Labirinto significa ouvido interno, que é dotado de duas funções: a audição e o auxílio ao equilíbrio. Popularmente, a palavra labirintite, refere-se a um quadro de tontura, portanto, a uma disfunção da parte do labirinto relacionada ao equilíbrio, cujo nome correto é aparelho vestibular. Quando existe uma doença do aparelho vestibular ou, popularmente, uma labirintite, o sintoma mais importante é a tontura, quase sempre com características rotatórias (parece que tudo está rodando ou que o corpo está girando), acompanhada por náuseas e vômitos. Muito frequentemente, por ser uma disfunção do labirinto, o aparelho auditivo pode estar envolvido, ocasionando a presença de zumbido e perda auditiva.

 

Várias são as causas de alteração da função desse sistema. Existem as doenças próprias do labirinto e as doenças externas que interferem na função labiríntica, à semelhança das doenças que podem causar perda auditiva. Dentre as doenças do aparelho vestibular mais frequentes pode-se citar a hidropisia vestibular, conhecida como doença de Ménière, as alterações vasculares e as metabólicas.

 

• Na hidropisia vestibular (doença de Ménière), ocorre um aumento da quantidade de um líquido intralabiríntico, chamado endolinfa, com consequente aumento de pressão endolinfática. Essa pressão aumentada agride as células sensoriais do equilíbrio e da audição, causando, inicialmente, um prejuízo à sua função, gerando o aparecimento da tontura, do zumbido e da perda auditiva. Na fase inicial, havendo um controle da pressão, há retorno à normalidade da função das células sensoriais e o desaparecimento dos sintomas. Caso o quadro persista por um tempo mais prolongado, as lesões tornam-se irreversíveis e os sintomas mais difíceis de serem superados.

 

O tratamento nesses casos é feito com diuréticos, sedativos labirínticos como o difenidol, dimenidrinato (Dramin®), betaistina dicloridrato (Labirin®), vitamina B6, benzodiazepínicos, entre outros, e o controle de eventuais fatores desencadeantes como alergia, diabetes, alterações hormonais e imunológicas, além de uma dieta pobre em gordura e açúcar, e a realização de exercícios físicos periódicos.

 

Em cerca de 90% dos casos, a doença estabiliza-se com tempo de tratamento variável para cada paciente. Nos casos mais rebeldes e menos frequentes, pode ser necessário o tratamento cirúrgico através da descompressão endolinfática, administração de agentes químicos vestibulotóxicos ou neurectomia vestibular (secção do nervo vestibular). 

 

• As alterações circulatórias labirínticas são frequentemente causadoras de tonturas. Essas modificações da circulação labiríntica podem ser causadas por hipertensão arterial, diabetes, aumento do colesterol e arteriosclerose.

 

• Alterações da coluna cervical também podem diminuir o fluxo de sangue intralabiríntico quando envolvem as artérias vertebrais. Essas artérias penetram pela parte posterior do crânio e formam a artéria basilar, de onde se origina a artéria labiríntica responsável pela irrigação do ouvido interno. A redução do fluxo sanguíneo nas artérias vertebrais poderá repercutir sobre a circulação intralabiríntica.

 

O tratamento nesses casos passa pelo controle das doenças sistêmicas de base e das alterações da coluna cervical, além do uso de vasodilatadores, sedativos labirínticos e exercícios físicos.

 

• As alterações metabólicas que mais frequentemente causam disfunção do aparelho vestibular labiríntico são os distúrbios do metabolismo do açúcar. Tanto a hiperglicemia do diabetes quanto a hipoglicemia podem interferir no metabolismo energético das células labirínticas e causar tonturas.

 

O tratamento do distúrbio específico, associado a uma dieta fracionada e balanceada, aliado à realização de exercícios físicos regulares costuma proporcionar controle definitivo dos sintomas.

 

• Vale a pena citar que transtornos hormonais femininos e tireoideanos podem também causar distúrbios da função labiríntica com o aparecimento de tontura e zumbido. A identificação desses desvios hormonais e sua correção costumam levar a um controle definitivo do quadro.

 

• O estresse físico, emocional e a chamada síndrome do pânico são causas frequentes de tontura que costumam ser confundidas com labirintite, assim como quadros neurológicos que acometem as vias vestibulares dentro do sistema nervoso central. Em virtude dessas diversas possibilidades quanto aos fatores geradores de tontura, somente o exame especializado poderá identificar a sua exata causa e orientar o tratamento mais adequado.


Labirintite causada por vírus: alguns vírus, em especial os vírus herpéticos e os da gripe, podem atingir o labirinto.


O exame otorrinolaringológico completo e o exame otoneurológico realizados pelo otorrinolaringologista são as etapas iniciais da avaliação da doença labiríntica. O objetivo desses exames é saber se a tontura é decorrente de distúrbio labiríntico, de alterações do sistema nervoso central ou de alterações de outras áreas, definindo a estratégia de tratamento e a necessidade de exames complementares.

 

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