QUANDO UMA PESSOA É CONSIDERADA OBESA

Existem várias maneiras de conceituar a obesidade. Embora o conhecimento intuitivo de que obesidade traz riscos à saúde exista desde o tempo de Hipócrates, a tentativa de determinar um limite entre o peso normal e o excesso de peso é bem mais recente. Teve início na década de 50, quando companhias de seguros americanas começaram a cobrar taxas diferenciadas para segurados obesos em virtude do aumento da mortalidade desses indivíduos, quando comparados com pessoas de peso normal. A partir disso, surgiram as primeiras tabelas de peso e altura que, desde então, sofreram poucas modificações. Durante muito tempo, essas tabelas foram utilizadas nos consultórios de endocrinologistas, orientando o assim chamado peso alvo (peso ideal). Atualmente, o cálculo de peso normal, tanto na prática diária como também em estudos epidemiológicos internacionais, é realizado através do índice de massa corpórea. O cálculo é simples: basta dividir o peso pela altura ao quadrado (utilizar as unidades kg, para o peso, e metro, para a altura).

O número resultante classificará o indivíduo dentro de cinco possibilidades:
1. Magro demais (<19)
2. Peso normal (19  - 25)
3. Excesso de peso leve (25,1 - 30)
4. Obeso (30,1 - 40)
5. Obeso grave (>40)

Observe o exemplo abaixo:
58 quilos  ÷  (1,64 x 1,64)  =
58 ÷ 2,6896  =  21,56   
Resultado: Peso normal.

O endocrinologista Prof. Dr. Alfredo Halpern, autor do capítulo de Endocrinologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel),  alerta sobre os riscos causados pela falta ou excesso de peso assim como esclarece as consequências que recaem nas diferentes deposições da gordura corporal.

Indivíduos magros demais têm aumento da incidência de doenças, particularmente certas infecções e alguns tumores. O mesmo ocorre com indivíduos com excesso de peso, obesidade e obesidade grave. Evidentemente, a morbidade (incidênciade doenças) é tanto maior quanto maior for o grau de obesidade (ou seja, o número obtido). Desse modo, o benefício para um indivíduo que passa do índice de massa corpórea 45 para 35 é enorme, embora ele ainda seja considerado obeso.

O índice de massa corpórea, entretanto, não é perfeito. Indivíduos muito musculosos ou edemaciados (com excesso de água no corpo) podem ter índices considerados anormais. Desse modo, pelo menos em algumas pessoas, métodos que avaliam a quantidade de gordura corporal, de "massa magra" corporal (primordialmente músculo, osso, sangue, vísceras e água) e de água corporal têm grande utilidade.

Existem vários métodos para a medição, mas o mais aconselhável, em nossa opinião, é o de bioimpedância (ou impedância bioelétrica), que reúne praticidade, rapidez e precisão, havendo situações na prática clínica em que é de muita utilidade. Considera-se normal uma porcentagem de gordura corporal menor que 30% para mulheres e 25% para homens. Já o índice de massa corpórea, além de não avaliar a composição corporal, também não é capaz de avaliar a distribuição regional de gordura.

Hoje é sabido que a gordura "visceral" (localizada nos órgãos internos do abdome e nos vasos) é a grande vilã, sendo causa de doença cardíaca coronariana, derrame cerebral, hipertensão arterial (pressão alta) e diabetes, entre outras doenças. Dessa forma, pessoas com abdome proeminente têm uma obesidade mais patológica (propensa a doenças), quando comparadas a pessoas com aumento da gordura nos quadris.

Homens com índice de massa corpórea normal (e, portanto, nem mesmo classificados como obesos), mas com aumento da gordura abdominal, também têm risco das doenças citadas acima. Na realidade, a simples medida da circunferência do abdome na altura da cintura é um meio útil de avaliar risco para doenças arteriais. Valores acima de 100 cm (1 metro) para homens, ou acima de 90 cm para mulheres indicam obesidade "abdominal", sendo altamente perigosos.

A lista de doenças agravadas pela obesidade ou associadas a ela é muito grande. Obesidade pode acarretar doenças cardíacas, vasculares (nos vasos sanguíneos), respiratórias, digestivas, hormonais, renais, da pele, das juntas e músculos. Pode ocasionar ainda alterações da função sexual e reprodutora, distúrbios psicológicos e de ajuste social, e aumento da incidência de alguns cânceres.

• No coração, leva à doença coronariana prematura, aumento do tamanho do coração, hipertensão arterial e arritmias.

• Nos vasos sanguíneos, pode ocasionar derrame cerebral, varizes, hemorróidas e trombose.

• Na parte respiratória, pode levar a apneia (parada respiratória) durante o sono, hipertensão pulmonar, roncos e aumento excessivo dos glóbulos vermelhos.

 Doenças digestivas como colelitíase ("pedras" na vesícula biliar), esteatose do fígado (infiltração gordurosa) e até mesmo cirrose, além de outras doenças como diabetes, gota (aumento do ácido úrico com inflamação das juntas), aumento de colesterol e/ou aumento de triglicérides podem ser ocasionadas ou favorecidas pelo excesso de peso.

 A obesidade causa estrias na pele, acantose (manchas acinzentadas na região do pescoço, das virilhas e das axilas), hirsutismo (excesso de pelos em regiões não habituais em mulheres), fissuras e calos nas plantas dos pés. Pode causar também dores nas juntas, principalmente artrose de joelho e de coluna, esporão de calcâneo (calcificação de um tendão que se localiza no calcanhar, levando a dor) e agravamento de defeitos de postura já existentes.

 Mulheres obesas têm aumento da incidência de câncer de útero e de mama, podem ter gestações mais complicadas (risco maior de hipertensão, de diabetes e de trabalho de parto prolongado), têm fertilidade reduzida e os ciclos menstruais são, com frequência, irregulares.

• Os riscos anestésicos e cirúrgicos são maiores, há propensão à acidentes (devido à menor agilidade física) e até mesmo outras doenças são menos diagnosticadas: a gordura excessiva dificulta o exame pelo médico e alguns aparelhos médicos não são preparados para serem usados por pacientes com peso excessivo.

Uma pessoa é considerada obesa quando apresentar aumento de, pelo menos, um dos três parâmetros citados nesta questão: índice de massa corpórea, porcentagem de gordura corporal ou circunferência abdominal. 

Lembre-se sempre. O combate a gordura não é apenas uma questão estética.  E agora, vamos cuidar da saúde?

Este conteúdo é do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) - Editora CIP. Capítulo de endocrinologia. Médico responsável Prof. Dr. Alfredo Halpern. Proibida reprodução total ou parcial do artigo e/ou imagem sem citar a fonte com o link ativo.

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