O limite na cirurgia das pálpebras

O limite na cirurgia das pálpebras

Nas cirurgias para correção da área ao redor dos olhos existe um fator interessante: as bolsas de gordura localizadas abaixo das pálpebras não estão relacionadas a idade. Todos nós as possuímos, uns tendo bolsas mais proeminentes do que outros. O Prof. Dr. Ivo Pitanguy explica que elas funcionam como proteção do globo ocular, como se o acolchoassem permitindo seu deslizamento suave. Quando as bolsas estão muito desenvolvidas, tornam-se aparentes, conferindo um aspecto de "cansaço" a face. Muitas vezes, as pálpebras apresentam-se flácidas, com excesso de pele.

A cirurgia das pálpebras,denominada blefaroplastia, é classicamente realizada por meio de duas incisões: uma na pálpebra superior ao nível do sulco palpebral, e uma na pálpebra inferior, em sua borda próxima a implantação dos cílios. Mais recentemente, opta-se por uma abordagem através da conjuntiva (blefaroplastia transconjuntival), para evitar traumatizar a musculatura orbicular, evitando assim enfraquecer os músculos que dão sustentação as pálpebras. Por essas incisões são retirados os excessos de gordura palpebral. Trata-se de uma correção cirúrgica que faz efeito em qualquer idade. Há pessoas que aos 20 anos têm bolsas e outras que aos 50 ainda não as têm.

Nunca se deve retirar demasiadamente as bolsas palpebrais para evitar o aspecto de "olhos encaveirados". É importante esclarecer que a blefaroplastia não elimina as rugas. As rugas em torno dos olhos podem ser atenuadas com a aplicação de laser de dióxido de carbono, porém a recuperação costuma ser mais longa, especialmente quanto a coloração cutânea (da pele).

Outro aspecto da cirurgia das pálpebras é o cuidado e a habilidade que o cirurgião deve ter para não mudar o formato da fenda ocular. A retirada excessiva de pele provoca mudanças significativas no olhar do paciente, descaracterizando toda sua fisionomia. Muitas vezes, o que o paciente quer como resultado não pode ser conseguido, cabendo aí o bom senso profissional para evitar resultados desfavoráveis. É importante lembrar que o olho é um órgão essencial a vida; sua função deve ser preservada. As pálpebras têm de fechar e abrir para o olho ser lubrificado. Dentro do processo cirúrgico é fundamental que se pense nele como um todo.

BLEFAROPLASTIA

Cirurgia plástica das pálpebras (tratamento de excesso de pele e/ou bolsa de gordura)

• INTERNAÇàO: 12 horas ou 1 dia.

• ANESTESIA: local com sedação ou geral.

• TEMPO DA CIRURGIA: 2 horas (pálpebras superior e inferior).

• CIRURGIA: determina-se o excesso de pele a ser ressecado na pálpebra superior por meio de uma marcação (desenho) em forma de fuso. Corrige-se o excesso das bolsas de gordura superiores. A sutura (pontos) fica no nível do sulco palpebral. Na pálpebra inferior , a incisão margeia a implantação dos cílios. As bolsas de gordura são tratadas e o excesso de pele é ressecado, realizando-se a sutura final. Quando há apenas excesso de bolsas de gordura , pode-se utilizar a via transconjuntival (incisão interna pela conjuntiva do globo ocular).

• CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIO: normalmente, o curativo é exposto. Os cuidados com a região ocular restringem-se a manutenção de compressas úmidas de soro fisiológico gelado durante as primeiras 24/48 horas e, posteriormente, compressas úmidas de soro ou chá de camomila à temperatura ambiente. Durante as primeiras 72 horas, a região fica edemaciada (inchada). Esse edema vai regredindo em um prazo de 7 a 10 dias. Os pontos são retirados no 2º ou 3º dia de pós-operatório.

• CUIDADOS GERAIS: sempre que sair a rua, usar óculos escuros para proteger-se dos raios solares.

• TEMPO DE RECUPERAÇàO: a pálpebra é uma região que cicatriza muito bem e permite que a pessoa rapidamente volte as suas atividades normais (após uma semana), embora a cicatriz possa ainda estar um pouco vermelha. Cerca de um mês depois, as cicatrizes tornam-se imperceptíveis.

Prof. Dr. Ivo Pitanguy é Prof. Titular dos Cursos de Pós-Graduação e Mestrado da PUC-RJ e do Curso de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas; Membro Titular da Academia Nacional de Medicina e autor do capítulo de cirurgia plástica do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) . Artigo do livro.