Nervoso e estresse é fator de risco para a cirurgia

Nervoso e estresse é fator de risco para a cirurgia

Estado emocional do paciente pode interferir na cirurgia ou na anestesia?
A ansiedade ou o estresse psicológico desencadeia reações neuroendócrinas e metabólicas que interferem em diversos mecanismos de defesa do organismo, inclusive a imunidade. Pessoas submetidas a estresse intenso possuem tendência ao aumento da pressão arterial, elevação da frequência cardíaca (sobrecarga cardiovascular), retardo do processo de digestão e até menor resistência às infecções. Dentro do processo cirúrgico esta situação se agrava, já que a própria cirurgia em si representa um estresse físico ao corpo devido as agressões e alterações das funções dos órgãos relativas ao procedimento cirúrgico.

Caso o paciente esteja muito ansioso e nervoso, as reações decorrentes do trauma cirúrgico, potencializa de forma negativa. Nestas situações é de fundamental importância a prescrição de medicações pré-anestésicas no dia que antecede a cirurgia para reduzir a apreensão e o estresse emocional com a finalidade de evitar complicações, principalmente em pacientes do grupo de risco (leia o artigo: O que é o pré-anestésico e para que serve).

Além de eliminar a percepção e os estímulos de dor, a função dos anestésicos durante a cirurgia é de promover o relaxamento muscular e a diminuição dos reflexos decorrentes das respostas locais e a distância, consequente da estimulação cirúrgica. Porém, mesmo na anestesia geral, a ausência de sensibilidade não significa que todos os estímulos desencadeados durante a estimulação cirúrgica são totalmente bloqueados. Os estímulos vão chegando ao sistema nervoso central e, apesar de não serem interpretados como reflexos dolorosos, continua provocando respostas locais e a distância, como por exemplo, o aumento da frequência cardíaca ou a hiperatividade de uma série de hormônios.

As respostas locais retratam a contração muscular e vasoconstrição, no sentido de diminuir o sangramento na região afetada se, eventualmente, o trauma for acompanhado de hemorragia;

Já as respostas à distâncias são caracterizadas pelo aumento da pressão arterial, da frequência e amplitude da respiração, e uma série de respostas endócrinas. Várias glândulas são ativadas no sentido de reagir contra a agressão do ato cirúrgico sendo que as consequências metabólicas podem ser expressivas. Há um aumento da quantidade de glicose na circulação a fim de fornecer mais energia organismo “agredido”. Ocorre também retenção de líquidos no organismo, no sentido de protegê-lo contra desidratação.

No primeiro momento, as respostas locais e a distância desencadeadas pela intervenção cirúrgica, visam defender o organismo. Entretanto, se forem mantidas por muito tempo, acabam trazendo graves consequências ao corpo. No paciente em estado de estresse intenso pode ocorrer um desequilíbrio entre o sistema imunológico (defesa), sistema nervoso (controle) e sistema endócrino (hormonal) levando a uma série de sintomas.

São complicações a se evitar no decurso de intervenções anestésico cirúrgicas: hipotensão ou hipertensão arterial, taquicardia, bradicardia (batimentos cardíacos acima de 100 ou abaixo de 60/minuto), ou outras arritmias cardíacas, obstrução das vias aéreas, alteração da ventilação pulmonar ou da oxigenação, náuseas, vômitos, regurgitação, aspiração do conteúdo gástrico, hemorragia, febre ou hipotermia, reações alérgicas e outras. Os anestésicos e as técnicas de anestesia são dirigidas no sentido de abolir e controlar essas respostas, para evitar complicações.

Nos pacientes do grupo de risco, como os diabéticos, por exemplo, precisa ter um controle da glicemia no pré-operatório, para que ele não desenvolva uma glicemia baixa nem uma hiperglicemia, durante ou depois da operação. A hiperglicemia durante a cirurgia, apesar de ser uma alteração endócrino-metabólica comum durante o ato cirúrgico é uma condição prejudicial que causa diversas alterações orgânicas danosas ao corpo, tais como: aumento da resposta inflamatória, mais chance de infecções além do desequilíbrio de outros órgãos e sistemas do corpo. O aumento do metabolismo também pode ser mal tolerado em idosos e em pacientes com limitações graves de saúde, como os que possuem doenças cardiovasculares ou pulmonares.

Hoje em dia, com o avanço da medicina, não se justifica mais o sentimento de apreensão e ameaça do ato cirúrgico, que representa mais uma percepção hipervalorizada pelo paciente, que a própria “ameaça” em si.

Em anestesia, há diversas técnicas para prover analgesia (eliminar a percepção dolorosa), induzir o sono, controlar os reflexos e proporcionar relaxamento muscular. Mais importante que a escolha da técnica anestésica é o controle das funções orgânicas antes, durante e depois da anestesia. Portanto, se a tranquilidade e a colaboração do paciente são essenciais para o sucesso da cirurgia, elas também são de valiosa ajuda para a recuperação pós-operatória. Acredite, relaxe e boa sorte.

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