Qual é a responsabilidade de um anestesiologista durante um procedimento cirúrgico?
A anestesia contribui decisivamente para o sucesso ou fracasso dos procedimentos cirúrgicos. Esse fato, expressivo para as operações longas que interferem na função dos órgãos vitais, como cérebro, coração, pulmão, fígado e rins, vale também para as intervenções em áreas limitadas, como olhos, ouvidos e das extremidades do corpo. O anestesiologista é responsável pela avaliação pré-anestésica, manutenção do equilíbrio das funções vitais (cardiovascular, respiratória, renal, entre outras), analgesia e, quando necessário, hipnose (abolição da consciência) e relaxamento muscular.

De maneira geral, os procedimentos cirúrgicos afetam a atividade de órgãos vitais e colocam a vida em risco, assim como as alterações da função de vários sistemas orgânicos também modificam as condições do campo operatório (área em que se desenrola a intervenção cirúrgica) e podem prejudicar o resultado das operações.

Nas operações realizadas nos pulmões, por exemplo, o anestesiologista é obrigado a modificar a ventilação para facilitar o acesso à área operada sem comprometer a função pulmonar. Em intervenções cirúrgicas no coração ou em vasos sanguíneos principais, a circulação poderá ser temporariamente comprometida e o objeto da atenção do anestesiologista será a preservação dos órgãos potencialmente afetados.

Por outro lado, as respostas reflexas à estimulação cirúrgica resultam em alteração da função de vários órgãos. Isso pode agravar doenças prévias à operação. Nessas circunstâncias cabe ao anestesiologista tomar as medidas necessárias para evitar a descompensação de sistemas vitais, como as funções cardiovascular e respiratória, entre outras.

Nas anestesias, independente da técnica utilizada, as complicações a se evitar no decurso de intervenções cirúrgicas são: hipotensão ou hipertensão arterial, taquicardia, bradicardia (batimentos cardíacos acima de 100 ou abaixo de 60/minuto), ou outras arritmias cardíacas, obstrução das vias aéreas, alteração da ventilação pulmonar ou da oxigenação, náuseas, vômitos, regurgitação, aspiração do conteúdo gástrico, hemorragia, febre ou hipotermia, reações alérgicas e outras.

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Prof. Dr. José Luiz Gomes do Amaral é Prof. Titular da Disciplina de Anestesiologia, Dor e Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); Ex-Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) por dois mandatos (2005-2008/2008-2011); Presidente da Associação Médica Mundial — entidade que congrega 97 países, representando 9 milhões de médicos e autor do capítulo de anestesiologia do livro MEDICINA MITOS E VERDADES (Carla Leonel). Artigo do livro. Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.


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