Todas as doenças que provocam tremores, postura rígida e dificuldade para locomoção são caracterizadas como distúrbios do movimento. Dentre elas, a mais comum é o Parkinsonismo. Diversas causas têm sido descobertas para o Parkinsonismo, inclusive causas medicamentosas. A Doença de Parkinson propriamente dita pode ocorrer em qualquer idade, mas a sua incidência aumenta com a idade. Nos dias atuais, o envelhecimento populacional explica a maior importância da mesma. Causas genéticas podem levar à ocorrência dessa doença em famílias de pacientes jovens, inclusive na terceira a quarta décadas de vida. 

Em neurologia, denominamos síndrome parkinsoniana o conjunto de sinais e sintomas assim descritos: 
• Tremor: geralmente ocorrendo no repouso (o que o diferencia dos demais tremores), que ocorrem na manutenção de uma atitude e na ação. Costuma ser mais evidenciado nas mãos, tendo o caráter de “contar moedas”;
• Rigidez muscular: os músculos não recebem "ordem" para relaxar.
• Oligocinesia: se refere à diminuição da velocidade de movimentos que o parkinsoniano apresenta. Isto o leva a andar lentamente, executar atividades de forma vagarosa, falar em baixo tom e de forma monótona. 
• Déficit de movimentos involuntários automáticos: especificamente na doença de Parkinson, durante sua evolução, alguns movimentos involuntários diminuem gradativamente. No início da doença de Parkinson observa-se que um dos braços se movimenta durante o andar, enquanto o outro fica imóvel. Depois, ambos se tornam imóveis. As pálpebras também passam a piscar cada vez menos.

A síndrome parkinsoniana pode ser devida a várias causas:
Doença de Parkinson: doença degenerativa que, geralmente, ocorre em indivíduos a partir dos 50 anos, embora existam formas juvenis de doença de Parkinson;
Parkinsonismo secundário: ocorre pela utilização de certas medicações (flunarizina, clorpromazina etc.), após infecções do sistema nervoso central (encefalites), ou após intoxicações (por monóxido de carbono, por exemplo);
• Parkinsonismo plus: trata-se de patologia na qual, além da síndrome parkinsoniana, ocorrem também manifestações indicando lesões de outras estruturas do sistema nervoso central. Além disso, normalmente, não apresenta resposta satisfatória a medicamentos tal como na doença de Parkinson.   

Um critério importante para se diferenciar a genuína doença de Parkinson de outras formas de parkinsonismo, é a resposta a levodopa. Salvo raras exceções, os indivíduos com Doença de Parkinson responderão favoravelmente ao medicamento, o que nem sempre ocorre no parkinsonismo secundário. No entanto, a melhora do quadro clínico de um indivíduo na fase inicial da Doença de Parkinson, onde geralmente se observa apenas leve tremor unilateral pode não ser verificada e não está indicada.

Independentemente da causa da síndrome parkinsoniana, o problema decorre da disfunção de uma área do sistema nervoso central chamada substância negra, que produz uma substância denominada dopamina, fundamental nos mecanismos cerebrais de movimento - veja a ilustração. Em relação especificamente à doença de Parkinson, trata-se de processo degenerativo no qual, por razões não muito claras, células da substância negra degeneram e deixam de produzir dopamina. Vários mecanismos têm sido aventados: fatores constitucionais (embora as formas genéticas da doença de Parkinson sejam raras) e fatores tóxicoambientais.

A doença de Parkinson é uma patologia que afeta fundamentalmente os mecanismos motores, porém existe uma maior incidência de quadros demenciais em pacientes portadores da doença, em relação a indivíduos não portadores. Discute-se se isto seria devido à associação de outras patologias próprias da idade, como por exemplo a doença de Alzheimer, ou não. O que é bastante frequente nesta doença é a presença de quadros depressivos que, às vezes, acompanham ou mesmo precedem o aparecimento do quadro parkinsoniano.

O diagnóstico precoce facilita medidas terapêuticas medicamentosas ou não. A associação com alteração no olfato no quadro inicial da doença de Parkinson é um achado recentemente descoberto. Nos últimos anos, tem aumentado o número de medicações com função de controle dos distúrbios do movimento. Além disso, medicações com ação neuroprotetora têm sido usadas com sucesso nesses pacientes no quadro inicial da doença. Mais importante é a possibilidade terapêutica com uso de estimulação magnética transcraniana, em casos avançados, para regular os neurônios localizados nos gânglios da base cerebral, área afetada na doença de Parkinson.

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Conteúdo do livro MEDICINA — MITOS & VERDADES (Carla Leonel ). Perguntas e Respostas. Capítulo de neurologia. Médico responsável Prof. Dr. Milberto Scaff (Prof. Titular de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/FMUSP). Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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