Os riscos por não tomar as vacinas obrigatórias

Os riscos por não tomar as vacinas obrigatórias

Estar com as vacinas em dia é fundamental para conseguir imunidade e evitar doenças que colocam em risco a vida das crianças. Não pode esquecer. Não pode atrasar. Vacinação é assunto sério e deve ser realizada de acordo com o cronograma estabelecido pelo Ministério da Saúde. A seguir, o Prof. Vicente Amato Neto, esclarece as principais dúvidas sobre a importância da imunização e as consequências pela negligência dos pais que deixaram de vacinar seus filhos.

O que é a vacina? Como ela funciona e é produzida?

A vacina é o método pelo qual se procura obter imunidade. Para produzi-la, utiliza-se o próprio agente da doença enfraquecido, ou morto de uma forma adequada, ou com sua agressividade atenuada (diminuída). São os chamados antígenos, que têm, entre outras substâncias, a proteína que promove a reação imunizante do organismo. Em alguma delas usa-se também um agente parecido com o que causa a doença que estimula a imunidade sem provocar a afecção. Hoje também existem vacinas produzidas por engenharia genética, sem o agente da doença, como a vacina contra a hepatite B e a vacina contra o HPV (papilomavírus humano).

Quem não respeitar o cronograma de vacinação, a imunização fica prejudicada? Por que a necessidade de repetir as doses?

Algumas vacinas são feitas para serem tomadas em diversas doses porque estudos e pesquisas demonstraram que esta é a maneira mais eficiente para o processo de imunização. A criança tem de tomar a vacina tríplice bacteriana (contra coqueluche, difteria e tétano), por exemplo, aos 2, 4 e 6 meses de vida, e depois fazer as revacinações nas épocas certas. Se ela tomar uma dose aos 2 meses, outra aos 5 meses e parar por 2 ou 3 anos, terá de recomeçar. Apenas uma dose é ineficaz. Duas doses já oferecem algum resultado satisfatório. Um atraso de 1 ou 2 meses pode até não prejudicar o processo de imunização, mas isso não significa um pretexto para você atrasar. A vida e a saúde do seu filho estão em jogo.

Em termos de saúde pública, o Calendário Nacional de Vacinação foi a melhor coisa que aconteceu no Brasil, e seus resultados são excelentes. Ele praticamente acabou com o sarampo, a tosse comprida, a poliomielite, a difteria e o tétano infantil. As vacinas são disponibilizadas gratuitamente nos centros de saúde e, a maior parte delas, destinada as crianças desde o nascimento até os 10 anos de idade. Nas campanhas de vacinação, outras faixas etárias também podem ser beneficiadas com vacinas gratuitas.

E quem não tiver tomado as vacinas obrigatórias na infância? Se forem tomadas na fase adulta surtem os mesmo efeitos de imunização?

Caso a doença não tenha se manifestado, os efeitos são os mesmos ou atingir de forma até mais grave. Entretanto existem algumas das doenças infantis que não se manifestam em adolescentes ou adultos. Aqui no Brasil, a poliomielite (paralisia infantil) é um exemplo de doença que atinge crianças até os 4 anos de idade. Neste caso, os adultos que não foram vacinados na infância contra poliomielite e não tiveram a doença, foi por sorte de não ter tido contato com o vírus ou então a pessoa se imunizou naturalmente. Mas não se deve correr o risco, dos primeiros meses de vida aos 4 anos, tudo pode acontecer. Veja o exemplo do sarampo que já estava erradicado no Brasil e em todas as Américas e voltou a se manifestar provocando inclusive mortes. Isto é consequência da negligência dos pais por acreditar erroneamente que a vacina pudesse ser desnecessária já que atualmente a doença não se fazia mais presente.

Se a doença "deixou de existir" era justamente pelas vacinas terem sido tomadas corretamente. Prova disso é o comportamento endêmico do sarampo que em 2016 chegou a receber o certificado de eliminação da circulação do vírus pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e hoje o vírus voltou a circular na população. Em 2017, as vacinas oferecidas gratuitamente para o controle dessas doenças infecciosas e graves ficaram abaixo da meta de 95% preconizado pela Organização Mundial de Saúde, que foi o que fez com que o Sarampo voltasse a se manifestar.

O Sarampo é uma doença que pode acometer pessoas de qualquer idade e de forma até mais grave naqueles que não foram vacinados. Portanto, se sua carteira de vacinação está desatualizada, trate de correr para colocá-la em dia.

O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, altamente contagiosa mas que pode ser prevenida pela vacina. Pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. As complicações infecciosas contribuem para a gravidade da doença, particularmente em crianças desnutridas e menores de um ano de idade. Em algumas partes do mundo, a doença é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos de idade.

O comportamento endêmico do sarampo varia, de um local para outro, e depende basicamente da relação entre o grau de imunidade e a suscetibilidade da população, além da circulação do vírus na área. Atualmente, o país enfrenta surtos de sarampo pela negligência dos pais na vacinação de seus filhos.

Sintomas

Os sintomas iniciais apresentados pelo doente são: febre acompanhada de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal e mal estar intenso. Após estes sintomas, há o aparecimento de manchas avermelhadas no rosto, que progridem em direção aos pés, com duração mínima de três dias. São comuns lesões muito dolorosas na boca. A doença pode ser grave, com acometimento do sistema nervoso central e pode complicar com infecções secundárias como pneumonia, podendo levar à morte. As complicações atingem mais gravemente os desnutridos, os recém-nascidos, as gestantes e as pessoas portadoras de
imunodeficiências.

Transmissão

Além de secreções respiratórias ou da boca, também é possível se contaminar através da dispersão de gotículas com partículas virais no ar, que podem perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas. A doença é transmitida na fase em que a pessoa apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas.

No caso da pólio, mesmo não afetando adultos, caso a vacina seja negligenciada, pode voltar a surgir novamente e atingir as crianças. Conheça um pouco mais sobre esta doença e veja a importância da vacinação.

A poliomielite é causada por vírus que são mais estáveis do que a maioria dos vírus, sendo capazes de permanecer viáveis durante períodos prolongados, na água, no leite e em outros alimentos. Antes da disponibilidade das vacinas, a poliomielite era uma doença cosmopolita, observada em todos os continentes (sendo comuns as epidemias nas zonas temperadas) com maior incidência no verão.

Período de incubação: varia de 5 a 35 dias, durando comumente 1 a 2 semanas.

O vírus da poliomielite não causa paralisia em todos e apresenta-se em três diferentes formas:

Forma abortiva: febre, anorexia, cefaleia, coriza, dor para engolir os alimentos, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Não deixa sequelas.

Forma meningítica: aos sintomas presentes na forma abortiva segue-se o aparecimento da síndrome meníngea, ou seja, sintomas das doenças que acometem a meninge (membrana que recobre o cérebro): febre, dor de cabeça, vômitos e rigidez da nuca, sem a presença de paralisias; nesses casos não se observam distúrbios da consciência e a evolução é benigna. Alguns casos podem evoluir para epilepsia.

Forma paralítica: a fase paralítica da doença dura de 3 a 5 dias e é representada por síndrome infecciosa semelhante à observada na forma abortiva. A febre tem duração e intensidade variável. Podem ocorrer convulsões, embora não sejam comuns em crianças com baixa idade. Provoca paralisia principalmente nos membros inferiores, provocando atrofia dos músculos. Isso acontece rapidamente na fase aguda da doença e se instala definitivamente.

Transmissão: água ou alimentos contaminados penetram no organismo através da mucosa orofaríngea ou intestinal.

Contágio: em média 5 dias, estendendo-se por, no máximo, 10 dias.

Prevenção: vacina oral de vírus vivo atenuado (Sabin) ou vacina injetável de vírus morto (Salk). São três doses: a primeira dose, no 2º mês de vida, e intervalo de 8 semanas entre a segunda e terceira dose (4 e 6 meses de vida). Reforço aos 15 meses e entre 5 e 6 anos de idade.

A vacinação é a única maneira segura de prevenir estas doenças. Neste ano, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo será realizada entre 6 e 31 de agosto, sendo o dia 18 de agosto o dia de mobilização nacional - o "Dia D". Nesta semana as crianças devem ser levadas aos serviços de saúde mesmo que tenham sido vacinadas anteriormente. As vacinas estão disponíveis nas mais de 36 mil salas de vacinação do país.

Programe-se

Crianças de 12 meses a menores de 5 anos de idade: uma dose aos 12 meses (tríplice viral) e outra aos 15 meses de idade (tetra viral)

Crianças de 5 anos a 9 anos de idade que perderam a oportunidade de serem vacinadas anteriormente: duas doses da vacina tríplice

Para adolescentes e adultos até 49 anos:

• Pessoas de 10 a 29 anos: duas doses das vacina tríplice

• Pessoas de 30 a 49 anos: uma dose da vacina tríplice viral

Quem comprovar a vacinação contra o sarampo conforme preconizado para sua faixa etária, não precisa receber a vacina novamente.

Entre 1º de janeiro e 23 de maio de 2018, foram registrados 995 casos de sarampo no país (sendo 611 no Amazonas e 384 em Roraima), incluindo duas mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A terceira morte foi confirmada recentemente: um bebê de sete meses faleceu em Manaus em 28 de junho depois de apresentar febre, manchas na pele, tosse e coriza. A Secretaria de Saúde local investiga se a morte de um bebê de nove meses também foi por sarampo. Há casos confirmados em Rondônia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Desde abril de 2018, a OMS emite alerta sobre a volta do sarampo em onze países das Américas: Brasil, Argentina, Equador, Canadá, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru, Antígua e Barbuda, Colômbia e Venezuela. E não é só nas Américas - em 2017, a Europa registrou mais de 21 mil casos de sarampo, com 35 mortes, um aumento de quase 400% nos casos em relação ao ano anterior. Fique fora desta estatística. Vacine-se!

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