Rinite alérgica significa a manifestação de uma reação alérgica da mucosa nasal. No nariz, mais especificamente na mucosa que o reveste, as pessoas alérgicas identificam a presença de alguma proteína estranha, por exemplo, proteínas que compõem o pó doméstico, pelo de animais, pólen das plantas, que desencadeia a formação principalmente de IgE, que se concentra localmente. Quando a IgE se combina com a proteína estranha na mucosa nasal promove uma reação com a liberação dos mediadores dos mastócitos, iniciando o edema (inchaço) da mucosa que leva à obstrução nasal, aumento da produção de secreção, coriza, além da irritação dos terminais nervosos sensitivos, provocando espirros e coceira no nariz. Quando a rinite é associada a produção de secreções e obstrução nasal dá-se o nome de rinossinusite.

O otorrino Prof. Dr. Oswaldo Laércio M. Cruz, autor do capítulo de otorrinolaringologia do livro Medicina, Mitos e Verdades (Carla Leonel), explica que esse erro operacional do aparelho imunológico é determinado geneticamente e não existe, pelo menos por enquanto, tratamento definitivo, ou seja, a cura do problema. Entretanto, é possível minimizá-lo adotando alguns cuidados e tratamentos. Existe também a possibilidade, bastante comum, de que o programa genético da pessoa portadora da rinite determine um arrefecimento do quadro a partir de certa idade, usualmente ao redor dos 18 anos, para a rinite.

Enquanto não chega a fase de melhora espontânea, as orientações principais são:

Cuidados ambientais para exclusão dos antígenos principais: o pó doméstico, o mofo, a lã ou pelo de cachorro ou gato, são frequentemente causadores da reação alérgica. Assim, uma boa maneira de diminuir a alergia é a identificação e a eliminação do contato com esses elementos;

• O alérgico deve morar em casas bem ventiladas e ensolaradas. Deve evitar contato com roupas e cobertores de lã, não sendo aconselhável ter animais em casa. A sua casa deve ser higienizada com produtos de limpeza sem odores fortes. Os travesseiros também merecem cuidados especiais (clique no link e leia a matéria completa).

• Alguns alimentos podem, também, atuar como alérgenos e piorar a rinite, especialmente nas crianças. Os principais alérgenos alimentares são: leite de vaca, chocolate, frutos do mar, além de corantes e conservantes;

• É também frequente o desencadeamento dos sintomas nasais quando da ocorrência de alguns estímulos físicos, como variação de temperatura, incidência de luz e trauma local. É por essa razão que algumas pessoas espirram muito quando muda o tempo, quando levantam pela manhã e entram no banheiro (normalmente mais frio que o quarto), quando olham para o sol ou quando sofrem uma batida no nariz, por exemplo. Para as pessoas sensíveis a esses fatores, o cuidado em proteger-se desses estímulos pode evitar várias crises;

• A prática de esportes é extremamente importante para o alérgico, pois o condicionamento respiratório desencadeia reflexos que tornam a mucosa respiratória mais resistente a crises. Uma observação importante deve ser feita em relação à natação. Consagrado como um dos esportes mais completos, poderá não ser tão interessante para os portadores de rinite, devido aos produtos químicos utilizados no tratamento da água, especialmente o cloro. Os pacientes portadores de rinite alérgica devem nadar sob observação e, se ficar evidente que o seu nariz piora após a piscina, é recomendável que pratiquem outros esportes.

Em relação ao tratamento, normalmente pode-se dividi-lo em duas etapas: o combate à crise e, depois, a sua manutenção ou prevenção.

• As crises são tratadas com medicamentos antialérgicos, tipo anti-histamínicos, ou, nos casos mais graves, com corticosteróides (derivados da cortisona). Essa fase do tratamento dura em torno de 10 a 15 dias.

•  A manutenção ou profilaxia (prevenção) do combate às crises pode ser feita com anti-histamínicos, medicamentos chamados estabilizadores de membrana (que evitam a liberação dos mediadores pelo mastócito), limpeza nasal e os cuidados ambientais já referidos. Nessa fase preventiva do tratamento poderá também ser útil a chamada dessensibilização (vacinas), elaborada a partir da identificação dos alérgenos principais.

• Descongestionantes nasais só devem ser utilizados caso exista indicação médica. Dentre os efeitos deletérios deste tipo de remédio é o desenvolvimento da rinite medicamentosa.

Qualquer que seja o tratamento escolhido é fundamental a participação do paciente e seus pais, no caso das crianças, no sentido de observar-se uma disciplina quanto à utilização dos medicamentos e, especialmente, na observação dos cuidados ambientais para evitar o contato com os elementos desencadeadores da alergia. O tratamento da rinite é importante não apenas porque alivia os sintomas, mas porque pode evitar o aparecimento de complicações como sinusites, pólipos nasais e aumento (hiperplasia) irreversível da mucosa nasal, com obstrução permanente e consequente respiração bucal.

ENTENDA MELHOR O QUE É A ALERGIA
Alergia é uma reação imunológica não ideal (chamada de hipersensibilidade) em resposta a alérgenos (agentes estranhos, principalmente proteínas) que entram em contato com nosso organismo e desencadeiam a formação de anticorpos. Usualmente, esses elementos estranhos são logo identificados e capturados por glóbulos brancos especializados na identificação e apresentação de antígenos.

Após a identificação das frações mais características das proteínas estranhas que compõem o agente ou corpo estranho em questão, essa primeira célula branca apresenta as informações obtidas de um segundo glóbulo branco, chamado linfócito T. O linfócito T armazena na memória do sistema imunológico as características do antígeno, que servirão como uma impressão digital do agressor, e promove uma resposta que visa a neutralização do mesmo.  Para efetivar essa resposta, o linfócito T libera um mediador intercelular (uma espécie de hormônio) que ativa um terceiro glóbulo branco, o linfócito B, a partir do qual iniciará a produção de uma proteína chamada anticorpo ou imunoglobulina (Ig). Esse anticorpo é capaz de identificar de forma específica a proteína contra a qual foi produzido e, ao combinar-se com ela, promover a sua inativação.

Em condições normais, as imunoglobulinas produzidas são do tipo IgG e IgM. Os alérgicos, entretanto, produzem a imunoglobulina E (IgE) em número superior às outras. Essa imunoglobulina tem a particularidade de circular acompanhada por um outro tipo de glóbulo branco, o mastócito, que armazena no seu interior algumas substâncias químicas, como histaminas e cininas. Quando a IgE combina-se com o antígeno, o mastócito libera toda a sua carga química na região onde ocorreu a reação antígeno/anticorpo, desencadeando uma forte reação inflamatória local, fato que não acontece com as outras imunoglobulinas IgG e IgM.  

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Conteúdo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) - Editora CIP. Perguntas e Respostas em 22 especialidades médicas. Proibida a reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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