Sangue na urina pode ser sintoma de câncer na bexiga

Sangue na urina pode ser sintoma de câncer na bexiga

Os sintomas do câncer de bexiga se assemelham à uma infecção urinária: aumento da necessidade de urinar com dificuldade de eliminar o xixi, e dor para urinar. A existência de sangue na urina é um grande alerta para uma investigação mais apurada. Sempre que um câncer é descoberto na fase inicial, as chances de tratamento e cura aumentam significativamente. O câncer de bexiga é o mais frequente do trato urinário, com cerca de 430 mil novos casos por ano e ocupa o nono lugar entre os tipos de câncer com maior incidência.
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O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos, laboratoriais e radiológicos, entre eles o exame de urina, a tomografia computadorizada e a citoscopia. A cistoscopia é um exame invasivo onde é possível analisar a parte interna da bexiga por meio de um instrumento com câmera acoplado. Se necessário, pode ser retirada células para biópsia.

As chances de cura depende da extensão do câncer (superficial ou invasivo), além da idade do paciente e seu estado geral de saúde. Este câncer é mais frequente no sexo masculino e segundo o Inca, no ano de 2018, foi registrado 9.480 novos casos, sendo 6.690 em homens e 2.790 em mulheres, totalizando 3.905 mortes (2.663 homens e 1.240 mulheres).

Tipos de câncer de bexiga: o câncer de bexiga atinge as células que cobrem o órgão e é classificado de acordo com a célula que sofreu alteração. Existem três tipos:

Carcinoma de células de transição: representa a maioria dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga.

Carcinoma de células escamosas: afeta as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongadas.

Adenocarcinoma: se inicia nas células glandulares (de secreção) que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.

Quando o câncer se limita ao tecido de revestimento da bexiga, é chamado de superficial. O câncer que começa nas células de transição pode se disseminar através do revestimento da bexiga, invadir a parede muscular e disseminar-se até os órgãos próximos ou gânglios linfáticos, transformando-se num câncer invasivo (veja a imagem).

Quais os fatores de risco para o câncer de bexiga?

Idade e raça: Homens brancos e de idade avançada são o grupo com maior probabilidade de desenvolver esse tipo de câncer.

• O tabagismo pode aumentar o risco de uma pessoa ter câncer de bexiga e está associado à doença em 50-70% dos casos.

Exposição a diversos compostos químicos: aminas aromáticas, azocorantes, benzeno, benzidina, cromo/cromatos, fumo e poeira de metais, agrotóxico, HPA, óleos, petróleo, droga antineoplásica, tintas, 2-naftalina e 4-aminobifenil.

Profissões que têm risco aumentado:

• Os trabalhadores da agricultura, construção, fundição, extração de óleos e gorduras animais e vegetais, sapatos, manufatura de eletroeletrônicos, mineração, siderurgia;

Indústria têxtil, de alimentos, alumínio, borracha e plásticos, sintéticos, tinturas, corantes, couro, gráfica, de metais, petróleo, química e farmacêutica, tabaco;

• Cabeleireiros e barbeiros, maquinistas, motorista de caminhão e de locomotiva, pintor, trabalhador de ferrovias, trabalho no forno de coque e tecelão podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença.

Como tratar o câncer de bexiga?

O tratamento consiste em radioterapia, quimioterapia e cirurgia, e depende do grau da evolução da doença.

A cirurgia pode ser de três tipos:

Ressecção transuretral: quando o médico remove o tumor por via uretral;

Cistotectomia parcial: retirada de uma parte da bexiga;

Cistotectomia radical: remoção completa da bexiga, com a posterior construção de um novo órgão para armazenar a urina. Após a remoção total do tumor, o médico pode administrar a vacina BCG dentro da bexiga para tentar evitar a recorrência da doença.

Radioterapia e quimioterapia

Radioterapia: nos tumores mais agressivos como técnica para tentar preservar a bexiga.

Quimioterapia: pode ser sistêmica (ingerida na forma de medicamentos ou injetada na veia) ou intravesical (aplicada diretamente na bexiga através de um tubo introduzido pela uretra).

Existe forma de prevenção?

Eliminando os fatores de riscos citados acima. Recomenda-se evitar exposição principalmente aos derivados do petróleo, como tintas, por exemplo. Lembre-se que o tabaco tem forte influência no desenvolvimento do câncer de bexiga. Não fume e evite o tabagismo passivo (inalar fumaça de tabagistas).

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Fonte: Medicina Mitos e Verdades: oncologista Dr. René Gansl, Inca (instituto Nacional de Câncer), Ministério da Saúde.