O diabetes e a hipertensão representam um pré-natal de alto risco e ambas são as principais causas de morbimortalidade materna no Brasil. Quando o diabetes ocorre durante a gravidez, manifesta-se por uma sobrecarga hormonal causada pela gestação. Pode-se concluir que o diabetes gestacional costuma ser um aviso de uma tendência para a manifestação posterior de um diabetes não relacionado à gravidez.

Segundo o Prof. Dr. Thomaz Gollop, o diabetes gestacional tem, normalmente, uma evolução benigna e é mais facilmente compensável (tratado) que aquele observado em paciente anteriormente diabética.  Se não for tratado adequadamente, o diabetes predispõe a uma frequência maior de malformações no feto e também produzirá bebês muito grandes (acima de 4 quilos), exigindo maiores cuidados durante o parto.

A hiperglicemia da mãe provoca um aumento da secreção de insulina no bebê (hormônio que "queima" glicose). Após o nascimento, essa insulina abaixa os níveis de glicose do recém-nascido, devido à ausência da grande fonte de glicose existente na vida uterina, provocando a hipoglicemia (queda nos níveis de glicose no sangue) e fazendo com que necessite de correção. Os tremores são a representação mais comum da hipoglicemia no recém-nascido.

A SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES esclarece que o diabetes gestacional pode ocorrer em qualquer mulher. Não é comum a presença de sintomas. Por isso, recomenda-se que todas as gestantes pesquisem, a partir da 24ª semana (início do 6º mês) de gravidez, como está a glicose em jejum e, mais importante ainda, a glicemia após estímulo da  ingestão de glicose, o chamado teste oral de tolerância a glicose .O diagnóstico é feito caso a glicose no sangue venha com valores iguais ou maiores a 92 mg/dl no jejum ou 180 mg/dl e 153 mg/dl respectivamente 1 hora e 2 horas após a ingestão do açúcar.

Algumas mulheres tem maior risco de desenvolver a doença e devem estar mais atentas. São considerados fatores de risco para o diabetes gestacional:  idade materna mais avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, sobrepeso ou obesidade, síndrome dos ovários policísticos, história prévia de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional, história familiar de diabetes em parentes de 1º grau , história de diabetes gestacional na mãe da gestante, hipertensão arterial sistêmica na gestação e gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

O controle do diabetes gestacional é feito na maioria das vezes através de uma orientação nutricional adequada. A gestante necessita ajustar para cada período da gravidez as quantidades dos nutrientes.

A prática de atividade física é uma medida de grande eficácia para redução dos níveis glicêmicos. A atividade deve ser feita somente depois de avaliada se existe alguma contraindicação, como por exemplo, risco de trabalho de parto prematuro.

Aquelas gestantes que não chegam a um controle adequado com dieta e atividade física tem indicação de associar uso de insulinoterapia.

O uso da insulina é seguro durante a gestação e o objetivo da terapêutica é a normalização da glicose materna, ou seja, manter níveis antes das refeições menores que 95 mg/dl e 1 hora após as refeições menores que 140 mg/dl.

É importante destacar que a maioria das gestações complicadas pelo diabetes, quando tratada de maneira adequada, irá ter um excelente desfecho e os bebês nascerão saudáveis.

Aproximadamente seis semanas após o parto a mulher que teve diabetes gestacional deve realizar um novo teste oral de tolerância a glicose, sem estar em uso de medicamentos antidiabéticos.

O histórico de diabetes gestacional é um importante fator de risco para desenvolvimento de diabetes tipo 2 ao longo da vida adulta e na senilidade. 

O aleitamento materno pode reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes permanente após o parto. O desenvolvimento de diabetes tipo 2 após o parto frequentemente é prevenido com  a manutenção de uma alimentação balanceada  e com a prática regular de atividades físicas.

Quanto a causa da hipertensão específica da gravidez, ou seja, aquela que está diretamente relacionada à gestação, ainda é desconhecida. Segundo o Prof. Thomaz Gollop, costuma ocorrer mais frequentemente durante a primeira gestação. Os principais sintomas são:
• edema (inchaço): será significativo quando de aparecimento súbito ou quando alcançar mãos e face;
• dor de cabeça persistente;
• alterações visuais;
• perda de proteínas pela urina.

Se não for convenientemente tratada, pode resultar em convulsões da mãe e em morte fetal. “É importante salientar que as complicações da hipertensão específica na gravidez podem ser todas evitadas com atendimento médico adequado e acompanhamento pré-natal”, esclarece o médico.

A informação é uma forma de prevenção. Conhecendo as causas e sintomas das doenças elas podem ser tratadas precocemente evitando complicações. Compartilhe com seus amigos esta notícia.  

Prof. Dr. Thomaz Rafael Gollop: Diretor Superintendente do Instituto de Medicina Fetal e Genética Humana de São Paulo; Coordenador do Serviço de Cirurgia do Assoalho Pélvico do Hospital Pérola Byington – SUS/SP, desde 2006 e autor do capítulo de Ginecologia, Genética e Obstetrícia do Livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel)
Dra. Lenita Zajdenverg: Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Coordenadora do Serviço de Diabetes e Gravidez da Maternidade Escola da UFRJ

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