A ligadura de trompas traz consequências sexuais ou orgânicas à mulher?
Absolutamente nenhuma. A síndrome da mulher laqueada é um mito e a imensa maioria das mulheres passa bem após a cirurgia. A crença de que a mulher engorda depois que faz laqueadura é uma associação com a castração nos animais, quando se retiram os ovários. Laqueadura de trompas não traz consequência alguma. Nem sexual, nem orgânica.

Ocorre o contrário. Segundo estatísticas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, 80% das mulheres que se submeteram a laqueadura permaneceram com o mesmo prazer sexual, enquanto as 20% restantes relataram um desempenho mais positivo no ato sexual. Isso deve-se a maior segurança e liberdade quanto ao fato de não existir mais o risco de gravidez.

O grande problema com a laqueadura é o arrependimento, que ocorre em cerca de 10% das mulheres. Normalmente são mulheres laqueadas antes dos 30 anos, que se separaram posteriormente do parceiro e iniciaram um novo relacionamento. Outro grupo que faz parte deste percentual são casais que sofreram a perda de um filho. Antes de realizar uma laqueadura, o médico deve discutir o assunto com a paciente e verificar se ela realmente está decidida a não mais ter filhos. Vale lembrar que, apesar de caro, uma nova gravidez pode ser planejada pelo método de fertilização in vitro.

Por que a menstruação se torna mais intensa após a laqueadura?
Há uma dúvida nessa questão no que se refere à síndrome pós-laqueadura, por alteração na irrigação do ovário, causada por lesão da vascularização na região onde foi feita a laqueadura. Explica-se: as artérias e veias que nutrem o ovário são anatomicamente próximas às artérias e veias que irrigam a trompa. Por essa razão, ao se fazer a laqueadura de trompas poderia ocorrer acidentalmente uma interferência no fluxo de sangue que segue para os ovários perturbando-lhes a função. Neste caso, ficaria caracterizada também uma disfunção do ovário (alteração de função endócrina do ovário). Entretanto, isso é matéria de discussão.

Por outro lado, alguns estudos demonstram que as alterações do fluxo menstrual pós- laqueadura ocorreram em mulheres que se submeteram a laqueadura antes dos 30 anos e que já tinham, anteriormente, um ciclo menstrual irregular (alteração do fluxo, período de intervalo e cólicas). Ou seja, não existiu o risco aumentado de anormalidades no padrão menstrual já que este já existia antes do procedimento cirúrgico, apesar de ocorrer mais alterações do ciclo menstrual. Portanto, nesta faixa etária é importante a paciente estar ciente dessas eventuais complicações. 

Conteúdo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). Capítulo de Ginecologia. Médico responsável Prof. Dr. Thomaz Gollop. Proibida reprodução sem citar a fonte com link da matéria original. Leia também matérias relacionadas:
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