O Prof. Dr. Cristiano Zerbini, Diretor do Centro Paulista de Investigação Clínica, Coordenador do Núcleo Avançado de Reumatologia do Hospital Sírio-Libanês e autor do capítulo de reumatologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) - Editora CIP, revela abaixo, os últimos avanços nos tratamentos das doenças reumatológicas. Conteúdo do livro.

A partir do ano 2000, uma nova classe de medicamentos foi introduzida na Medicina, trazendo um grande alento para os pacientes com doenças reumatológicas. Antes, vamos fazer uma pequena introdução em biologia para facilitar a compreensão de como agem e quais são essas novas medicações que, atualmente, já estão disponíveis para tratamento.

Uma inflamação ocorre quando nosso corpo precisa se defender da invasão de um agente infeccioso, como os "ataques" por vírus ou bactéria. Dizemos, então, que a inflamação foi gerada para nos defender de uma infecção. É assim que funciona nosso organismo. Nas doenças autoimunes, porém, a inflamação ocorre por um desequilíbrio do sistema imunológico, sem que exista infecção. O sistema autoimune começa a produzir anticorpos e por não existir inflamação causada pelos agentes infecciosos, ele passa a atacar e destruir as células sadias e órgãos do próprio organismo provocando então, por engano, a inflamação em nossos próprios órgãos. A causa desse desequilíbrio é desconhecida.

Vamos então entender o processo inflamatório. A palavra inflamação vem do latim "inflammatio" e significa atear fogo. O processo inflamatório é a reação do organismo a uma infecção ou lesão dos tecidos. Para que exista uma inflamação (que é o corpo se defendendo), é necessário que diferentes células trabalhem em conjunto, comunicando-se umas com as outras através de sinais. Podemos dizer que a inflamação é um campo de batalha e as células são os soldados que "conversam entre si" para iniciar a luta. As células enviam sinais umas para as outras e, estes sinais, chamam-se citocinas ou interleucinas. No caso das doenças autoimunes, por não existir os agentes infecciosos, é necessário impedir a inflamação já que os anticorpos atacam órgãos sadios como se fossem inimigos. Pesquisadores descobriram que se conseguirmos inibir estes sinais, estas citocinas, conseguimos impedir a inflamação e, portanto, parar a progressão das doenças autoimunes.

Os remédios imunobiológicos são substâncias que inibem as citocinas e, também, podem inibir diretamente as células que produzem as citocinas. Estes medicamentos são, na verdade, proteínas fabricadas por engenharia genética que se parecem muito com proteínas dos seres vivos e agem ligando-se às substâncias que causam a inflamação, inativando-as ou mesmo ligando-se às células que produzem as citocinas, impedindo o funcionamento destas células.

As citocinas mais importantes na produção da inflamação são: TNF (sigla inglesa para Tumor Necrosis Factor), IL-1 (interleucina 1) e IL-6 (interleucina 6). Embora o TNF tenha tumor na sua sigla, esta substância existe normalmente em nosso organismo e não tem nada a ver com tumor ou câncer. Como estas substâncias são importantes na geração da inflamação, sua inibição pode  melhorar muito os sintomas e sinais de uma doença inflamatória. Atualmente, temos na prática médica potentes inibidores destas substâncias.

Como inibidores do TNF temos o etanercepte (Enbrel®), o infliximabe (Remicade®), o adalimumabe (Humira®), o golimumabe (Simponi®) e o certolizumabe (Cinzia®). Como inibidor da IL-6 temos o tocelizumabe (Actenra®) e como inibidor da IL-1 o anakinra (Kineret®). Existe também o inibidor de uma célula muito importante na produção da inflamação, chamada linfócito B. O medicamento que inibe o funcionamento desta célula chama-se rituximabe (Mabthera®). Colocamos o nome químico em evidência e entre parênteses, o nome comercial.

Todos estes medicamentos são usados por via parenteral, ou seja, não são ingeridos pela boca, e, sim, injetados no subcutâneo (embaixo da pele) ou na veia. Estes medicamentos são utilizados quando o tratamento clássico da doença não foi suficiente para que os sintomas e sinais desaparecessem. Os remédios utilizados inicialmente nas doenças reumatológicas e em várias outras doenças na Medicina são chamados de sintéticos. São os remédios que utilizamos habitualmente e que compramos na farmácia. Os imunobiológicos, como dissemos acima, são uma nova classe de medicamentos e são vendidos em apenas alguns locais especiais ou doados pelo governo sob indicação médica.

Atualmente, dentre as doenças reumatológicas nas quais os medicamentos imunobiológicos são mais usados podemos citar: artrite reumatoide, artrite reativa, espondilite anquilosante, artrite da psoríase e artrite associada à doenças intestinais. Mais recentemente, surgiu um imunobiológico para tratamento do lúpus, denominado belimumabe (Benlysta®), que também é um inibidor dos linfócitos B.

Entretanto, os imunobiológicos são medicações muito potentes e, ao inibirem a inflamação, também podem diminuir nossas defesas contra infecções. No caso dos agentes anti-TNF, a principal preocupação é a diminuição da defesa contra a tuberculose. Portanto, os médicos reumatologistas devem sempre ser consultados pois, a Sociedade Brasileira de Reumatologia tem regras muito bem elaboradas para o uso dos imunobiológicos,  no sentido de que todos os pacientes possam usufruir dos benefícios destas medicações, evitando seus efeitos adversos.

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