Os anestésicos utilizados são iguais para todos, independente da idade?
Há diversas técnicas e agentes anestésicos. A idade influi nessa decisão, em crianças, em função da capacidade de cooperação e, em idosos, da maior incidência de doenças graves. Entre outros fatores, a quantidade de anestésicos utilizados na anestesia é ajustada conforme a superfície corporal do paciente, calculada a partir do peso, altura e idade.

Em geral, as crianças precisam de uma quantidade maior de anestésicos que os idosos. Existem modificações orgânicas ao longo da vida que também influenciam o tipo e a quantidade de anestésico a serem utilizados: a distribuição de líquidos no organismo, a resposta à estimulação cirúrgica e a velocidade do metabolismo  fazem com que doses menores de anestésico se tornem suficientes em pacientes mais idosos.

Ao longo da vida, a quantidade de água no organismo vai diminuindo. Nascemos com cerca de 70% de água e morremos com aproximadamente 50%. Muitos anestésicos, ao se distribuírem na água corporal, são mais diluídos nos indivíduos jovens, que têm maior quantidade de água. No idoso, tais anestésicos seriam mais concentrados, o que permitiria redução proporcional na quantidade aplicada.

Em recém-nascidos, as funções de alguns órgãos, como fígado e rins, ainda não estão maduras. Em função da menor eficiência desses órgãos, essenciais para metabolização e eliminação de muitos anestésicos, faz-se também necessário ajustar a dosagem.

Além da relativa limitação de metabolismo e de excreção, a idade avançada está associada a certas doenças que exigem atenção particular. O diabético, por exemplo, precisa ter um controle da glicemia no pré-operatório, para que ele não desenvolva uma glicemia baixa nem uma hiperglicemia, durante ou depois da  operação.

O paciente com bronquite crônica grave requer preparo pré-operatório adequado para a doença, frequentemente incluindo fisioterapia e ajuste da sua medicação. No intraoperatório, ele não poderá receber nenhum tipo de anestesia que comprometa sua função respiratória. 

Em anestesia, há diversas técnicas para prover analgesia (eliminar a percepção dolorosa), induzir o sono, controlar os reflexos e proporcionar relaxamento muscular. Mais importante que a escolha da técnica é o controle das funções orgânicas antes, durante e depois da anestesia.

Prof. Dr. José Luiz Gomes do Amaral é Prof. Titular da Disciplina de Anestesiologia, Dor e Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); Ex-Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) por dois mandatos (2005-2008/2008-2011); Presidente da Associação Médica Mundial — entidade que congrega 97 países, representando 9 milhões de médicos e autor do capítulo de anestesiologia do livro MEDICINA MITOS E VERDADES (Carla Leonel). Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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