Ambliopia ou "olho preguiçoso" é uma doença que caracteriza-se pela visão diminuída por falta de uso. Ocorre, geralmente, em apenas um dos olhos e a causa pode ser desde estrabismo, pálpebra caída, catarata e até por erro de refração (miopia, hipermetropia ou astigmatismo). Explicando melhor. A criança ao nascer ainda não tem o sistema visual completamente formado e para que ele se desenvolva normalmente é importante ter condições adequadas. A visão se desenvolve do nascimento até os 9 anos de idade.

Se a visão de um olho da criança é muito melhor do que o outro, o cérebro da criança “esquece” aquele olho e enxerga somente pelo olho bom. Isso pode ser causado por estrabismo (“olho torto”, um olho desalinhado em relação ao outro), pelo “grau” de um olho ser muito diferente do outro (erro de refração)  ou por causas menos comuns como catarata congênita (criança que já nasce com catarata). "O que acontece na verdade, é que a gente não enxerga com os olhos, e sim com o cérebro”, explica o oftalmologista Dr. Mauro Plut, autor do capítulo de oftalmologia pediátrica do livro MEDICINA MITOS E VERDADES (Carla Leonel).

A ambliopia se não tratada precoce e adequadamente pode causar redução permanente do olho ruim, pois o cérebro não consegue mais reconhecer as imagens captadas por esse "olho preguiçoso". É  uma das principais causas de cegueira em pessoas com menos de 40 anos e afeta aproximadamente 2% das crianças.

O tratamento da ambliopia é uma das partes mais importantes da oftalmologia pediátrica e da terapêutica do estrabismo. De nada adianta realizar cirurgia tecnicamente perfeita, de catarata ou ptose palpebral (pálpebra caída) por exemplo, se não houver tratamento adequado da ambliopia. “O tratamento da ambliopia é barato, não invasivo e o bom resultado é extremamente gratificante para o médico. A criança também é envolvida, pois a colaboração com o médico, a aderência ao tratamento e o esforço pessoal são determinantes na recuperação da acuidade visual”, ressalta Dr. Plut.

O tratamento pode ser resumido na oclusão do olho bom com tampão até a recuperação da visão do olho amblíope, estimulando dessa forma o “olho preguiçoso” a enxergar. A oclusão geralmente é indicada após o paciente estar usando os óculos. Se o erro de refração for pequeno, pode-se iniciar o tratamento oclusivo antes dos óculos estarem prontos. Na prática diária, entretanto, o tratamento da ambliopia não é tão simples devido aos diversos fatores envolvidos, já que resulta da mistura de ciência, experiência pessoal e arte do médico.

DR. MAURO PLUT. Médico Oftalmopediatra da Clínica Oftalmológica do Hospital Israelita Albert Einstein e autor do capítulo de oftalmologia pediátrica do livro MEDICINA MITOS E VERDADES (Carla Leonel), Editora CIP. Artigo do livro. Proibida reprodução parcial ou total sem citar a fonte com o link.

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