Lesão na boca que demora para cicatrizar pode ser câncer

Lesão na boca que demora para cicatrizar pode ser câncer

Qualquer lesão na boca que demore mais de 15 dias para cicatrizar deve ser avaliada pelo médico ou dentista. O câncer na cavidade oral pode se manifestar nas gengivas, bochechas (mucosa jugal), céu da boca (palato duro), língua (principalmente as bordas) e região abaixo da língua (assoalho).

As lesões são classificadas como leve, moderada ou grave, podendo ser caracterizada como lesão pré-cancerosa ou inofensiva. O dentista é o médico que poderá definir o diagnóstico e tratamento. Atenção especial as manchas e/ou placas vermelhas ou esbranquiçadas em qualquer região da boca e lábios. Nódulos no pescoço também merecem ser investigados.

Este tipo de câncer é mais comum em pessoas brancas e homens acima de 40 anos. Atinge com mais frequência fumantes e alcoólatras e se manifesta normalmente no lábio inferior. Nos lábios, o primeiro sinal pode ser descamações que evoluem para feridas (sabe aquela pelinha que você puxa? Atenção a ela). Em estágios avançados, as áreas rugosas dos lábios se intensificam, pode inchar, você sentir queimação, e surgir manchas vermelhas ou brancas. Estes sintomas caracterizam a Queilite Actínica, que é precursora do câncer.

Fatores de riscos para o câncer de boca, língua e lábios

1. Fumo: varia de acordo com o consumo. Cerca de 90% dos pacientes diagnosticados com câncer na cavidade oral são tabagistas.

2. Bebidas alcoólicas: o consumo exagerado e constante favorece o câncer de boca. Fumantes que fazem uso crônico de álcool tem risco dobrado.

3. Exposição solar: sol sem proteção labial aumenta as chances deste tipo de câncer.

4. Vírus HPV: o número de cânceres de orofaringe relacionados ao HPV aumentou dramaticamente ao longo das últimas décadas. O DNA do HPV é encontrado em cerca de 60% dos cânceres de orofaringe. Acredita-se que o aumento seja devido a mudanças nas práticas sexuais nas últimas décadas, particularmente ao aumento do sexo oral. O DNA do HPV é encontrado com mais frequência em cânceres de orofaringe (especialmente nas amígdalas) e menos frequentemente em cânceres da cavidade oral. Como medida preventiva, o sexo oral deve ser realizado com proteção (preservativo). Leia o artigo sobre HPV

5. Próteses dentárias: dentaduras mal colocadas podem irritar a língua e parte interna da bochecha provocando lesões pré-cancerosas. Além disso, as dentaduras podem reter resíduos comprovadamente cancerígenos, como álcool e tabaco.

6. Má higiene da boca e alimentação rica em gordura e pobre em proteínas, vitaminas e minerais.

Alguns dos sintomas do câncer de boca e língua se assemelham ao câncer de esôfago (clique no link azul e leia também sobre câncer de esôfago):

• Dificuldade de engolir e neste caso, mastigar,

• Sensação de um “bolo” na garganta,

• Dificuldade na fala,

• Perda de dentes,

• Sangramentos na boca,

• Perda de sensibilidade,

• Caroço ou inchaço na bochecha,

• Área vermelha apenas em um lado da língua.

As lesões geralmente são ulceradas e nodulares, porém, nas fases iniciais, não costuma doer. Portanto não despreze qualquer lesão na boca que demore a cicatrizar.

Câncer de boca tem cura?

Se diagnosticado no início e tratado da maneira adequada, a maioria (80%) dos casos desse tipo de câncer tem cura. Geralmente, o tratamento é por meio de cirurgia e/ou radioterapia. Os dois métodos podem ser usados de forma isolada ou associada. Da mesma forma, as duas técnicas têm bons resultados nas lesões iniciais e a indicação vai depender da localização do tumor e das alterações funcionais que possam ser provocadas pelo tratamento. As lesões iniciais são aquelas restritas ao local de origem.

Nos casos em que há necessidade de cirurgia para remoção cirúrgica do tumor, pode afetar a capacidade de falar, engolir e a aparência do paciente.