Pericardite: causas, sintomas, consequências e tratamento

Pericardite: causas, sintomas, consequências e tratamento

O que é pericardite?
O pericárdio é uma espécie de "saco" que envolve o coração por fora. Quando sofre uma agressão, seja por vírus, bactérias, agentes físicos ou químicos, ele se inflama, levando à pericardite. Ou seja, a pericardite é a inflamação do pericárdio (membrana dupla que reveste e protege o coração), e entre uma e outra membrana contém uma pequena quantidade de líquidos.

A função do pericárdio é impedir que o coração se encha de sangue mais do que o necessário, e protegê-lo de possíveis infecções que possam acometer a região torácica.

No quadro de pericardite, a gravidade vai depender da causa, além da quantidade e rapidez na formação de mais líquidos no espaço pericárdico. A pericardite pode ser aguda (cura-se em poucos dias) ou se tornar-se crônica (demorar semanas até a cura).

Quais as principais causas da pericardite?
A pericardite ocorre, frequentemente, após a cirurgia cardíaca, em consequência da exposição do pericárdio ao ar ambiente, sendo uma das causas às dores torácicas no pós-operatório. O seu controle é medicamentoso e se dá por meio do tratamento com anti-inflamatórios. As outras causas da pericardite podem ser divididas em infecciosas e não-infecciosas.

• Entre as infecções pericárdicas, a pericardite viral é a mais comum e seu processo inflamatório deve-se à ação direta do vírus ou a uma resposta imune.
Os vírus mais comuns que afetam o pericárdio são: enterovírus, ecovírus, Epstein barr, herpes simples, influenza e citomegalovírus (CMV), sendo o último mais frequente em imunodeprimidos e soropositivos.

• A pericardite nos soropositivoscostuma ser relacionada tanto as doenças infecciosas, como as não infecciosas, ou mesmo as neoplásicas (sarcoma de Kaposi ou linfoma), podendo, por vezes, resultar em miopericardite.

• A pericardite bacteriana manifesta-se, geralmente, com derrame pericárdico (devido a excessiva formação de líquido entre as membranas do pericárdio), e sua origem pode ser consequência de pneumonia, empiema, disseminação hematogênica, pós-cirurgia cardíaca ou torácica, por serem patologias e situações que possuem uma ampla gama de agentes infecciosos como causa.

• A pericardite tuberculosa tem diminuído com o controle efetivo da tuberculose pulmonar, mas mostra-se presente, principalmente, em pacientes HIV positivos.

• Já o envolvimento autoimune do pericárdico acontece especialmente nos casos de lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, esclerodermia, polimiosite e dermatomiosite. (Clique nas palavras em azul para ler os artigos correspondentes)

• A pericardite pós-infarto pode ocorrer precocemente nos três primeiros dias do infarto agudo do miocárdio (IAM), pericardite epistenocárdica. Nesses casos está relacionada ao acometimento do epicárdio e pericárdio adjacente. Também pode ocorrertardiamente, de três semanas a seis meses, sendo a atividade autoimune, nesta situação, denominada síndrome de Dressler.

• A insuficiência renal é causa comum de doença pericárdica, produzindo derrame em 20% dos pacientes. Pode se manifestar como pericardite urêmica ou pericardite associada a diálise.

• Já as pericardites neoplásicas são devidas à invasão tumoral ou linfática, ou ocorrem por disseminação hematogênica.

Que tipo de sintomas sente o paciente com pericardite?

Os sintomas da pericardite são, normalmente, fortes dores no peito associadas a um quadro febril. A dor torácica pode variar com a respiração ou posição do tórax (melhora ao sentar-se para frente), variando também de intensidade e duração.

Pode ocorrer o acometimento pleural, associado à presença de derrame pericárdio ou atrito pleural, provocando falta de ar. Por vezes, a pericardite encontra-se associada à miocardite e o cardiologista saberá fazer o diagnóstico. Leia o artigo sobre Miocardite

Quais as complicações da pericardite?

A gravidade depende da causa da pericardite. Como complicação da pericardite, o pericárdio pode tornar-se espesso (grosso) ou acumular líquido no saco pericárdico (derrame pericárdico), levando ao mau funcionamento do coração.

Quando o pericárdio se enche de líquido, impede que o coração receba o sangue proveniente do organismo. Esta condição é chamada de tamponamento pericárdico e é necessário procedimento de emergência para esvaziar o líquido por meio de drenagem.

O tamponamento cardíaco é grave? Quais as causas e sintomas?

O saco pericárdico contém uma pequena quantidade de líquido (30 a 50 ml) que envolve o coração. Quando uma quantidade significativa de líquido se acumula e ultrapassa a capacidade de distensão do tecido fibroelástico pericárdico, ocorre progressiva compressão de todas as câmaras cardíacas decorrente do aumento da pressão intrapericárdica, redução do volume de enchimento cardíaco e maior interdependência ventricular.

O desenvolvimento do tamponamento depende da velocidade de instalação e do fator causal:

• O tamponamento cardíaco agudo ocorre em minutos, devido ao trauma, ruptura do coração e aorta, ou como complicação de procedimentos diagnósticos e terapêuticos (biópsias cardíacas, estudo eletrofisiológico, oclusão de apêndice atrial, oclusores de septo interatrial etc.), resultando num quadro de choque. Leia o artigo: Tipos de choques e consequências

• Já o tamponamento cardíaco subagudo ocorre entre dias e semanas e poder estar associado com dispneia (falta de ar) e fadiga.

Tamponamento de baixa pressão (oculto) ocorre em pacientes que estão hipovolêmicos, com consequente redução da pressão intracardíaca, favorecendo a compressão extrínseca do derrame pericárdico.

Tamponamento cardíaco regional ocorre quando um derrame localizado ou um hematoma produz compressão regional em uma única câmara.

O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico: taquicardia, pressão venosa elevada, hipotensão arterial e a presença de pulso arterial paradoxal.

Qual o tratamento da pericardite?

O tratamento visa diminuir a inflamação e tratar a causa desencadeante. O controle é medicamentoso com anti-inflamatórios e repouso.

Fonte: Medicina Mitos e Verdades, cardiologia: Prof. Dr. Bernardino Transchesi Jr., Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

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