A ÚLCERA PÉPTICA É CAUSADA POR BACTÉRIA

O que é úlcera péptica?
Diferente da gastrite que é uma inflamação da mucosa do estômago, a úlcera péptica é uma lesão, uma espécie de ferida que surge no estômago, duodeno e menos frequentemente no esôfago - veja a ilustração. A principal causa da úlcera péptica é a bactéria Helicobacter pylori. Aparece com maior frequência em determinadas populações, principalmente em países subdesenvolvidos. A causa genética também é importante. Se em uma família não há úlcera, nas gerações futuras da mesma família será raro alguém tê-la.  Apesar dos sintomas da úlcera e da gastrite serem parecidos, as causas são bem distintas. A gastrite está relacionada ao ácido clorídrico e a úlcera péptica a uma bactéria.

A história da úlcera péptica
Até 1983, a úlcera era considerada uma lesão gastroduodenal resultante de uma ação lesiva do ácido clorídrico (ácido do estômago que atua no processo de digestão). No entanto, desde que Marschal e Warren, na Austrália, identificaram na parede do estômago uma bactéria, denominada Helicobacter pylori (Hp), a determinação da origem dessa doença sofreu uma mudança radical.  Hoje, não há dúvidas de que a bactéria Hp é o agente causador das úlceras pépticas. Essa é uma bactéria que prolifera somente na mucosa do estômago ou nas células gástricas que podem nascer fora do estômago, no duodeno ou no esôfago. Tal fato levou certos autores a propor uma mudança no conceito "Sem ácido clorídrico não há úlcera" para "Sem Hp não há úlcera".

Também no passado a doença ulcerosa era incurável, tinha elevada mortalidade, restrições alimentares e necessidade de cirurgia. Na atualidade, é curável, raramente se associa à restrição alimentar ou cirurgia, entretando ainda envolve riscos, dadas à complicações como perfuração ou hemorragia, principalmente.

Tratamento Atual da Úlcera Péptica
O tratamento da úlcera péptica é feito com antibióticos e com medicamentos que atuam como inibidores da secreção do ácido clorídrico. Isso possibilita a rápida cicatrização da lesão e o desaparecimento dos sintomas. Porém, o retorno da úlcera deixa de ocorrer apenas com a eliminação da bactéria Hp. Do contrário, as recaídas são frequentes.

 • A dieta do paciente com úlcera é normal, com pequenas restrições quanto ao álcool, ao excesso de frituras e a frutas ácidas, apenas nas duas primeiras semanas do tratamento e no período em que estiver tomando antibiótico.

• Hoje em dia, é rara a realização de cirurgia como tratamento de úlcera péptica. Não se veem mais casos de estenose antropilórica (fechamento da saída do estômago por fibrose, câncer ou lesão) e, raramente, observam-se perfurações. Em cerca de 10% dos casos, nos quais não se controla a hemorragia, faz-se necessária a cirurgia. Nas últimas décadas, não temos mais observado casos fatais de úlcera péptica.

A recomendação de que, caso haja necessidade de anti-inflamatório no indivíduo com histórico de complicação digestiva, este deve ser administrado com o estômago “forrado” por alimento, ou somente através de injeção ou supositório não é mais justificável. Atualmente, é feita a prevenção de lesão, com a administração dos inibidores de bomba protônica (omeprazol, lansoprasol, pantoprazol, rabeprazol ou esomeprazol), os mais empregados no mundo todo.

Conteúdo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) - Editora CIP. Proibida a reprodução total ou parcial sem citar a fonte com o link ativo. Capítulo de Gastroenterologia. Médico responsável: Prof. Dr. Luiz Chehter.

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