O uso de tranquilizantes (nome cientifico: ansiolíticos) tem aumentado significativamente no Brasil, caracterizando o uso irracional de um medicamento que pode ser prejudicial aos seus usuários. Para a professora de farmácia Amouni Mourad, o fato de pesquisas atuais confirmarem o quadro de uso excessivo de sedativos ou benzodiazepínicos traz a preocupação em definir estratégias para melhorar o nível de informações das pessoas quanto aos possíveis riscos de dependências, além das reações adversas que podem surgir com seu uso indiscriminado nos casos de insônia.

Outro ponto muito sensível está relacionado à prescrição desses medicamentos, sujeitos a controle especial, visto que os pacientes precisam de uma receita para comprá-los. Segundo a especialista, é importante analisar a real necessidade do uso desses medicamentos, fato que só pode ser avaliado pelos médicos especialistas no assunto, ou seja, psiquiatras. “A vida atual é muito intensa e estressante, há uma sensação de angustia antecipada, agitação, ou seja, uma sensação permanente de ansiedade. Infelizmente, a procura por meios para melhorar essa condição recai no uso de medicamentos, pois é um caminho supostamente mais fácil e rápido de resolver o problema”, conclui a professora.

Efeitos colaterais dos benzodiazepínicos
• Sonolência excessiva diurna (“ressaca”);
• Piora da coordenação motora fina;
Piora da memória (amnésia anterógrada);
Tontura, zumbidos;
• Quedas e fraturas;
• Reação paradoxal: consiste de excitação, agressividade e desinibição que ocorrem mais frequentemente em crianças, idosos e em deficientes;
• “Anestesia emocional” – indiferença afetiva a eventos da vida;
• Idosos: maior risco de interação medicamentosa, piora dos desempenhos psicomotor e cognitivo (reversível), quedas e risco de acidentes no trânsito;

Segundo o psiquiatra Ph.D. Prof. Dr. Marco Marcolin, autor do capítulo de psiquiatria do livro Medicina, Mitos e Verdades (Carla Leonel), o uso destes medicamentos cria dependência após alguns meses de uso e a pessoa não consegue deixar a medicação. Ocorre também tolerância à medicação, isto é, a pessoa necessita cada vez de doses maiores para obter o mesmo efeito e, além disso, a própria abstinência destas medicações causam ansiedade intensa, insônia e inquietação. O efeito colateral que vem causando muitos problemas com o uso prolongado dos benzodiazepinicos é a perda de memória que, muitas vezes, é irreversível. Atualmente, estão sendo desenvolvidos alguns indutores de sono, com menor probabilidade de provocar efeitos colaterais, pois se ligam a receptores específicos no cérebro, como, por exemplo, o zopiclone.

Já a melatonina, apesar de não ser vendida no Brasil, pode ser vista como um suplemento a ser utilizado à noite, na tentativa de se corrigir alguns problemas do sono. Conforme nossos olhos registram o cair da noite, a glândula pineal (localizada no centro do cérebro) inicia a produção de melatonina para auxiliar o nosso organismo a regular o ciclo do sono (ciclo circadiano). Estudos sugerem que uma pequena suplementação de melatonina nos ajuda a melhorar a qualidade do sono e facilita a adaptação ao jet lag (descompensação horária pela mudança de fuso horário).

Conforme envelhecemos, a quantidade de melatonina produzida pelo nosso organismo vai decrescendo. Algumas publicações científicas apontam esta como causa do comprometimento do sono entre idosos. Para um grupo de pacientes com insônia, podemos dizer que essa é uma boa alternativa, visto que evita os efeitos colaterais de drogas, tais como, as benzodiazepinas, entre outras. Parece que a melatonina é eficaz em pequenas doses, não produzindo efeitos colaterais. O hormônio preserva a arquitetura natural do sono, inclusive o tempo e a duração das fases de sonho caracterizadas pelo movimento rápido do olho - a fase REM (rapid eye movement).

Todos os anos, a Academia Brasileira de Neurologia promove uma campanha para orientar quanto aos problemas do sono. A do ano de 2014 tem como tema: "Sono Restaurador, Boa Respiração, Corpo Saudável", uma mensagem “três em um” que ressalta os fatores de risco para a síndrome da apnéia obstrutiva do sono que podem ser prevenidos. Vamos dar uma olhada em cada ponto do slogan deste ano.

Como você sabe se você está tendo um sono restaurador?
Um sono bom e restaurador deve ser contínuo e ininterrupto, profundo e com duração adequada. Se você consegue ter todos essas características, você deve sentir-se descansado e alerta durante todo o dia. Se estiver faltando um ou mais desses elementos, a sua concentração, produtividade, atenção e alerta irão sofrer. Você pode apresentar sonolência diurna, e esse sintoma pode ser perigoso e levar a acidentes automobilísticos.

Boa respiração e fatores de riscos
Pessoas com a síndrome da apneia obstrutiva do sono podem não perceber quantas vezes estão acordando durante a noite, mas se a sua via aérea não está suficientemente aberta, você não está tendo um sono bom. "Quando a respiração durante o sono é um esforço, a qualidade do sono é reduzida", diz Antonio Culebras, médico, professor de neurologia da SUNY, Upstate Medical University em Syracuse, Nova York e co-presidente do Comitê do Dia Mundial do Sono.

Obesidade: o acúmulo extra de gordura nas vias aéreas superiores pode reduzir a abertura da garganta, enquanto um abdome grande pode interferir com o funcionamento do diafragma. Estudos recentes têm mostrado que a perda de peso, por si só, pode reduzir a apneia do sono em algumas pessoas acima do peso.

Fumantes: outro fator de risco para a apneia do sono inclui o tabagismo, que pode piorar a obstrução nas vias aéreas superiores. Parar de fumar pode reduzir a apneia do sono e prevenir as complicações da sonolência diurna.

Aumento das amígdalas: em crianças ou adultos, o aumento das amígdalas pode promover apneia. A cirurgia das amigdalas é indicada como solução e sua remoção

Corpo Saudável - tornar-se saudável não apenas leva a um sono melhor, como uma boa noite de sono permite uma saúde melhor.
Estar alerta e descansado pode fazer você se sentir mais motivado para se exercitar regularmente e comer de forma saudável, enquanto a falta de sono pode deixar você se sentindo sonolento e cansado demais para se mover. Além disso, estudos têm demonstrado que a falta de sono por apenas alguns dias perturba os níveis hormonais e metabólicos, resultando em aumento do apetite e ingestão de calorias.

Para iniciar a sua jornada em direção a um sono de qualidade, confira os 10 MANDAMENTOS DO SONO da WASM:

1. Estabeleça um horário regular para dormir e acordar. Esta prática ajuda a manter uma regularidade do ritmo biológico. Evite também, mudar radicalmente os horários de dormir e acordar no final de semana. Durma apenas o tempo suficiente para sentir-se bem. Ficar na cama mais do que o necessário pode prejudicar o sono da noite seguinte.

2. Se você tem o hábito de sestas, não exceda 45 minutos de sono durante o dia. Pessoas que sofrem de insônia não devem praticar as sestas.

3. Evitar a ingestão excessiva de álcool 4 horas antes de deitar. Embora elas pareçam induzir o sono, a qualidade do mesmo não é satisfatória. Alguns pacientes podem sentir uma piora dos sintomas de depressão no dia seguinte. Evite também fumar à noite, já que a nicotina pode ter efeito excitante.
4. Evite cafeína 6 horas antes de deitar. Isto inclui café, chá e refrigerantes, bem como o chocolate.

5. Evite alimentos picantes ou açucarados pesados até 4 horas antes de deitar. Também não vá dormir com fome ou alimentado em excesso, pois refeições pesadas podem causar grande desconforto, assim como a sensação de estomago "vazio". Um lanche leve antes de dormir é aceitável.

6. Faça exercícios regularmente, mas nunca antes ou perto do horário de dormir.

7. Tenha uma cama confortável e convidativa, adequada para seu corpo. Invista também em travesseiros de qualidade.

8. Manter o ambiente do quarto com temperatura adequada e bem ventilado.

9. Bloqueie todo o ruído perturbador e elimine o máximo de luz possível.

10. Reserve sua cama para dormir e para a prática sexual. Qualquer outra atividade como assistir TV, trabalhar, estudar, falar ao celular ou uso de tablet deve ser evitado na cama. Também não “brigue" com a cama. Se tentar e não conseguir dormir, levante e faça algo que não seja excitante, como ler um livro cansativo. Ouvir uma música suave pode ajudar.

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