Você sabia que o leite materno sofre alterações com o tempo?

Você sabia que o leite materno sofre alterações com o tempo?

Qual a composição e ingredientes existentes no leite materno?
O leite materno possui misturas altamente complexas e basicamente é composto por proteínas, carboidratos, gordura em suspensão, além de vitaminas, minerais e fatores imunológicos e imunoprotetores. Existe uma variação na composição de acordo com o estágio de lactação classificadas como: precoce, colostro, leite de transição e leite maduro .

O que é significa a classificação precoce no estágio de lactação?
A formação da secreção láctea responsável pela produção do leite juntamente com a ação dos hormônios (chamada de lactogênese) tem início durante o segundo trimestre da gestação. Neste período, os hormônios estrogênio e progesterona, preparam a glândula mamária para produzir o leite. Esta fase é chamada de precoce. Após o nascimento, com a saída da placenta do útero, entra em ação a prolactina que é o hormônio responsável pela produção do leite. Antes, porém, sua ação é inibida devido aos outros hormônios e da existência da placenta dentro do corpo. A prolactina age nas células lobulares estimulando-as a produzirem o leite e nesses primeiros dias após o nascimento, o leite apresenta-se mais espesso e com aparência, que é o que chamamos de colostro.

Qual a diferença do leite materno e do colostro? Quanto tempo dura a fase do leite chamado colostro?
O colostro é secretado nos primeiros cinco dias após o parto, e sua composição além de ser diferente do leite humano maduro (expelido, em média, após o 15º dia), contém maior quantidade de fatores imunológicos. A proporção de lipídios, carboidratos e proteínas também se diferenciam, conforme explicamos no início do artigo. Veja a composição do colostro:

• Valor energético: 58 kcal/ml

• Lipídios: 2, 9 g/ml

• Carboidratos: 6, 6 g/ml

• Proteínas: 2, 3 g/ml

Se compararmos com o leite maduro (que explicaremos a seguir), possui menor concentração de lipídeos (gorduras) e carboidratos e maior concentração de proteínas. O conteúdo de compostos minerais também é alto, sendo mais rico em potássio, cloretos, sódio e zinco do que o leite maduro. A natureza é sabia e entre a fase do colostro e o leite maduro, o corpo da mulher produz o leite de transição, que tem a função de promover as modificações do leite de forma gradual e progressiva. O leite de transição é produzido entre o 5º e 15º dia após o parto, quando a partir deste momento inicia-se a fase do leite chamado maduro.

Qual a composição do leite chamado maduro? Ele é o leite materno definitivo?
O leite maduro é o leite que acompanhará o bebê durante toda a fase da amamentação e tem em média 70 kcal/ml. Assim como a composição, a produção também varia com o passar do tempo:

• Nos 6 primeiros meses possui um volume entre 700 a 900 ml/dia.

• No segundo semestre este volume cai para 600 ml/dia existindo pequena variação até o segundo ano de vida (550 ml/dia).

O leite maduro oferece todos os aminoácidos essenciais ao ser humano, apresentando mais proteínas nutritivas que o colostro, especialmente a caseína e as proteínas do soro lactoalbumina, lactoferrina, lisozima, albumina sérica e imunoglobulinas A, G e M. A energia fornecida pelo leite aumenta com a maturação do mesmo, atendendo à demanda crescente por calorias para o crescimento e desenvolvimento da criança. A quantidade de lipídios e carboidratos também aumenta com o tempo de lactação. Já a necessidade proteica decresce.

Quais as alterações que faz o leite materno variar com o tempo?

O leite maduro varia não só com a idade do bebê, como também pela hora do dia, o tempo da mamada (começo ou fim do ato). Ele se ajusta e se adapta as características fisiológicas e as necessidades nutricionais da criança. Por isso o leite materno é perfeito e insubstituível para o desenvolvimento de todos os bebês. O aleitamento materno reduz em 13% a mortalidade até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade. Além disso, o ato contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal do pequeno e promove o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê.

Amamente seu filho, no mínimo até os 6 meses de idade. Na impossibilidade de oferecer o leite materno, você pode optar pelas fórmulas infantis desenvolvidas com todos os critérios importantes para suprir as necessidades nutricionais e proteger o sistema digestivo ainda imaturo dos bebês. Leia a matéria completa: Riscos e benefícios das fórmulas infantis

Fonte: UFRP, Rocha Garcia, Golin, Strapasson, Camila Costa, Grace Wille, medicina mitos e verdades.