DOE ÓRGÃOS - TIRE SUAS DÚVIDAS

Um a cada três brasileiros doadores de órgãos é de São Paulo, mas 39% das famílias paulistas ainda nega a doação. A lista de espera para um transplante de órgão é grande, ultrapassa 28 mil brasileiros. Em São Paulo, a maior fila é para o transplante de rim, que tem 8.873 pessoas, em seguida estão fígado (739), pâncreas e rim (416), córnea (243), pulmão (94), coração (90) e pâncreas (17).  “Se considerarmos todos os fatores que impedem que uma notificação de potencial doador se concretize em uma real doação, como contraindicação médica, a recusa familiar ainda representa quase a metade deles”, lamenta o presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos) José O. Medina Pestana, Medina.

“Embora pesquisas comprovem que a vontade de ser um doador é muito maior do que o número real de doadores, é triste saber que, na maioria dos casos, esse último desejo não se realiza simplesmente pela falta de diálogo familiar. Vencer essa barreira depende de um gesto simples. Converse com a sua família e ajude a salvar milhares de pessoas que hoje esperam por uma doação", reforça o médico.  Medina lembra também que além da doação após a morte encefálica, é possível realizar também a doação em vida – quando uma pessoa, em geral da família, é compatível e aceita ser doador. Esse procedimento é viável para a doação de rim.

Quanto a recusa da doação de órgão pelo receio da confirmação da morte não ter sido efetivamente diagnosticada, o neurologista Prof. Dr. Milberto Scaff esclarece que depois do quadro clínico da morte do ser humano (que corresponde à morte encefálica) ser constatado, o diagnóstico pode ser confirmado através de exames que atestam a parada irreversível da circulação encefálica (angiografia, ultrassonografia transcraniana etc.) ou das funções elétricas e metabólicas do cérebro (eletroencefalograma, estudos com materiais radioativos etc.). Cada  exame tem uma função específica, e não se relaciona com o tipo de doença inicial, mas, sim, com as funções do cérebro.

Antigamente, a morte era considerada como ocorrência do momento da parada do coração. Mas, hoje, sabe-se que ela já ocorreu na hora em que se instalou a morte encefálica. "Atualmente, a morte é caracterizada pela morte encefálica, pois uma parada cardíaca, às vezes, pode ser revertida, e a morte encefálica não. A parada cardíaca só corresponderá à morte se ela causar a morte encefálica", explica Scaff.  O neurologista alerta também que os órgãos só podem ser retirados do doente em morte encefálica em que se conservaram alguma circulação e oxigenação do corpo com o auxílio de aparelhos, medidas estas que  possibilitam manter os órgãos do doador até que possam ser retirados e implantados em outra pessoa. Normalmente, esta situação só ocorre em ambientes hospitalares, pois os pacientes que entraram em morte encefálica fora de um hospital e, portanto, pararam de respirar, sofrerão em seguida a parada cardíaca e não haverá tempo para a instituição do suporte cardiorrespiratório.

O diagnóstico de morte encefálica é feito após a parada definitiva da respiração e é por isso que é necessário o respirador artificial: este mantém o doador com a oxigenação do coração para que continue batendo por mais algum tempo. Vale ressaltar que só se consegue manter a circulação artificialmente por alguns dias, em geral, 48 horas.

Se você ainda acha que a doação de órgãos é um tabu, teste seus conhecimentos. Informação é sua arma mais eficiente!

MITO: Para me declarar doador, preciso disponibilizar essa informação no meu RG ou CNH.

VERDADE: As informações que constavam no Registro Geral (RG) e na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) perderam a validade há mais de uma década, em 2000. Em muitos casos, por falta de informação, as pessoas forneciam respostas negativas sem ao menos refletir sobre esse assunto tão importante.

MITO: Para se tornar um doador é preciso deixar um registro por escrito.

VERDADE: Para se tornar um doador de órgãos e tecidos, você só precisa informar esse desejo a seus familiares. Eles são os únicos que podem autorizar a doação, sem que haja necessidade de deixar nada por escrito.

• Embora a única forma de se tornar um doador de órgãos seja avisando verbalmente sua família, hoje já é possível se declarar um doador no Facebook. Para fazer isso, compartilhe esta informação. Vc pode ainda entrar na página  “Seja um doador de órgãos. Seja um doador de vidas” e manifestar sua vontade de doar órgãos para todos seus familiares e amigos.

MITO: Se o médico souber que eu sou doador, ele não vai se esforçar para me salvar após um acidente?

VERDADE: A equipe médica que atende uma pessoa na emergência tem como prioridade salvar vidas, além de não ter conhecimento sobre a decisão do paciente de ser um doador. Apenas após a morte encefálica comprovada e com o consentimento da família é que uma outra equipe médica, especializada em transplantes, é chamada.

MITO: A família de quem recebe o órgão é quem paga pela operação?

VERDADE: Nenhuma das duas famílias – seja a do doador ou do receptor do órgão transplantado – têm qualquer tipo de despesa com a operação. O Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior programa público de transplantes do mundo e se responsabiliza pelos gastos da operação e pelo fornecimento vitalício das medicações necessárias para evitar a rejeição do órgão transplantado.

MITO: É verdade que a doação deixa marcas profundas no corpo, que atrapalham na hora do enterro?

VERDADE: Como todos os órgãos doados são removidos por meio de cirurgia, o corpo dos doadores pode ser velado ou cremado normalmente.

MITO: Cada doador de órgão pode mesmo salvar uma vida?

VERDADE: Um único doador de órgãos salva em média de oito a 10 pessoas, chegando a 20, com o transplante de córneas, coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, pele, ossos e válvulas cardíacas.

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