Quais são os progressos, evoluções e avanços na área de gastroenterologia da última década?

Nos últimos 30 anos foi enorme o avanço na área gastroenterológica. Deve-se destacar:

• Melhoria dos exames de imagem (ultrassom, tomografia e ressonância) e da endoscopia digestiva alta e baixa;

• Aperfeiçoamento da cirurgia laparoscópica;

• Após o ganho com o uso dos bloqueadores dos receptores de histamina (cimetidina, ranitidina, famotidina e nizatidina), evoluiu a terapêutica das doenças ulcerosa, do refluxo gastroesofágico e das gastrites com os inibidores de bomba protônica (omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol e esomeprazol);

• Avanço na terapêutica das doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa inespecífica;

• Avanços nas terapias nutricionais, parenteral e enteral.

• Definição da bactéria H. pylori e/ou dos anti-inflamatórios como, agentes causais da doença ulcerosa gástrica e duodenal, e cura da doença com a erradicação da bactéria e/ou proscrição do uso daqueles fármacos;

• Associação causal da bactéria H. pylori com o câncer gástrico e obrigatoriedade de erradicação nos parentes de primeiro grau dos portadores da doença;

• Reconhecimento dos pólipos do intestino grosso como precursores de câncer e da colonoscopia, rotineira aos 50 anos, que detecta aquelas formações e possibilita prevenção do câncer mediante a sua retirada;

• Avanços no conhecimento das doenças funcionais do trato digestivo, especialmente dispepsia funcional e síndrome do intestino irritável, especialmente no afastamento do mecanismo psicossomático e reconhecimento da hiperalgesia e dismotilidade, com direta implicação terapêutica;

• Abordagem enérgica dos portadores de esteatohepatite, especialmente entre obesos e diabéticos, a partir do conhecimento da predisposição para cirrose hepática;

• Identificação e terapêutica dos portadores de intolerância à lactose;

• Vacinação para hepatites virais A e B (em relação ao vírus B, prevenindo evolução crônica para cirrose e câncer de fígado);

• Tratamento de portadores crônicos de vírus B e C da hepatite;

• Diminuição das endêmicas doença de Chagas, esquistossomose e outras parasitoses intestinais, por melhora nas condições sanitárias e resultados de profilaxia;

Especificamente, nos últimos 10 anos, passou-se a dar mais ênfase para profilaxia ou prevenção, sendo contínuo o progresso, com introdução e aperfeiçoamento de métodos diagnósticos e terapêuticos, destacando-se:

• Colonoscopia de rotina para detecção e remoção de pólipos nos cólons, evitando assim sua progressão para câncer;

• Cápsula endoscópica para investigação de lesões do intestino delgado;

• Divulgação para necessidade de abstenção absoluta de glúten (contido no trigo, centeio e aveia) nos portadores de doença celíaca;

• Avanços na cirurgia minimamente invasiva (laparoscopia e Notes — acesso por orifícios naturais);

• Avanços em tratamento oncológico e endoscópico;

• Progressos nos transplantes de órgãos (especialmente de fígado) e na abordagem de infecções e imunodepressão voltada para rejeição;

• Tratamento da obesidade, especialmente com cirurgia laparoscópica;

• Avanços no tratamento da AIDS e suas complicações gastroentéricas;

• Maior introdução e vigilância (efeito adversos, inclusive motivando retirada do mercado) de medicamentos.

É incontestável e significante o progresso da Medicina. Além da redução de mortalidade e maior longevidade, houve melhora na qualidade de vida. Ampliam-se continuadamente os conhecimentos de causa e mecanismos das doenças, diagnósticos e tratamentos, nas diversas especialidades, inclusive em Gastroenterologia.

A evolução vem ocorrendo principalmente no campo tecnológico e também resulta em ganhos em outras áreas, como da engenharia sanitária, desenvolvimento cultural e social, acesso à informação (internet para profissionais e pacientes), melhoria de hábitos e de medidas preventivas.

Novidades não necessariamente constituem reais aquisições, mas modismos que podem, inclusive, representar retrocesso. Basta reparar no crescente número de medicamentos retirados do mercado.

Cada vez mais, erros alimentares e hábitos não salutares são copiados. Destaca-se o previamente comentado desrespeito para com a alimentação.

Uso de certos medicamentos não raro constitui a causa do distúrbio digestivo (exemplo maior: anti-inflamatório).

Não se deve contar exclusivamente com o progresso tecnológico, mas participar da promoção de saúde, crescendo na auto-observação e proatividade.

A ênfase deve ser a profilaxia. Infelizmente, cada vez mais aumenta a impessoalidade e a relação médico/paciente, essência da prática médica, perde em qualidade e tempo disponibilizado.

O diagnóstico por imagem sofreu significativo avanço com surgimento e desenvolvimento de novos equipamentos. Há 30 anos, ultrassom não gozava da confiança dos médicos. Passamos a contar com fantásticas imagens também proporcionadas pela tomografia e ressonância magnética, possibilitando a visualização de estruturas antes “inacessíveis”, como pâncreas e vias biliares, bem como de tecidos com atividade indicativa de câncer. Além da evolução da endoscopia digestiva alta e da colonoscopia, contamos com sua associação com ultrassom, a ecoendoscopia. Também o endoscópio já possibilita examinar o intestino delgado, assim como através de cápsulas ingeridas obtém-se imagens de todo o trato digestivo.

Luiz Chehter é Professor Responsável pelo Setor de Dispepsia _ Disciplina de Gastroenterologia da Escola Paulista de Medicina — UNIFESP e autor do capítulo de gastroenterologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). *Matéria publicada no livro.

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