Desde 2013, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) passou a recomendar que não se organizassem programas de exames preventivos para o câncer da próstata, e os homens que espontaneamente procurasse seus médicos para a realização desses exames, fossem informados sobre os riscos e benefícios associados a essa prática, "por existirem evidências científicas de boa qualidade de que os exames preventivos do câncer de próstata produz mais dano do que benefício para a população masculina que esteja fora do grupo de risco". Outras entidades reconhecidas internacionalmente, como o Canadian Task Force on Preventive Health Care, o American Academy of Family Physicians e o United Kingdom National Screening Comittee, fazem recomendações semelhantes.

A campanha NOVEMBRO AZUL diz que "a única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce", e recomenda que todos os homens com mais de 50 anos (ou 45, no caso de negros e parentes de primeiro grau de indivíduos que tiveram a doença) procurem anualmente um urologista para fazer o exame de toque retal e a dosagem de PSA no sangue.

A polêmica está instalada e nós estamos aqui para esclarecer estas questões a você.

PRÓSTATA E FUNÇÃO

A próstata é uma glândula sexual exclusivamente masculina, situada abaixo da bexiga, com o formato parecido ao de uma castanha. Tem a função de produzir o fluído que protege e nutre os espermatozoides no sêmen (esperma), tornando-o mais líquido.  Cerca de 30% do volume ejaculado corresponde a secreções fabricadas pela próstata.

TUMOR NA PRÓSTATA

A próstata pode ser acometida, principalmente, por dois tipos de tumores:

Tumor benigno: hiperplasia benigna da próstata, também conhecida como HBP ou adenoma (tumor na glândula). Tal como o nome já diz, significa aumento benigno do tamanho da próstata. Portanto, não é câncer.

No adulto saudável, a próstata pesa, aproximadamente, 20 g. Na HBP pode chegar a pesar até 90 g. O aumento da próstata é comum em homens com mais de 50 anos e isso não representa risco aumentado para o câncer de próstata.

Tumor maligno: adenocarcinoma, que é o câncer da próstata.  A palavra aden vêm do grego e significa glândula. Oma, tumor. E carcinoma, câncer.

Enquanto 30 de cada 100 homens, em média, terão de se submeter a cirurgia para tratamento da hiperplasia benigna, a incidência do câncer da próstata varia com a idade e é mais alta quanto mais velho for o paciente. Pelas estimativas do INCA, este ano (2016), 61.200 homens serão vítimas do câncer de próstata no Brasil.

O CÂNCER DE PRÓSTATA

Tal como os outros tipos de câncer, o câncer da próstata é resultado da multiplicação desordenada de células malignas na próstata. Em estágio avançado, essas células dirigem-se aos gânglios linfáticos (metástase) podendo alcançar, principalmente, os ossos e pulmões. O sintoma mais comum nesta fase é a dor óssea, emagrecimento e fraqueza, com elevado risco de morte.

A grande maioria, porém, cresce de forma lenta, e pode demorar entre 6 meses até 20 anos para se desenvolver, o que gera uma polêmica gigantesca quanto a necessidade da biópsia da próstata (exame que confirma o câncer), já que este procedimento pode trazer complicações desnecessárias ao paciente. O benefício da exatidão do diagnóstico não compensaria potenciais malefícios do procedimento em pacientes sem sintomas e fora do grupo de risco, pois os poucos tumores que se desenvolvem apresentarão sintomas e, neste caso SIM, justificaria a biópsia e o início do tratamento com a agilidade necessária para a cura.

No grupo de risco faz parte homens que tenham irmãos ou pais que tiveram câncer de próstata antes dos 50 anos e também indivíduos da raça negra que apresentam incidência e mortalidade mais elevadas, em relação a indivíduos da raça branca.

FIQUE ATENTO AOS SINTOMAS

Por ter um crescimento lento, normalmente não apresenta sintomas na fase inicial. Mas pela próstata estar localizada na parte inicial da uretra e abaixo da bexiga, os primeiros sintomas que indicam o crescimento do tumor estão relacionados a obstrução da micção, semelhantes aos que ocorrem na hiperplasia benigna da próstata:

• Jato urinário fraco, intermitente, dificultoso e com gotejamento final;

• Aumento da frequência diurna de micção e nictúria, ou seja, acordar uma ou mais vezes durante a noite para urinar;

• Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;

• Urgência miccional, caracterizada pela necessidade imperiosa de urinar.

EXAMES PREVENTIVOS

O exame preventivo do câncer da próstata consiste basicamente na realização de consulta urológica e exames subsidiários, caso necessário.

Consulta: é feita avaliação dos eventuais sintomas e, também, o exame físico, que consiste principalmente no exame digital da próstata, efetuado através de toque retal (introdução do dedo pelo ânus). Esse exame, constrangedor e temido por muitos homens, principalmente por questões culturais e de preconceito machista, não é doloroso e permite a obtenção de informações muito valiosas para o médico, como o tamanho da glândula, sua consistência, presença de nódulos ou de áreas endurecidas.

Exames: a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) é o exame de sangue mais importante e controverso na atualidade. Tem como base, o fato de que no câncer da próstata, a produção dessa substância pode estar até 10 vezes mais elevada. Porém, como medida de prevenção ao câncer de próstata, é válido apenas em conjunto com a avaliação do médico pelo toque retal e a existência de sintomas, para evitar resultado falso positivos, com biópsias desnecessárias, em homens que não façam parte do grupo de risco.

A realização desnecessária de biópsia prostática pode, em alguns casos, causar sequelas do tratamento tais como, incontinência urinária ou impotência sexual e por isso, estes riscos não compensariam a biópsia sem indicações estritamente precisas.

Em nota, o Ministério da Saúde esclarece: “apenas os exames de PSA e toque retal, não conseguem diferenciar cânceres graves e mortais, de cânceres que cresceriam lentamente e não viriam a matar o homem. Ou seja, muitos acabam tendo os malefícios desnecessariamente, por uma biópsia realizada devido a um resultado de PSA falso positivo”.

Os estudos que levaram a essas recomendações acompanharam milhares de homens por mais de dez anos, e mostraram que fazer PSA com ou sem toque retal não diminui a mortalidade geral dos homens, e muda muito pouco a mortalidade específica por câncer de próstata. Em outras palavras, homens que fazem o exame não morrem mais velhos, e morrem muito pouco menos de câncer de próstata.

A dosagem do PSA pode se apresentar elevada por outros fatores que não implica necessariamente, no diagnóstico de câncer da próstata, tais como: hiperplasia benigna da próstata, prostatites agudas, massagem prostática, relação sexual e exame de ultrassom transretal.

TIPOS DE CÂNCER E TRATAMENTO

O tratamento do câncer da próstata depende, fundamentalmente, da idade do paciente, do grau de diferenciação celular do tumor e do estágio em que o tumor se encontra: ou seja, se está restrito à próstata, se atingiu estruturas vizinhas, se comprometeu gânglios linfáticos ou órgãos à distância (metástase).

1. Nos tumores confinados à próstata, o tratamento é cirúrgico com a prostatectomia radical (retirada total da próstata).

2. Nos pacientes em que o tumor ultrapassa apenas localmente os limites da próstata, classicamente está indicado o tratamento com radioterapia, a qual também tem sido usada nos tumores localizados, porém com resultados de cura inferiores aos da prostatectomia radical.

3. Os tumores disseminados para gânglios ou órgãos distantes (metástase) são tratados com hormonioterapia, a qual permite apenas o controle da doença, sem caráter curativo.  O crescimento do câncer de próstata é hormônio-dependente, especificamente do hormônio masculino, testosterona. Esse tratamento tem como fundamento abolir a ação da testosterona, por meio do bloqueio de sua síntese ou de sua ação sobre a próstata. Em último caso, o bloqueio pode também ser realizado pela remoção cirúrgica dos testículos, local da síntese de testosterona. Clique no link azul e leia artigo completo sobre Hormonioterapia

COMPLICAÇÕES E CONSEQUÊNCIAS SEXUAIS APÓS A CIRURGIA NA PRÓSTATA

A remoção cirúrgica da próstata pode ser necessária não apenas em casos de câncer, como também na hiperplasia benigna. Os aspectos técnicos cirúrgicos e as consequências são muito distintos para cada caso.

Tanto a cirurgia da hiperplasia como do câncer podem ter complicações, que dependem da técnica utilizada e da habilidade do cirurgião. Em alguns casos pode ocasionar estreitamentos uretrais, provocando dificuldade para urinar ou incontinência urinária (perda do controle de micção). Quando ocorrem tais complicações, o paciente tem de se submeter à nova terapêutica para tratá-las.

As consequência da cirurgia da hiperplasia benigna da próstata representa uma diminuição do volume ejaculado, pois, como já foi dito anteriormente, a próstata é responsável por 30% do esperma. Entretanto, devido às alterações decorrentes da cirurgia, o restante do líquido, no momento da ejaculação, desemboca na bexiga ao invés de sair pelo pênis. O homem passa a ter um orgasmo seco, e o esperma é eliminado junto com a urina, no momento da micção.

Na prostatectomia radical, o orgasmo também é seco, porém não existe mais a formação de esperma no indivíduo. Vale ressaltar que essas alterações não alteram a libido e o prazer.

Existe um grande misticismo relacionando a próstata ao desempenho sexual masculino. É importante ressaltar que a próstata não desempenha qualquer papel no mecanismo de ereção peniana ou na libido (desejo sexual). Por outro lado, a integridade do feixe vasculonervoso (por onde passam as artérias e nervos) que atinge os corpos cavernosos do pênis é fundamental para o processo de ereção, e ele pode, com alguma frequência, ser lesado durante a cirurgia para cura do câncer da próstata, pois passa adjacente à cápsula da glândula. Dessa forma, pode ser comprometida a potência, mas não a libido do paciente. Já nas cirurgias para correção da hiperplasia benigna da próstata, a ocorrência de lesão do referido feixe é muito remota. Clique no link azul para ler o artigo completo sobre As complicações e consequências nas cirurgias da próstata

Mesmo que devido à cirurgia o paciente apresente distúrbio total ou parcial da ereção, deve-se lembrar, que o propósito da cirurgia é a cura de uma doença  potencialmente fatal. Além disso, os avanços na pesquisa e na terapêutica da impotência sexual permitem que praticamente todos os pacientes com transtornos de ereção peniana voltem a ter atividade sexual satisfatória.

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