Quando o sopro no coração pode ser grave: causas, sintomas e tratamento

Quando o sopro no coração pode ser grave: causas, sintomas e tratamento

O que é o sopro cardíaco?
Sopro cardíaco significa que os ruídos dos batimentos cardíacos se apresentam diferente durante a ausculta feita pelo médico. O normal é ouvir “tum tá”, “tum tá”, e no sopro pode-se ouvir algo semelhante a uma “ventania” (fuuuu).

O sopro é grave?
Sopro no coração pode significar várias coisas. Pode ser apenas funcional, ou seja, absolutamente normal sem significar qualquer defeito no coração, como também por alterações que se curam espontaneamente. Este tipo de sopro é chamado sopro inocente. A percepção na ausculta é pelo fluxo do sangue ocorrer de forma mais rápida.

O sopro considerado de maior gravidade é por consequência de doenças valvares ou devido à malformação cardíaca congênita.

Quais seriam as causas do sopro inocente?
O sopro inocente pode ser resultado da atividade física, estado febril, gravidez e doenças como anemia, hipertireoidismo entre outras condições. No sopro inocente o coração é normal.

O que são doenças valvares?
O coração tem quatro valvas: mitral, aórtica, tricúspide e pulmonar. Cada valva é formada por duas ou três válvulas e elas têm a função de fazer a circulação do sangue no interior do aparelho cardiovascular.Elas funcionam abrindo e fechando: a abertura de uma válvula possibilita a passagem do sangue de uma cavidade cardíaca para a seguinte, e o movimento em que se fecha, impede que o sangue circule no sentido contrário (veja a imagem).

Qualquer alteração ou deficiência no funcionamento dessas estruturas é capaz de produzir mais de 200 manifestações clínicas diferentes, podendo ser desde grave até insignificante. Isso porque elas são responsáveis pela circulação do sangue apenas no interior do aparelho cardiovascular, e os mecanismos de dilatação e hipertrofia do músculo cardíaco, normalmente, compensam os problemas decorrentes de lesões menos graves dessas válvulas.

Quais as principais causas do sopro no coração que envolve as válvulas cardíacas?

1) Prolapso da válvula mitral: quando a válvula faz um movimento para trás durante a sístole (contração do músculo cardíaco), fechando-se em parte dentro do átrio (câmara que recebe o sangue).

2) Estenose mitral: abertura incompleta da válvula mitral.

3) Insuficiência mitral: fechamento incompleto da válvula mitral.

4) Estenose aórtica: abertura incompleta da válvula aórtica.

5) Insuficiência aórtica: fechamento incompleto da válvula aórtica.

Qual a diferença entre estenose, prolapso e insuficiência das válvulas cardíacas?

Estenose significa que a válvula cardíaca está mais estreita e o sangue tem dificuldade para passar de uma câmara cardíaca a outra.

Já na insuficiência a válvula é mais aberta e não fecha completamente, permitindo o refluxo de sangue na direção contrária que deveria seguir (regurgitação).

O prolapso mitral é o deslocamento de um ou dois folhetos da válvula mitral. Nesta situação, a válvula que separa as câmaras superior e inferior do lado esquerdo do coração não fecha corretamente, podendo pequena quantidade de sangue retornar para a cavidade esquerda, dificultando a capacidade do coração para bombear o sangue, causa da regurgitação e insuficiência mitral. Quando ocorre a insuficiência, o prolapso é mais severo e o paciente pode sentir arritmia, tonturas, dificuldade na respiração, falta de ar e fadiga.

Entretanto, na maioria dos casos é inofensivo, e os pacientes geralmente não sabem que têm o problema, ou eventualmente podem sentir palpitação ou pontadas no peito.

O prolapso da válvula mitral pode ser consequência do crescimento anormal de uma das cúspides ou secundário a outras doenças cardíacas (como febre reumática e infarto) podendo ocorrer também após cirurgia valvular.

Qual o tratamento do prolapso da válvula mitral grave?
Caso o paciente apresente regurgitação mitral grave ou os sintomas piorarem, poderá ser necessária uma cirurgia para reparar ou substituir a válvula.

A substituição da válvula mitral pode ser essencial se o ventrículo esquerdo estiver aumentando e o funcionamento do coração piorar. Alguns medicamentos poderão ser prescritos de forma paliativa na regurgitação mitral ou se outros problemas cardíacos também estiverem presentes.

Alguns medicamentos ajudam no controle das arritmias e na remoção do excesso de líquidos nos pulmões. Outros medicamentos podem ser indicados para evitar coágulos de sangue em casos de fibrilação atrial.

A complicação mais preocupante é a endocardite, mas também pode acontecer derrame, fibrilação atrial e outras arritmias.

Quais a doenças que provocam problemas nas válvulas cardíacas gerando o sopro?
As mais comuns de origem não congênita associadas valvulopatias são a endocardite, a miocardite, as doenças reumáticas (por reação autoimune), a febre reumática e as doenças degenerativas. Também pode ser devido a traumas que lesionam as valvas cardíacas, consequência de um infarto que comprometa a irrigação valvar ou até mesmo a calcificação e endurecimento da válvula cardíaca própria do envelhecimento.

Quais as outras causas do sopro relacionadas à infância?
O sopro pode ser de origem congênita por problemas de malformação cardíaca. Normalmente a ausculta do sopro é verificada pelo pediatra que deve pedir exames complementares para apurar se existe ou não gravidade, e o correto diagnóstico. É essencial um diagnóstico apurado antes que manifestações da doença comprometam o miocárdio da criança.

Que tipo de medicamentos ou cirurgias são realizados para o tratamento do sopro?

O tratamento medicamentoso irá sempre depender do problema cardíaco e fatores relacionados, como por exemplo:

Anticoagulantes: evitam a formação de coágulos prevenindo o infarto e o AVC.

Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA): reduzem a pressão arterial.

Betabloqueadores: reduzem a frequência cardíaca e a pressão arterial

Diuréticos: removem o excesso de fluídos do corpo

Estatinas: reduzem os níveis de colesterol no sangue (fator de risco para doenças cardíacas)

Digoxina: essa medicamento aumenta a resistência e o vigor das contrações do coração, o que é útil se o seu sopro cardíaco é causado por uma condição subjacente que enfraquece o músculo cardíaco.

Quanto ao tratamento cirúrgico pode ser necessária a substituição ou reparos na válvula com problema:

Reparo de suporte estrutural: o cirurgião substitui ou encurta cordões que suportam as válvulas para eliminar vazamentos.

Reparo do folheto da válvula: o cirurgião separa, corta ou dobra uma aba de válvula.

Annuloplastia: é colocado um anel artificial para apertar o tecido ao redor dá válvula, fechando as aberturas anormais.

Valvoplastia de balão: o cirurgião introduz um cateter com balão expansível para ampliar a válvula estreitada.

Como é o funcionamento das valvas no ciclo cardíaco normal?

Um ciclo cardíaco único inclui todos os eventos associados a um batimento cardíaco. No ciclo cardíaco normal os dois átrios se contraem, enquanto os dois ventrículos relaxam e vice versa. O termo sístole designa a fase de contração; a fase de relaxamento é designada como diástole.

Quando o coração bate, os átrios contraem-se primeiramente (sístole atrial), forçando o sangue para os ventrículos. Uma vez preenchidos, os dois ventrículos contraem-se (sístole ventricular) e forçam o sangue para fora do coração.

Para que o coração seja eficiente na sua ação de bombeamento, é necessário mais que a contração rítmica de suas fibras musculares. A direção do fluxo sanguíneo deve ser orientada e controlada, o que é obtido por quatro valvas já citadas anteriormente: duas localizadas entre o átrio e o ventrículo - atrioventriculares (valva tricúspide e bicúspide); e duas localizadas entre os ventrículos e as grandes artérias que transportam sangue para fora do coração - semilunares (valva pulmonar e aórtica).Complemento: As valvas e válvulas são para impedir este comportamento anormal do sangue, para impedir que ocorra o refluxo elas fecham após a passagem do sangue.

Clique no link e leia mais artigos na categoria de Cardiologia

Medicina, mitos e Verdades: Cardiologista Prof. Dr. Bernardino Tranchesi Jr.