O que é o antibiótico?
Antibióticos são substâncias derivadas de certos germes, bactérias, fungos ou plantas, capazes de matar outros germes. Existem alguns que são semissintéticos, entretanto, quase todos os antibióticos usados hoje são totalmente sintetizados em laboratórios, isto é, não precisam ser originados das fontes citadas acima. Cada antibiótico tem o seu regime de uso. O que se pretende, a partir das características de cada antibiótico, é manter permanentemente o nível adequado do remédio no sangue para agir contra o agente que está causando a doença.

Sempre é necessário tomar o antibiótico por 7 dias consecutivos?
Existem antibióticos que são dados a cada 6 horas, outros a cada 8 ou 12 horas e também aqueles administrados apenas a cada 24 horas. Dado o grande avanço da ciência, em muitos antibióticos mesmo usados por via oral, já são administrados em uma dose única diária, justamente para evitar e esquecimento  e a preocupação de respeitar rigorosamente o horário. De maneira geral, dê preferencia aos antibióticos que tenham esquema posológico mais confortável, isto fará aumentar a adesão ao tratamento correto, e consequentemente, melhor resposta ao tratamento. Oriente-se com seu médico.

O que acontece quando os horários e dias prescritos para o antibiótico não são rigorosamente respeitados? Em caso de esquecimento, o que podemos considerar como grande atraso?
Quando a pessoa não respeita a dosagem e o horário prescritos pelo médico, acontece o inconveniente de o remédio não agir como desejado. Considera-se atraso grande 5 ou 6 horas de ausência no sangue de um antibiótico usado por via oral. Mas uma ou duas horas não é motivo de preocupação. Nesse caso, o ideal é a pessoa não parar de tomar o remédio, e acertar o horário.

Como acertar a dose do antibiótico após ter passado o horário?
No caso de um antibiótico que deve ser administrado a cada 8 horas e teve um atraso de 2 horas, a dose seguinte deve ser tomada 8 horas após a dose administrada, independente do atraso passado. Ex: Dose programada para as 8h00, as 16h00 e a meia noite. A dose das 8h00 foi tomada somente às 10h, tendo ocorrido 2 horas de atraso. Nesta situação, a dose das 16h00 deverá ser tomada às 18h00, a dose da meia-noite às 2h00 da manhã e a dose das 8h00 da manhã passará definitivamente para as 10h00.  É importante saber que o antibiótico em excesso no organismo é tão prejudicial quanto a falta dele. Em caso de esquecimento jamais pare com o antibiótico e nem tome duas doses ao mesmo tempo (a dose do horário atual e a dose “esquecida”).

Já estou me sentindo bem. Posso parar o antibiótico?
Não. Quando o paciente tem de tomar um antibiótico por 7 dias e para no 5º dia por estar se sentindo bem, ele corre o risco de ter uma recaída, porque pode não estar totalmente curado. A bactéria pode ainda estar no organismo, porém com uma carga menor, o que o dá a sensação de "estar bem". Como consequência, no caso de precisar reiniciar o tratamento, o germe poderá ter-se tornado resistente ao antibiótico. Portanto, respeite sempre a orientação médica, mesmo que já esteja se sentindo muito bem.

Para cada doença, o médico bem preparado conhece qual é o período necessário para usar o antibiótico. Um exemplo: uma endocardite infecciosa (inflamação do revestimento interno do coração) causada pela bactéria Streptococcus, apenas será curada se o remédio for usado por no mínimo, quatro semanas. Existem outras situações clínicas que pode ser necessário o uso de antibióticos por tempo ainda maior.

Não tome medicamentos sem a prescrição médica. A diferença entre o veneno e o remédio está apenas na dose. Basta ver que todo medicamento possui efeito colateral.

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Conteúdo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) Perguntas e Respostas. Médicos responsáveis: Prof. Dr. Vicente Amato Neto (Prof. Titular Emérito do Departamento de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina – USP) e Dra. Rosana Richtmann ( Médica Infectologista do Instituto de Infectologia Emilio Ribas – SP; Presidente da CCIH do Hospital e Maternidade Santa Joana e Pro Matre Paulista; Presidente da Sociedade Paulista de Infectologia) e autores do capítulo de infectologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel).

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