Domingo, 24 de Julho de 2016
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SÍNDROME DO PÂNICO

08 de Setembro, 2013
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SÍNDROME DO PÂNICO

Todos nós temos um determinado estado de humor que flutua entre um polo de maior ansiedade e um polo de maior depressão, em torno de um ponto de normalidade, levando em consideração os aspectos particulares de nosso dia a dia. Este é um fenômeno normal. Quando esta polarização torna-se exacerbada e passa a interferir em nosso cotidiano, passamos a ter uma situação patológica, seja de "ansiedade doença" ou de "depressão doença".

A "ansiedade doença" representa uma situação em que nosso organismo está preparado para uma reação de ataque ou fuga que, entretanto, é independente da intensidade do estímulo que a desencadeia. Ela pode ser crônica ou aguda (passageira).

O neurologista Prof. Dr. Milberto Scaff esclarece que quando ela se torna crônica, ou seja, manifestada com frequência, é caracterizada a chamada síndrome do pânico que, normalmente, se apresenta por episódios de:

• sensação de morte iminente,

• despersonalização (flutuação e leveza),

• medo de perder o controle ou “enlouquecer”,

• ou até mesmo a impressão de estar tendo um ataque cardíaco.

Qualquer uma dessas sensações provoca desespero na pessoa, com uma necessidade urgente de escapar daquela situação. Normalmente são acompanhadas de uma série de reações orgânicas tais como:

• palpitações,

• sudorese,

• tremores,

• falta de ar,

• formigamento,

• arrepios e calores,

• dor ou pressão no peito,

• náuseas ou mal-estar abdominal,

• sensação de tontura ou queda.

Os sintomas surgem independente de haver ou não, uma causa emocional associada. O início é súbito e evolui até atingir um pico máximo por volta de 10 minutos. Nessa situação, alguns simples contextos podem desencadear a crise, tais como permanecer em locais muito fechados ou extremamente amplos, estar dentro de veículos automotores em situações de trânsito caótico, ou exercer atividades profissionais com alto nível de expectativa.

Muitas vezes, exames são realizados para que patologias clínicas sejam descartadas (patologias cardíacas, patologias de tireoide, formas psíquicas de epilepsia etc.), porém o diagnóstico da doença do pânico é eminentemente clínico.

Existem estudos que demonstram que a infusão de lactato endovenoso ou o uso de antagonistas de diazepínicos (flumazenil) podem desencadear pânico, confirmando a hipótese clínica. Esses métodos, porém, só são usados em pesquisas, não tendo aplicabilidade clínica.

A causa exata da síndrome do pânico não é conhecida, mas sabe-se por alguns estudos que há um descontrole do sistema nervoso vegetativo — o que controla, entre outros, a frequência cardíaca e respiratória, o suor do corpo, a salivação — mediado por substâncias químicas (conhecidas como neurotransmissores) como a adrenalina, a noradrenalina e a serotonina, adaptando-se mais lentamente aos estímulos repetitivos e respondendo excessivamente aos estímulos moderados.

O tratamento pode ser feito de forma não farmacológica (terapia, por exemplo) e de forma farmacológica. Curiosamente, as drogas que melhor funcionam são aquelas denominadas antidepressivas, sejam os antidepressivos tricíclicos, ou os de nova geração (inibidores seletivos de recaptação de serotonina, como a fluoxetina). A doença do pânico tem melhor controle através da medicação e, muitas vezes, o tratamento prolongado pode levar à cura do paciente.


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