A histerectomia (remoção do útero) é, depois da cesárea, a cirurgia mais frequente em mulheres. A principal indicação são hemorragias causadas por miomas. Porém, seu médico deverá discutir a indicação desta cirurgia com você. Há, hoje, diversas formas de evitá-la e, estas, têm suas indicações precisas. A preservação do útero tem a sua importância para cada paciente e poderá ser fundamental para a manutenção da função reprodutiva.

Nos casos em que é realmente necessário a retirada do útero, a novidade e tendência mundial são cirurgias realizadas de forma minimamente invasiva, chamadas literalmente de Cirurgia Minimamente Invasiva. Para o leitor entender melhor, os procedimentos cirúrgicos ginecológicos podem ser realizados através de três vias: abdominal, endoscópica (laparoscopia ou histeroscopia) e vaginal, sendo as duas últimas Cirurgias Minimamente Invasivas (CMI) já que não há necessidade de cortes abdominais. A cirurgia minimamente invasiva apresenta uma série de vantagens, em especial no que diz respeito ao pós-operatório – normalmente, a mulher volta às suas atividades normais em menos tempo do que se fizesse uma cirurgia tradicional, tem menos dor e fica menos tempo internada no hospital. 

Há, basicamente, quatro formas de realizarmos uma histerectomia (remoção do útero) e a escolha da via de acesso para esta cirurgia deverá ser de acordo com o diagnóstico médico aliado ao método que trouxer mais vantagens para a paciente:

• Vaginal: é limitada a patologias benignas. A histerectomia vaginal, pela técnica minimamente invasiva em útero sem prolapso (ou seja, que não está caído), permite que a mulher se interne em jejum de manhã, faça os exames necessários, seja submetida a histerectomia vaginal à tarde e já tenha alta no dia seguinte. Muitas delas, no momento da alta, não acreditam que foram operadas! As pacientes praticamente, não tem dor, ou sente muito pouca dor. Dois ou três dias depois da operação, ela já pode ter uma vida normal, sem esforços e dependendo da profissão de cada uma, uma semana depois, já pode até trabalhar.

• Laparoscópica: tem indicação especialmente em casos de útero com endometriose. São feitas pequenas incisões abdominais e é realizada sob anestesia geral. 

• Vaginal por laparoscopia: poderá ser indicada quando há associação de tumores ovarianos ou nas trompas.

• Abdominal (com incisão semelhante a da cesárea): a histerectomia abdominal ainda é a via de acesso mais comum no mundo todo, embora, idealmente, ela deva ser reservada apenas aos casos especiais.

As cirurgias minimamente invasivas vem se popularizando cada vez mais e são introduzidas nas escolas médicas. Muitos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) já utilizam estas técnicas e elas são uma aquisição enorme para a qualidade de vida das mulheres.

É verdade que mulheres que se submeteram a cirurgia para retirada do útero com prolapso (mulheres com queda de útero) podem ter problemas como a bexiga sair para fora da vagina?
Trabalhos científicos publicados a partir de 2007, entre os quais, uma pesquisa científica conduzida por nosso grupo no Hospital Pérola Byington e Albert Einstein em SP/SP, mostram que aquilo que é realizado na rotina, no Brasil e na maior parte dos países do mundo, é completamente inadequado. Ainda hoje, grande parte dos cirurgiões ginecologistas retiram o útero com queda (histerectomia) e não dão maior importância para a sustentação da própria vagina, da bexiga e do reto. E aí? Depois de 6 meses em média, a paciente retorna ao médico com a vagina, a bexiga e o reto para fora e terá de ser submetida a uma nova cirurgia.

Quando os órgãos genitais estão deslocados (na vagina) é fundamental que todos os tecidos sejam fixados em ligamentos de maneira a tratar e reconstruir toda a anatomia da mulher. As cirurgias minimamente invasivas vem se popularizando cada vez mais e são introduzidas nas escolas médicas. Muitos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) já utilizam estas técnicas e elas são uma aquisição enorme para a qualidade de vida das mulheres.

Após a remoção do útero, como evitar as complicações da queda da vagina, bexiga e reto? Qual é a diferença entre a correção de incontinência urinária realizada antigamente e a atual?
Modificou-se completamente a abordagem para incontinência urinária (perda de urina aos esforços) e para a correção de todos os defeitos do assoalho pélvico (queda de útero, bexiga e reto). Os trabalhos científicos mostraram que a antiga colpoperíneoplastia tinha recorrência de sintomas, em cerca de 50% dos casos, alguns anos depois de ser feita. Nos últimos 8 anos introduziu-se a prática das cirurgias por orifícios naturais com alto índice de sucesso. Antigamente, fazia-se uma cirurgia vaginal na qual era dado um ponto ao lado da uretra (canalzinho por onde sai a urina) ou, dependendo do caso, fazia-se uma cirurgia abdominal.

Hoje, com a cirurgia por orifícios naturais (neste caso, o orifício natural é a vagina) é realizada uma incisão vaginal de mais ou menos 1 a 2 centímetros, que a paciente não percebe no pós-operatório, e duas pequenas incisões de meio centímetro na prega da coxa. Coloca-se uma tira de material sintético que funciona como uma rede que apoia a uretra e, obtém-se com esta técnica, um sucesso em 95% dos casos.

*Conteúdo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). Capítulo de Ginecologia. Médico responsável Prof. Dr. Thomaz Gollop. Proibida reprodução sem citar a fonte com link da matéria original.

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