“Há vários tipos de crises epilépticas e a mais conhecida é a crise denominada "grande mal", caracterizada por súbita queda ao solo, sem aviso, algumas vezes com emissão de um grito. Há interrupção da respiração, os braços e pernas tornam-se rígidos (caracterizando a fase tônica, ou seja, de contrações musculares mantidas), após o que surgem contrações musculares interrompidas por períodos de relaxamento (a fase clônica)”, explica o Prof. Dr. Milberto Scaff, Titular de Neurologia da USP e autor do capítulo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel).

Pelo acometimento da musculatura facial, pode haver mordedura da língua. Devido à interrupção da respiração, o indivíduo fica cianótico (com a pele azulada), quando então a respiração retorna espontaneamente. Pode haver emissão de urina, e a crise é seguida por sono ou um período de confusão mental com duração variável. Todo o episódio dura cerca de um minuto.

A conduta diante de um indivíduo com este tipo de crise deve consistir em atos que visem minimizar a possibilidade de traumatismos e a de aspiração do conteúdo gástrico em decorrência de vômito e, para isto, o paciente deve ser colocado deitado de lado.

“É bom salientar que a cianose decorre da parada respiratória, e não da obstrução das vias aéreas pela língua ou secreções, não sendo justificadas atitudes como a de tentar desobstruir a boca ou a faringe. Estas tentativas podem resultar em ferimento dos dedos da pessoa que tenta desobstruir a boca, em decorrência da profunda contração tônica dos músculos faciais da pessoa acometida pela crise”, alerta o médico.

PASSO A PASSO DE COMO PROCEDER NO SOCORRO DIANTE DE UM ATAQUE  EPILÉTICO
• Coloque a pessoa deitada de costas, em lugar confortável, retirando de perto objetos com que ela possa se machucar, como pulseiras, relógios, óculos;
• Introduza um pedaço de pano ou um lenço entre os dentes para evitar mordidas na língua;
• Levante o queixo para facilitar a passagem de ar;
• Afrouxe as roupas;
• Caso a pessoa esteja babando, mantenha-a deitada com a cabeça voltada para o lado, evitando que ela se sufoque com a própria saliva (a baba não é contagiosa);
• Quando a crise passar, deixe a pessoa descansar;
• Verifique se existe pulseira, medalha ou outra identificação médica de emergência que possa sugerir a causa da convulsão;
• Nunca segure a pessoa (deixe-a debater-se);
• Não dê tapas;
• Nunca jogue água sobre a pessoa.

Conteúdo do livro MEDICINA — MITOS & VERDADES (Carla Leonel )  Capítulo de neurologia. Médico responsável Prof. Dr. Milberto Scaff (Prof. Titular de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/FMUSP). Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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