Doutor, sinto dor em tudo! Assim é a fibromialgia

Doutor, sinto dor em tudo! Assim é a fibromialgia

O que é fibromialgia? Quais os sintomas?
A fibromialgia é uma doença caracterizada por dor no corpo todo. Geralmente o médico pergunta: “Onde dói?”, a resposta é: “Doutor, dói tudo”. A dor é, principalmente, muscular embora os pacientes possam relatar outras queixas, como formigamentos, dores de cabeça, alterações do funcionamento do intestino e dificuldades no sono. A fibromialgia é mais frequente em mulheres entre 30 e 50 anos, mas pode, também, aparecer em mulheres com mais idade, homens e crianças.

Qual a causa da fibromialgia?

A causa da fibromialgia ainda não está definida, mas sabemos que as pessoas com fibromialgia apresentam sensibilidade maior para a dor. Toda a sensação de dor que sentimos é decorrente da transmissão de impulsos nervosos ao nosso cérebro, por substâncias de nosso corpo chamadas neurotransmissores. Parece que na fibromialgia há uma má regulação destes transmissores e o cérebro interpreta os impulsos dolorosos que chegam a ele de forma ampliada.

Pacientes com fibromialgia sofrem de depressão?

Os pacientes com fibromialgia queixam-se, frequentemente, de alterações no sono e dizem ter o sono interrompido mais de uma vez à noite. Os distúrbios do sono podem levar a um cansaço e sonolência durante o dia, prejudicando o trabalho e o estudo diário. Pode haver também uma sensação de desânimo, ansiedade e tristeza (depressão). Os pacientes com depressão também podem apresentar sono não reparador e uma sensação de falta de energia semelhantes aos descritos para a fibromialgia. Depressão e fibromialgia podem estar presentes concomitantemente no paciente e, muitas vezes, a fibromialgia é confundida com depressão, porém nem todos os pacientes com fibromialgia tem depressão.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da fibromialgia é feito pelo histórico clínico de dor generalizada, associada a distúrbios do sono e outros sintomas vistos acima. O exame físico pode mostrar pontos dolorosos em todo o corpo. O médico pesquisa, geralmente, dezoito pontos principais de dor, sendo que o diagnóstico é confirmado pela presença de onze ou mais destes pontos - veja a ilustração acima. Atualmente, não se valoriza tanto a presença destes pontos, sendo mais importante a avaliação médica da intensidade e da característica da dor e de outros sintomas descritos pelo paciente. Não há exame de laboratório ou de imagem que ajudem no diagnóstico da fibromialgia. Geralmente, todos os exames são normais.

Fibromialgia tem cura? Como tratar?

Atividade física é parte fundamental do tratamento da fibromialgia. Caminhadas, exercícios realizados em piscinas e fortalecimento e alongamento muscular podem melhorar muito os sintomas da doença. Geralmente, recomendamos um tempo mínimo de 30 minutos de exercício, três vezes por semana.

Alguns medicamentos antidepressivos, antiepiléticos e neuromoduladores são utilizados no tratamento da fibromialgia. Algumas vezes, os pacientes perguntam: “Doutor, eu não estou deprimida e nem tenho epilepsia. Por que tomar estes medicamentos?”. O motivo é que estas medicações podem diminuir a dor por ação nos neurotransmissores envolvidos no aparecimento da fibromialgia, promovendo maior conforto e melhora na qualidade de vida dos pacientes.

Este conteúdo é exclusivo do capítulo de Reumatologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). Médico responsável Prof. Dr. Cristiano Zerbini, Coordenador do Núcleo Avançado de Reumatologia do Hospital Sírio Libanês e Diretor do Centro Paulista de Investigações Clínicas.

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