e já pode indicar que há lesões cardíacas não detectadas.

Qualquer obstrução arterial crônica ou traumática que leva à diminuição do aporte sanguíneo pode reduzir a qualidade da ereção.

Um estudo da American Heart Association feito com 1519 pacientes em 13 países revelou que existe relação entre a ereção deficiente e a aterosclerose Leia: colesterol alto. É importante dar atenção a esse quadro e investigar as causas. A pesquisa mostrou também que homens com disfunção erétil têm cerca de duas vezes mais chances de ter um ataque cardíaco.

Quais as outras causas e os fatores de risco para a impotência sexual?

Pesquisas indicam que a principal explicação para os distúrbios de ereção é a redução de óxido nítrico no organismo. Trata-se de um importante neurotransmissor que dentre suas funções tem propriedades vasodilatadoras relaxando os vasos sanguíneos e aumentando o fluxo de sangue. Muitas patologias e condições afetam o óxido nítrico e todo homem com doenças sistêmicas (que atinge todo o organismo) relacionadas a causas vasculares, endócrinas e neurológicas apresentam maior incidência de alterações sexuais. Veja abaixo:

Causas vasculares: a ereção depende diretamente do fluxo de sangue para o pênis, portanto as alterações que dificultam a circulação adequada para essa região podem causar disfunção erétil. As causas vasculares são as que mais refletem na ereção (totalizando 68, 3% dos casos) já que também diminui a quantidade de óxido nítrico circulante. Entre as doenças estão hipertensão arterial, aterosclerose e doenças coronarianas. A associação de qualquer dessas patologias com outra considerada fator risco, como o diabetes por exemplo, piora o quadro da disfunção erétil.

Causas metabólicas: diabetes, síndrome metabólica e disfunção de hormônios sexuais masculinos.

Entre 35% e 75% dos diabéticos apresentam problemas de ereção. A exposição prolongada à glicose pode inativar a vasodilatação necessária para o processo de ereção.

Já a obesidade está associada a aumento dos níveis de peptídeo C, glicose e insulina, desempenhando um efeito negativo sobre os níveis de testosterona. A testosterona e seus metabólicos aumentam os níveis de óxido nítrico no tecido cavernoso importante para vasodilatação e ereção. Com este hormônio em queda, a ereção fica prejudicada.

Além da testosterona, outros hormônios modulam a ereção peniana. Patologias como hipogonadismo, hiperprolactinemia e distúrbios no perfil hormonal tireoidiano podem interferir negativamente na ereção (hipofisiário, prolactina e tireoidianos).

A Hiperplasia Benigna da Próstata também provoca uma síndrome metabólica e o desenvolvimento aterosclerótico dos vasos penianos, que leva a diminuição do óxido nitrato, favorecendo a disfunção erétil e o crescimento da próstata. Leia Hiperplasia Benigna da Próstata

Causas neurológica: correspondem entre 10 a 19% dos casos. Qualquer doença ou distúrbio que afete o cérebro, a medula ou a inervação periférica do pênis pode induzir a disfunção erétil. Entre as doenças, podemos citar a doença de Parkinson, as doenças desmielinizantes, as demências e algumas lesões na medula.

Uso de alguns medicamentos: efeitos colaterais de medicações podem causar desde distúrbios de libido, disfunções ejaculatórias e disfunção erétil, sendo este último relacionado principalmente a medicações que atuam no sistema nervoso central, como ansiolíticos, antipsicóticos e antidepressivos. Alguns anti-hipertensivos (principalmente diuréticos e beta-bloqueadores), drogas de ação antiandrogênica e medicamentos antiparkinsonianos também podem piorar a qualidade da ereção. Nesta categoria inclui também as drogas, o álcool e o cigarro.

Além disso, os fatores emocionais como o estresse, a depressão e a ansiedade também são frequentemente causadores de distúrbios de ereção peniana.

Causas anatômicas ou estruturais: pessoas que desde o nascimento ou mesmo por doenças adquiridas tenham alterações na anatomia peniana podem apresentar problemas na ereção e nas relações sexuais. Temos como exemplo a doença de Peyronie, uma condição vista mais comumente após a meia idade na qual ocorre a formação de uma placa de tecido endurecido ao longo dos tubos interiores do pênis, o que gera uma curvatura anormal e dificulta a ereção.

Causas cirúrgicas: pacientes que se submeteram a prostatectomia radical tem duas vezes mais chances de desenvolver distúrbios da ereção peniana do que aqueles que fizeram tratamento com radioterapia. Cirurgias na próstata podem causar complicações resultando em distúrbios de ereção. Leia: Complicações após cirurgia na próstata

A idade tem relação com problemas de ereção?

Falha na ereção afeta principalmente os homens na terceira idade embora possa ocorrer a qualquer momento após o início da atividade sexual. Em contrapartida, apesar do aumento do problema com a idade mais elevada, não é considerada uma consequência inevitável do envelhecimento. Estudos que relacionam a incidência com a faixa etária indicam distúrbios de ereção em cerca de 20% dos homens aos 20 anos, 40% aos 40 anos e 60% aos 60 anos. Leia Causas da Impotência

Como tratar a impotência sexual?

Dependem das causas e do grau de gravidade. Em todas as situações, a mudança do estilo de vida (não fumar, evitar ingerir bebidas alcoólicas, praticar atividade física, alimentar-se de forma saudável) são imprescindíveis.

O tratamento pode ser dividido em não farmacológico (aconselhamento psicológico ou psiquiátrico), farmacológico (medicamentos que induzem a ereção) e/ou cirúrgico.

Para as pessoas que apresentam problemas psicológicos, a psicoterapia associada ou não a medicações para depressão é recomendada, devendo ser acompanhada por um psicólogo ou psiquiatra.

Existem diversos medicamentos disponíveis que induzem a ereção ao facilitar o fluxo sanguíneo para o interior do pênis, podendo estes ser administrados diariamente, sob demanda antes das relações sexuais ou mesmo serem administrados pelo paciente por uma injeção direta no pênis. Lembrando sempre que os mesmos devem ser utilizados somente sob supervisão médica e necessitam de estimulação sexual para obter resultado.

Em casos específicos ou mesmo refratários a terapia medicamentosa, as opções cirúrgicas de próteses penianas podem ser uma opção, com resultados satisfatórios, melhorando muito a qualidade de vida do homem. É possível escolher entre próteses maleáveis (semirrígidas), articuláveis ou infláveis.

Como agem os medicamentos para melhorar a ereção?

Estes tipos de medicamentos aumentam o fluxo sanguíneo para o pênis permitindo uma ereção firme e duradoura para a penetração. Entretanto é necessária a estimulação sexual para surtir efeito.

A principal preocupação em relação a efeitos colaterais é o impacto sobre o sistema cardiovascular. Os inibidores da fosfodiesterase 5 quando ingeridos sem acompanhamento médico pode causar o infarto em pacientes cardíacos. Interações medicamentosas também são arriscadas e deve existir cautela em pessoas que tomam medicamentos à base de nitrato. Nitrato é incompatível com os inibidores da fosfodiesterase 5. Foi observado também perda auditiva em pacientes que fazem uso dos inibidores da fosfodiesterase 5.

O médico deverá avaliar o paciente antes de prescrever o medicamento mais apropriado, levando em consideração os possíveis efeitos colaterais e relação dos riscos e benefícios que são parâmetros individuais. Não tome medicamentos por conta própria. A automedicação pode colocar sua vida em risco.

Os medicamentos disponíveis no Brasil:

1) Sildenafil (Viagra): dosagens 25, 50 e 100mg;

Duração dos efeitos: até 5 horas
Tempo até os efeitos surgirem: até 1 hora
Efeitos colaterais comuns: dor de cabeça, congestão nasal, rubor facial
Desvantagens: absorção reduzida se ingerido junto com alimentos gordurosos.

2) Vardenafil (Levitra): dosagens 5, 10 e 20mg;

Duração dos efeitos: até 5 horas
Tempo até os efeitos surgirem: até 30 minutos
Efeitos colaterais comuns: dor de cabeça, congestão nasal
Desvantagens: pode causar tontura e náuseas

3) Tadalafil (Cialis): doses de 10 e 20mg (Cialis existe na versão uso diário- 2, 5 e 5mg)

Duração dos efeitos: até 36 horas
Tempo até os efeitos surgirem: até 1 hora
Efeitos colaterais comuns: dor de cabeça, nas costas e muscular
Desvantagens: por ter longa duração, aumenta a duração dos efeitos colaterais e riscos de interação medicamentosa

4) Lodenafil (Helleva): dosagem 80mg.

Duração dos efeitos: até 6 horas
Tempo até os efeitos surgirem: até 40 minutos
Efeitos colaterais comuns: dor de cabeça, rubor e congestão nasal
Vantagem: não altera a pressão arterial e nem a frequência cardíaca

5) Avanafil (Spedra): dose 50, 100, 200mg.

Duração dos efeitos: até 6 horas
Tempo até os efeitos surgirem: até 15 minutos
Efeitos colaterais comuns: dor de cabeça. congestão nasal e rubor facial
Desvantagens: o paciente pode sentir tontura

Todos esses medicamentos podem causar dor de cabeça, congestão nasal e rubor facial. Alguns não podem ser consumidos com álcool. A escolha vai depender das condições clínicas do paciente, da frequência das relações e da experiência pessoal com cada um desses medicamentos. A medicação deve ser administrada pelo menos quatro vezes até ser considerada possível falha terapêutica e necessidade de substituição por outro inibidor da fosfodiesterase 5.

Nenhum remédio surte efeito e continuo com problema de ereção. O que fazer?

O médico deve avaliar junto com o paciente se o medicamento está sendo usado corretamente, na dose e tempo compatíveis e a existência da estimulação sexual adequada. Ainda é importante lembrar que a ingestão de alimentos gordurosos ou de bebidas alcoólicas podem afetar os efeitos deste tipo de medicamento. Existem várias estratégias para melhorar a eficácia do tratamento com inibidores da fosfodiesterase 5 . Elas incluem modificação dos fatores de risco, tratamento do hipogonadismo, troca por outro inibidores da fosfodiesterase 5 ou os de uso contínuo.

Pessoas com contraindicação para medicamentos de disfunção erétil:

1) Pacientes em tratamento com medicamentos que contenham qualquer forma doadora de óxido nítrico, nitratos orgânicos ou nitritos orgânicos;

2) Homens para os quais a relação sexual não é recomendável devido aos fatores de risco cardiovascular;

3) Insuficiência hepática severa (função do fígado diminuída);

4) Pacientes com insuficiência renal severa;

5) Quem sofre de hipotensão (baixa pressão sanguínea);

6) Homens que sofreram um AVC recentemente ou ataque cardíaco.

Todo médico antes de indicar um remédio para disfunção erétil analisa os possíveis efeitos colaterais, a taxa de sucesso de acordo com o perfil do homem e os critérios de exclusão para determinados pacientes. Portanto, não faça uso indiscriminado deste tipo de medicamento.